sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Jingle Hell VIII



A banda Presidente Elvis já ensaio na minha casa, mas eu não tive como acompanhar o ensaio. Pelo que reza a lenda, a banda, que tem Gustavo Rodrigues nos vocais e Marcelo Damaso na guitarra (alguns dos fundadores da Dançum Se Rasgum Produciones), só toca na noite de Natal, uma vez a cada ano já tem um tempo. Como faz tempo que não encaro baladas natalinas, acho que vi dois shows da banda. Os repertórios são sempre bacanas porque a rapaziada tem ótimo gosto musical e estão sempre atualizados, inclusive com o que há de mais clássico no rock. Dudu Feijó é um guitarrista esmerado nos timbres e nas efeitos e, como toda banda que toca pouco, tem sempre, nessas apresentações, a chance de torná-las únicas. Sendo assim, creio que é uma noite merecidamente concorrida. Confira o release que me chegou por email:

Jingle Hell VIII

A festa em que Papai Noel perdeu as botas, está volta ao Café com Arte no dia 24 de dezembro, pós-ceia, com a apresentação da banda Presidente Elvis e DJs espalhados pelos quatros cantos do Café com Arte
A oitava edição do natal mais roqueiro de Belém está de volta ao Café com Arte. O Jingle Hell VIII não brinca muito de inovação, pelo contrário, se mantém cada vez mais fiel às tradições natalinas e retorna ao lugar em que foi concebido. Dia 24 de dezembro, depois da ceia natalina é hora de se divertir na Jingle Hell VIII, a festa onde o Papai Noel perdeu as botas, a dignidade, o respeitos com as renas e esqueceu onde estacionou o trenó.
No palco, a banda Presidente Elvis, formada pelos fundadores da Se Rasgum, que uma vez por ano atacam de roqueiros tocando as mesmas músicas de sempre, mas se esforçando pra parecer que é um show novo. Além das clássicas versões para músicas de The Clash, Talking Heads, The Kinks, Beatles, Lynyrd Skynyrd, Pixies, Pavement, Roberto Carlos, Júpiter Maçã e T-Rex, a banda ainda traz no repertório novas versões de Elton John, Ultraje à Rigor, Graforréia Xilarmônica e mucho mas! Formada por Gustavo Rodrigues (voz), Dudu Feijó (guitarra), Raphael Pinheiro (baixo), Marcelo Damaso (guitarra) e Jean Louis Franco (bateria).
E na pista de cima, o retornos dos DJs amigos Aloizio & Natalia (indie rock), Flávio Proença (new rave) e Fernando Souza (90’s). No Porão, a diversão fica com os DJs Marcel Arede (rock, bagaceira e pop sem vergonha), Marcelo Papel (clássicos 70, 80 e 90) e a dupla Vandersexxx , de Marcos e Vinícius (indie, 90s etc.)
A rockada natalina começa a meia-noite, logo depois da ceia, da troca de presentes avacalhados, depois que as crianças dormirem e as tias forem pra casa “já com sono daquele vinhozinho”.

SERVIÇO
Jingle Hell VIII
Banda: Presidente Elvis
DJ's: Aloizio e Natália, Marcel Arede, Flávio Proença, Fernando Souza, Marcelo Papel e Vandersexxx.
Local: Café com Arte (travessa Rui Barbosa, 1437)
Ingressos: 15 dinheiros até 1h / 20 dinheiros após

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Músicos definem novo rumo em Minas

Uma "banda" da RMB reunida em Minas Gerais, onde foi escrita a Carat de Belo Horizonte

Um das coisas mais importantes que aconteceram na última Feira Música Brasil não esteve nos palcos, apesar dos ótimos shows que aconteceram em Belo Horizonte entre os dias 8 e 12 de dezembro. Otto, Andreas Kisser e uma turma boa de mineiros, Mestre Vieira, Iva Rothe e Pio Lobato e B Negão fizeram alguns dos ótimos shows que assisti por lá, mas quem foi à Feira para aprimorar-se pensando no futuro do negócio e da política cultural do país estava de olho mesmo em outra movimentação.

Nesse sentido o grande momento foi a consolidação da Rede Música Brasil, uma entidade formada pelos principais agentes da cadeia produtiva da música brasileira hoje, principalmente aquela não diretamente ligada à grande indústria das multinacionais. Essa rede hoje é formada por 18 associações, fóruns e coletivos de amplitude nacional como Circuito Fora do Eixo, Associação de Rádios Públicas do Brasil (Arpub), Música Para Baixar (MPB), Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), Fórum Nacional da Música (FNM) e Colegiado Setorial de Música (CSM), entre outras (veja lista completa abaixo da Carta de BH).

No próximo dia 13 de janeiro, a RMB deve se reunir no Rio de Janeiro para a primeira reunião sem que tenha sido convocada pela Fundação Nacional das Artes (Funarte), órgão do Minc que tem gerenciado os investimentos públicos federais no setor. A RMB tem como objetivo principal nesse momento pautar a próxima Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, das demandas do setor, aprimoradas e afinadas em uma semana de conversas e negociações durante a Feira Música Brasil.

Resultados práticos da FMB 2010 foram a escolha da executiva nacional do FNM, que saiu reestruturado depois de várias manifestações críticas e muito criticadas dentro da rede, que alegava não ter o FNM um direcionamento coeso de suas proposições. Isso acontece (ou acontecia) porque o FNM reúne músicos de todo o país, que passaram a debater depois da convocação da câmara setorial de música em 2005 pela Funarte, quando esta fundação tinha a frente do Centro de Música exatamente a futura ministra Ana de Hollanda.

Fazem parte da nova Executiva Nacional do Fórum Nacional de Música, eleita em Belo Horizonte, Makely Ka (MG), Naldinho (AL), Du Oliveira (GO), a paraense Gláfira Lobo, representando a região Norte, e o músico e pesquisador paranaense Téo Ruiz, que coordena a comitiva e terá a responsabilidade de conduzir as negociações e conversas do FNM com o novo ministério.

Outra banda da RMB, representantes da Arpub, Federação das Cooperativas de Música, MPB e CFE

Durante a última reunião da RMB, em BH, a Abrafin também anunciou a próxima nova diretoria da entidade. Fabrício Nobre, dos festivais Bananada e Goiânia Noise, atual presidente, e Pablo Capilé, coordenador do Calango, atual vice-presidente, deverão ser substituídos por Tales Lopes, do coletivo mineiro Goma, e Ivan Ferraro, da Feira da Música de Fortaleza.

Outra diretriz importante tirada da RMB, foi da reunião do Circuito Fora do Eixo com a delegação Norte, que integra tanto o CFE quanto o FNM. As duas entidades, que ocupam também o Colegiado Setorial de Música e andaram se estranhando nas listas e fóruns on line, fizeram um pacto de não agressão e de cooperação que deve evoluir, segundo Pablo Capilé, para uma pauta mais efetiva das questões amazônicas dentro da RMB.

Esse foi sem dúvida um momento de suma importância para a nova música brasileira. Seus frutos serão provados e aprovados em breve. E o Pará e região Norte esteve bastante representando nele. Veja mais detalhes no blog da Pro Rock.

Segue abaixo o texto integral da Carta de Belo Horizonte.

CARTA DE BELO HORIZONTE
Reunidos em Belo Horizonte, durante a III Feira Música Brasil 2010, as entidades componentes do Conselho da Rede Música Brasil, principal interlocutor hoje do segmento da música brasileira com o poder público, reconhecem que houve muitos avanços, nos últimos 04 anos, em busca da consolidação de uma política pública estruturada e estruturante para o setor.
A Carta do Recife, em dezembro do ano passado, foi um marco neste sentido, quando sociedade civil e governos se uniram na busca das soluções para os diversos gargalos da cadeia da música. Reconhecendo que muito foi feito, mas que ainda falta muito a conquistar, elaboramos hoje uma pauta que é a expressão do que pensam e reivindicam as principais entidades deste Conselho.

10 PONTOS FUNDAMENTAIS PARA UMA POLÍTICA PERMANENTE PARA A MÚSICA NO BRASIL

1- Agência
A Criação da ANM - Agência Nacional da Música continua sendo um ponto fundamental para que este desenho possa se materializar numa política de Estado.

2- Fomento
Consolidar e ampliar o Fundo Setorial da Música integrado ao Fundo Nacional de Cultura. Lutar pela plena aprovação e posterior implementação do Pró-Cultura e participação efetiva na regulamentação do Fundo Setorial da Música;

3- Marcos Regulatórios
Estabelecer um novo marco regulatório trabalhista e previdenciário e desonerar a carga tributária para o setor criativo e produtivo da música.

4- Direito Autoral
Após encerrada a consulta pública, avançar na revisão da Lei de Direito Autoral e trabalhar pela sua aprovação.

5- Formação
Regulamentar imediatamente a Lei 11.769/2008 que institui a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas e dar continuidade em todas as macro-regiões aos seminários de discussão sobre a sua implementação.

6- Mapeamento
Promover o mapeamento amplo e imediato de toda a cadeia criativa e produtiva da música. Incluir o setor da música na matriz insumo-produto utilizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

7- Comunicação
Garantir a execução da diversidade da música brasileira nos meios de comunicação e fortalecer as redes de emissoras públicas, comunitárias e livres, como canais de divulgação da música brasileira. Criação e fortalecimento dos conselhos de comunicação nas três esferas governamentais;

8- Redes
Estimular e fomentar a formação e organização de redes associativas no campo da música, pautadas nos princípios da economia solidária. Atribuir á Feira Música Brasil e as Feiras Regionais de Música papel crucial na interligação entre as diferentes redes, incluindo os parceiros internacionais, o mercado e as instituições.

9- Circulação
Consolidar, fortalecer e fomentar ações de circulação através das redes de festivais, feiras, casas e espaços de apresentações musicais em sua diversidade. Criar mecanismos que assegurem divulgação, acesso do público aos espetáculos e formação de plateias.

10 - Exportação
Criar um escritório de exportação da música brasileira para fomentar às ações existentes, assim como regulamentar os mecanismos legais para a exportação.

O CONSELHO DA REDE MÚSICA BRASIL É COMPOSTO PELAS SEGUINTES ENTIDADES:

ARPUB,
ABEART,
Academia Brasileira de Música
ABRAFIN,
ABEM, (editoras de música)
ABEM, (ensino de música)
ABPD,
ABMI,
Circuito Fora do Eixo,
CUFA,
MPBaixar,
Fórum Nacional da Música,
Federação das Cooperativas de Músicos,
Casas Associadas,
BM&A,
Fenamusi
UBEM
Colegiado Setorial de Música

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sistema nervoso central

A máquina perfeita. Era proibido fotografar, mas a pirataria é como o cancer. Quando menos você espera, ela se manifesta.

Por Elielton Amador

Num único momento de distração dentro da longa semana que passei em BH, discutindo, reunindo e fazendo negócios na Feira Música Brasil, fui ao Shopping Boulevard ver a exposição sobre o corpo humano que roda o mundo. Era uma oportunidade rara e meu amigo João de Deus queria vê-la. Ocuparia não mais que duas horas da nossa manhã e seria um importante instrumento de conhecimento geral, que, segundo ele, sabiamente, é importante para o desenvolvimento de qualquer profissional.

Lá fomos nós para a exposição. R$ 40, suados, para ver corpos dissecados, cérebros expostos em tridimensão, alguns com marcas de hemorragias de AVC, pulmões negros consumidos pelo tabaco, e as várias fases de desenvolvimento de um embrião a feto. Além de ter os sistemas orgânicos todos muito bem explanados e compreendidos dentro de uma engrenagem perfeita. Sim, aquele clichê médico de que o corpo humano é um organismo perfeito está valendo.

A vida de hoje, com toda a tecnologia e toda a intricada rede de relacionamentos humanos, acaba por nos fazer esquecer o básico: como funciona o nosso corpo. Saber como esse organismo funciona através da integração de sistemas de funções específicas para a manutenção do todo, nos ajudaria a preservá-lo melhor, saudável.

A sensação, depois de passar pela exposição, é um misto de insegurança e de encantamento. A vontade que dá é de preservar aquele corpo o mais longe possível do câncer. Câncer que é a rebeldia das células para com o sistema do corpo. Elas parecem se negar a trabalhar para a manutenção do organismo. Muito provavelmente, são provocadas pelas agressões a que o próprio corpo é submetido.

De forma um pouco lúdica, fico imaginando, com base na teoria evolucionista, em todos os milhões de anos que bactérias e células se constrangeram e se desentenderam até gerar vidas menos complexas e gradativamente evoluíram até vir a ser este organismo perfeito.

Alguns crentes, que acreditam na inferência de Deus nesse processo, podem dizer que ele deu o sopro de vida que motivou a criação do homem à sua imagem e semelhança. Sendo assim, Deus poderia ser algo tão primitivo quanto todas essa unidades celulares, mas que, dentre elas, teve uma ideia brilhante de que se podiam se unir num único organismo, poderiam evoluir e crescer. E a sua própria imagem e semelhança lhe fez assim, cada vez mais nobre, forte e sábio diante de seus pares. Yes, we can, teria dito a célula mater.

Esta é uma parábola absurda! Mas juro que foi mais ou menos assim, associando as idéias sobre o funcionamento do corpo humano, seus sistemas interdependentes (como sistema nervoso, sistema circulatório e sistema digestivo, integrados uns aos outros numa maquina capaz de quase tudo, inclusive de gerar outras vidas), que pensei a rede que se estabelece hoje em torno da música do Brasil.

Em alguns momentos, nesse estágio mais primitivo, alguns quiseram alienar alguns dos pais dessa criança, que ainda nem saiu das fraldas, mas que agora começa a engatinhar de forma mais organizada. Consideremos seus sistemas interdependentes como as redes regionais e a rede central, que em analogia seria o nosso sistema nervoso. A gestão do MINC nesses anos teria a importância de um sopro quase divino em estimular a organização desses microorganismos, que hoje trabalham pela nova música brasileira.

Com essa breve parábola cientifico filosófica, inauguro uma série de pequenos textos a respeito das ações e diretrizes tomadas durante a Feira Música Brasil 2010, realizada entre os dias 8 e 12 de dezembro em Belo Horizonte (MG). Em especial as travadas pela delegação paraense na Feira. Sejam bem-vindos!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Guitarras empoeiradas

Banda aeroplano retorna do estúdio. Foto de João Sincera

Neste momento estou na reunião da Rede Música Brasil, em Belo Horizonte (MG). Enquanto não consigo repassar todos os informes da rede, aproveito para bloggar um pouco sobre o lançamento do single "Estou bem mesmo sem você", da banda Aeroplano. Eu estava ansioso pelo lançamento. Ele está disponível para download a partir de hoje.

Na minha opinião, a música título é uma das melhores canções pop da nova safra do rock paraense. Como diz Diego Fadul, no bom texto de apresentação do disco, o som amadureceu e ganhou uma definição. Centrado em alguma nostalgia e no relato de relações desgastadas, as letras definem alguns dos temas existenciais mais latentes nas relações humanas. Timbres vintage e guitarras "empoeiradas" são as marcas sonoras do single, que traz ainda duas músicas: "Para você, solidão" e "Vermelho que é rosa", músicas densas e arrastadas que lembraram alguns momentos do Radiohead e outras bandas indies nessa linha dos anos 1990.

Mas "Estou bem mesmo sem você" é sem dúvida a música de trabalho. Radiofônica ela traz um arranjo de guitarra bem característico e versos tão simples quanto deve ser uma reflexão pop. Além das três faixas de mp3, o arquivo do single traz um release, fotos, encarte, capa e papel de parede, formando um material visual bem interessante.

Primeiro single do disco Voyage (Doutromundo Discos), o lançamento é uma parceria entre os selos virtuais Senhor F e Doutromundo Digital. A Aeroplano foi formada em 2006 pelos músicos Eric Alvarenga (voz e guitarra), Diego Fadul (guitarra), Bruno Almeida (baixo e backing vocal) e Felipe Dantas (bateria e backing vocal). Na discografia estão um EP (Aeroplano. 2006) e um CD demo (Solidão, pra você. 2007), ambos lançados pela Ná Records.

A produção musical é de Gustavo Vazquez (Macaco Bong, Black Drawing Chalks, MQN, Violins, entre outros) e o lançamento é o primeiro físico do selo Doutromundo Discos, que lançou anteriormente em plataforma digital as bandas Johny Rockstar, Plug Ventura e Superjack, e em 2011 lançará o novo do Madame Saatan.

Baixe agora:
www.senhorf.com.br
www.doutromundo.com.br
www.musicaparaense.org

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Stigma faz Zoe Feliz


Zoe tem poucos anos de idade e é filha e Iza e de Ivan. Ela precisa ser submetida a uma cirurgia complexa e cara para reconstruir um osso da perna e poder ter uma vida saudável e confortável. Os pais de Zoe foram, respectivamente, vocalista e guitarrista de uma das bandas paraenses mais legais da década de 1990, daquelas influenciadas por aquele som que misto de punk e hard rock. Há anos sem tocar, o Stigma vai se reunir novamente no próximo domingo para o que seus integrantes estão anunciando como a última apresentação da banda. É por um bom motivo, o show faz parte da campanha "Zoe Feliz" e vai arrecadar dinheiro para a cirurgia dela. O show vai ser no Studio Pub e vai reunir ainda as bandas Turbo, Kisen, Johny Rockstar, Dharma Burns e Tio Nelson. Participe e ajude a fazer a Zoe feliz.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Avant Premier Bodas de Ouro


É hoje a primeira exibição do especial "Trilogia Punk" com as bandas Deliquentes, Norman Bates e Rennegados. Vai ser numa fetinha VIP no Café com Arte.Saiba mais sobre a festa no Blog da Pro Rock.

Eveja aqui o teaser preparado pelo pessoal do Programa Invasão, tendo a frente Robson Fonseca:

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Se Rasgum: Terceiro dia na pressão sonora

Perfomance de Pio Lobato e Juliana Sinimbu

Domingo é dia de rock no Se Rasgum. E de ska, ragga, dub e hardcore. O terceiro dia do festival teve performances memoráveis das melhores bandas de rock paraense e grandes atrações de fora. A noite começou com o projeto instrumental Secreto Macacos que impressionou o grande público que já presente ao festival. Depois teve a banda Paris Rock (PA) escolhida nas seletivas realizadas nos meses anteriores ao festival.

O rapper Bruno B.O foi o primeiro artista a começar a elevar a temperatura do ambiente. Ele se juntou a músicos que fizeram parte da sua carreira, inclusive a banda Carmina Burana, que viveu seu auge nos anos 1990, para fazer um show pesado e agressivo que misturou rock e rap.

No palco principal, logo em seguida, os também paraenses dos Delinqüentes fizeram uma das melhores performances da noite, com direito a pulos do vocalista Jayme Neto sobre a platéia e invasão de palco. Os mineiros do Graveola e o Lixo Polifônico baixaram a temperatura mas mostraram um som atraente aos ouvidos do público paraense – Pelo menos foi o que o Beto Fares contou.

O MC paulista Emicida, que desponta entre as celebridades emergentes do hip hop nacional, fez uma grande performance acompanhado apenas do DJ. E o guitarrista paraense Pio Lobato proporcionou momentos de deleite com as participações das musas Iva Rothe, Juliana Sinimbu e Sammliz, vocalista da Madame Saatan.

Na sequencia, pela primeira vez juntos no palco, o guitarrista da Legião Urbana, Dado Villa-Lobos, encontrou os acreanos dos Los Porongas e relembrou sucessos de Renato Russo como “Mais do Mesmo” e “Tempo Perdido”.

Sem atrasos, o Madame Saatan subiu ao palco interno do Afrikan Bar e fez uma performance explosiva e intensa na participação de seu público e fã clube. A excessiva pressão sonora provocada pelo volume das guitarras do Madame foram substituídas pelo swing novaiorquino do grupo The Slackers, que misturou ska até com música brasileira, em bom português.

The Slackers colocou o público paraense para dançar suave sem muita pressão de volume, como num grande baile. A noite terminou e o festival deixou saudade com a participação do grupo de dub e ragga Dubalizer, de São Paulo, que arrebatou quem ainda estava em pé e com disposição para dançar ao final do festival.



Texto: Elielton Alves Amador*
Originalmente escrito para a Agencia Pará (www.agenciapara.com.br)

Se Rasgum: Ritmos e artistas paraenses em destaque

Nelsinho Rodrigues agita a galera no Se Rasgum 2010. Foto: Eunice Pinto

Por Elielton Alves Amador*


Nem a chuva desanimou o público do segundo dia do festival de música Se Rasgum, no Afrikan Bar. A chuva no início da noite atrasou um pouco a programação, mesmo assim, quando o sol nasceu na manhã de domingo, pelo menos mil pessoas ainda acompanhavam o cantor pernambucano Otto no show mais esperado da noite.

Otto fez duas horas de show e reverências à música paraense, encerrando sua participação no festival depois das 7 da manhã de domingo. Disse que estava emocionado e pediu as bençãos de Mestre Laurentino e Dona Onete, entre outros padrinhos da cultura paraense.

"É meu carimbó, não poderia deixar de tocar em Belém. Estou um pouco nervoso", disse ele antes de tocar "Nebulosas ", uma de suas faixas que emulam o ritmo paraense. Canções do último disco "Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos", que além de ter música em novela global foi bastante elogiado pela crítica, animaram o público paraense.

Além do show de Otto, mereceu destaque na segunda noite do festival, a banda brasiliense Soatá, o segundo mais empolgante show do dia. O Soatá também traz em sua essência sonora o espírito da música paraense, porém, misturado ao rock e ao soul funk.

Jonas Santos, compositor e guitarrista da banda Soatá em registro de Eunice Pinto


Formada em Brasília há três anos pelo paraense Jonas Santos, o Soatá reúne parte do repertório da banda Epadu, formada em Belém por ele mesmo em meados da década de 1990. Com a força negra da voz de Ellen Oléria, o som ganhou swing e paixão que encantam.

Faixas como "No Baque", cujo clipe ganhou o prêmio recente do Conexão Vivo de animações, e "Lunática Maria" empolgaram muito os paraenses que a aplaudiram e celebraram a apresentação da banda. O show encerrou com uma animada mistura de punk rock com quadrilha junina, “Anarquiá”.

Fosse no show dos brasilienses do Soatá ou no repertório do pernambucano Otto, a música paraense reverberou com destaque no festival. Mas foi na apresentação de Nelsinho Rodrigues que a mais popular das expressões paraenses contemporâneas, o estilo brega musical, colocou o público paraense em transe de festa. Jovens invadiram o palco para cantar e dançar junto com o compositor do sucesso "Gererê".

Neste segundo dia, pelo menos mais 13 atrações passaram pelos três ambientes do Afrikan Bar, incluindo o Laboratório Música Paraense.Org, que contou com excelentes shows de Clepsidra e do DJ Pro Efx, com a participação do MC paulista Don Lampa, artista da emergente cena rap ragga brasileira.

No primeiro dia, na abertura do festival, os destaques ficaram por conta do apaixonado show da cantora Dona Onete, acompanhada dos integrantes do Coletivo Rádio Cipó, e de Felipe Cordeiro e os Astros do Século. A noite de sexta foi fechada pelo paulista André Abujamra num show que misturou precisão técnica e ousadia de linguagem visual.


*Texto originalmente escrito para a Agencia Pará (www.agenciapara.com.br)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Lais Eiras: Belém e anos 80

Lais Eiras tem um caso de amor com Belém e o bicho preguiça. Foto do poster

Luisa é uma garota ligada em música e tecnologia. Um dia ela descobre na rede o site do Gênio da Lâmpada. Sim, ele mesmo! Aquele que realiza três desejos. Meio sem querer, Luisa foi parar numa incrível aventura pelos anos 80 conhecendo os ídolos dequela época. Essa idéia genial virou livro nas mãos da pequena e pobrinha menina Laís Eiras, uma amiga de longa data que conheci no Goiânia Noise de 2003. A mineirinha Laís nutre uma paixão tão grande por Belém que aproveitou a parceria com o pessoal da Só 80 e da banda Acorda Alice para vir a Belém lançar seu livro. O lançamento acontece amanhã a partir das 21h no bar Acorda Alice. Laís já chegou a Belém, mas eu só consegui fazer a entrevista por MSN. Confira os melhores momento e abaixo o serviço da festa.


Nicolau: Com que idade você está hoje? (Prometo que não publico essa primeira pergunta)

Laís: Rsrs... Não tem problema não.

Então ta. Quantos anos mesmo?

31

Você atuou como publicitária, mas já fez um monte de coisas em áreas conexas. Podes falar um pouco do teu currículo?

Ah, é meio louco na verdade. Me formei em design, depois fiz engenharia de software, trabalhei com usabilidade e depois voltei à comunicação.

"usabilidade"?

Sim, de softwares e sistemas

Mas eu te conheci num festival de rock em 2003 em Goiânia. E sei que você colaborou com várias publicações e sites.

Sim

O que surgiu primeira a paixão pelo rock ou pela literatura?

Pelo rock, meus pais são muito roqueiros, heheh. Daí acho que peguei um pouco disso em casa mesmo.

E a ideia de escrever livros?

Bom, é um desejo antigo mas demorei muito a "amadurecer" a ideia, pensar num tema que fosse interessante pra mim. Formatar mesmo a ideia do livro. O 80 Maníaca só foi feito porque aconteceram algumas coisas muito engraçadas na vida real e eu pensei "é, acho que essa história vai dar livro" hehehe

Na vida real?

Sim. Uma série de coincidências que me fizeram chegar perto dos meus ídolos dos anos 80.

Luisa, a protagonista do livro, é se alter ego? Ela se parece muito com você?

Ela é totalmente meu alter ego. Mas é muito mais atrapalhada, apesar de que eu possuo muito essa "característica", rsrsrs

Os depoimentos que abrem os capitulos do livro foram colhidos por você? Como foi esse processo?

Foram todos colhidos por mim. A maioria pela internet mesmo e na cara dura. A maioria das pessoas não me conhecia, fui bater na porta de cada um. Valeu a pena. Quando abro meu livro e vejo Evandro Mesquita na primeira página, sinto isso.

O onde está disponível?

Não tem edição on line. Está no clube dos autores, é vendido apenas lá, mas é impresso
http://www.clubedosautores.com.br .

Como tem sido a repercussão do livro? Que frutos você já colheu dele?

A repercussão tem sido ótima. Especialmente entre os apaixonados por anos 80 e entre adolescentes, o que foi surpresa pra mim. Frutos, de verdade, só o reconhecimento e novas amizades.

Você tem uma história de paixão por Belém, né? Como começou isso?

Começou no Se Rasgum de 2007. Bom, primeiro eu conheci você. Depois o Marcelo Damaso e o Gustavo, e eles sempre me convidavam pra vir. Um dia resolvi aceitar o convite. Eu só podia vir um dia, mas resolvi vir assim mesmo. E me encantei com as pessoas. Com a simpatia e hospitalidade dos paraenses, com o clima da cidade. E resolvi voltar uma vez por ano desde então. Belém é a primeira cidade que "abriga" o lançamento de 80 Maníaca, tirando BH. Não poderia ser melhor, porque realmente tenho um caso de amor com Belém.

Como foi o lance de vir a Belém o contanto com o pessoal da PAC e Só 80?

Bom, eu comecei a conversar com o DJ Ivan, mostrei meu livro pra ele e logo surgiu a ideia de fazermos um "barulho" do livro por aqui. Nada mais legal que aliar as duas paixões: Belém e anos 80.


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SERVIÇO:

Festa 80's Maníaca
Local: Bar Acorda Alice
Lançamento do livro de Lais Eiras
Com show da Banda Acorda Alice
DJS Ivan Davis, carlos Jr., Thiago Moura, Aldo Alves e Pennaj
Endereço: Romualdo de Seixas, 374, entre Senador Lemos e Municipalidade
Entrada free até as 21h
Depois 10h
Universitários pagam meia a noite toda

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Fábio Gomes: Norte ao Jornalismo Cultural


O jornalista gaúcho Fábio Gomes trocou Porto Alegre por Belém, para documentar a emergente cena paraense

Hoje a partir das 18h30 o jornalista Fabio Gomes realiza palestra sobre Jornalismo Cultural no Auditório da FAP (Rua Municipalidade, 839, Umarizal - Belém), a partir das 18h30, com entrada franca e aberto ao público em geral.

Na palestra, serão abordados temas como a história do Jornalismo Cultural no Brasil, as semelhanças e diferenças do modo como os fatos culturais são noticiados pela imprensa diária e por veículos especializados, além do conceito de Jornalismo Cultural 2.0, que está na base do trabalho de Fabio Gomes à frente do blog Som do Norte.

"Hoje, com o avanço da internet, a antiga separação entre artista, público e jornalista cultural se diluiu. O jornalista não é mais o único a opinar; diariamente, músicos e fãs criam novos blogs, e fazem comentários sobre shows e CDs nas redes sociais. Ao mesmo tempo em que novos veículos surgem já levando tudo isto em conta, há ainda boa parcela da imprensa que se comporta como se nada tivesse mudado", conta Fábio que trocou Porto Alegre por Belém há alguns meses, encantado com a efervescente cena musical do Norte.

Workshop

Seguem abertas as inscrições para o Workshop Jornalismo Cultural 2.0, que Fabio Gomes realiza amanhã, dia 5, no Espaço Aberto Ná Figueredo (Av. Gentil Bittencourt, 449, entre Benjamin Constant e Dr. Moraes, também em Belém). O evento é destinado a jornalistas, estudantes de Jornalismo, produtores culturais e artistas (das áreas de música, cinema, teatro, literatura, artes visuais, artes gráficas etc.), bem como outras pessoas que mantenham sites ou blogs direcionados à área cultural. O formulário de inscrição está disponível em www.jornalismocultural.com.br

O tema dos dois eventos é o mesmo, com abordagens diferentes em cada um, como explica Fabio: "A palestra é aberta ao público em geral, que queira saber mais sobre o Jornalismo Cultural e como a internet vem influenciado sua evolução; a plateia pode interagir através de perguntas. Já o Workshop permite aprofundar mais os temas; o público pode interagir tanto perguntando quanto compartilhando sua experiência com jornalismo cultural com todos os presentes."

O Workshop Jornalismo Cultural 2.0 já teve duas edições em Belém (no Conexão Vivo, em junho, e no próprio Espaço Ná Figueredo, em julho) e uma em Macapá (em julho, logo após o Festival Quebramar). No mesmo período, Fabio participou de dois debates sobre o tema: em Belém, também no Conexão Vivo, discutiu O Papel da Imprensa na Música Contemporânea com Lauro Lisboa Garcia (O Estado de São Paulo) e Beto Fares (Rádio Cultura-PA); e em Macapá, durante o Festival Quebramar, debateu Jornalismo Cultural e a cena independente brasileira, ao lado de Jenifer Nunes (Coletivo Palafita), Karen Pimenta (jornalista), Alex Antunes (jornalista e produtor) e Carlos Eduardo Miranda (produtor). O programa do Workshop está disponível em http://www.jornalismocultural.com.br/workshop.html


SERVIÇO

Palestra Jornalismo Cultural
Com o jornalista Fabio Gomes, editor do blog Som do Norte e dos sites Jornalismo Cultural e Brasileirinho
Local: Auditório da FAP (Rua Municipalidade, 839, Umarizal - Belém)
Data: 4 de novembro, quinta
Horário: 18h30
Acesso gratuito
Não há necessidade de inscrição

Workshop Jornalismo Cultural 2.0
Com o jornalista Fabio Gomes, editor do blog Som do Norte e dos sites Jornalismo Cultural e Brasileirinho
Local: Espaço Aberto Ná Figueredo (Av. Gentil Bittencourt, 449, entre Benjamin Constant e Dr. Moraes - Belém)
Data: 5 de novembro, sexta
Horário: das 15h às 18h30
Valor: R$ 80,00 (antecipado) e R$ 100,00 (no dia)
Inscrições: www.jornalismocultural.com.br

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Festival retoma tradição roqueira na UFPA


Além do Forró Universitário, alunos resgatam festival de rock que surgiu nos anos 80 como atividade de extensão

Alunos da Universidade Federal do Pará (UFPA) retomaram a grande idéia de fazer um Festival de Rock dentro do campus universitário. O Rock In Rio Guamá 2010 traz consigo a marca criada ainda nos anos 80 por outros alunos. Com o tema “Arte livre, entrada franca” o novo grupo de alunos chamou coletivos e associações para, em regime de cooperação, reunir 12 bandas em dois dias à beira do Rio Guamá.
O festival vai acontecer nos dias 4 e 5 de novembro, a partir das 17 horas, em um palco montado próximo à capela universitária e vai reunir bandas como Mitra, Projeto Secreto Macacos, Suzana Flag, La Orquestra Invisível e Juca Culatra e Power Trio, entre outras. Veja a programação completa abaixo.
O Rock In Rio Guamá 2010 tem apoio da UFPA através da Pró-Reitoria de Extensão e Diretoria de Apoio à Cultura. “A idéia é trazer gente de fora da universidade e proporcionar uma ação de lazer e interação entre os alunos da universidade que não seja apenas o Forró do Vadião. Nosso foco é na atividade de extensão”, diz Zé Lukas, aluno do curso de Ciências Sociais.
Enquanto os shows rolam no estacionamento, a Capela Universitária ficará configurada para a apresentação dos coletivos e associações mostrarem seus trabalhos de ação social e produção artística. “Nós queremos que as associações formem um fórum de debates sobre a cena musical independente, demonstrando através de palestras e oficinas, como a produção artística belenense pode ser voltada para o caráter de extensão e valorização cultural”, contam os organizadores.
Os coletivos e associações que apóiam a iniciativa são: Associação Paraense de Rock (ARP), Movimento Curupira Antenado, Associação Comunitária Paraense de Rock (Pró-Rock), Coletivo Sala Livre, Coletivo Pogobol, Circuito Polifônico, Coletivo Megafônica e Associação Cultural Coisas de Negro. Também apoiam a iniciativa Funtelpa, Ná Figueredo, Sol Informática e os centros acadêmicos Capsi, CAL, Cabid, Calf, Camus, Cacs , Cahis, Caco.


ATRAÇÕES CONFIRMADAS
1º DIA: QUINTA FEIRA (04/11)
Manga Buceta Blues Band
Paris Rock
Lauvait Penoso
Suzana Flag
Juca Culatra e Power Trio

2º DIA: SEXTA FEIRA (05/11)
Projeto Secreto Macacos
La Orquestra Invisível Hellride
Navalha
All Still Burns
Warpath
Mitra


SERVIÇO:
ROCK IN RIO GUAMÁ 2010 – ARTE LIVRE, ENTRADA FRANCA
LOCAL: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ - (Av. Augusto Corrêa, n.1. Cidade Universitária Prof. José da Silveira Neto), – CAMPUS BÁSICO. DATA: 04 e 05 de novembro de 2010 HORÁRIO: 15h às 23h (bandas começam às 17h)

Site: http://rockinrioguama.blogspot.com/

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Cultura e eleições

Panfleto com os 13 pontos tirados em plenária de cultura do PT quatro anos atrás

Por Nicolau Amador

Quatro anos atrás, quando Almir Gabriel em campanha pelo governo do estado reuniu com artistas no antigo bar Mansuá do Carmo, o então candidato perguntou à classe quanto o segmento representava para o PIB do estado. Qual era sua importância na geração de emprego e renda? Queria números.

Almir não se comprometeu em promover uma política cultural que fosse diferente da que vinha sendo praticada. Ao contrário, repassou a responsabilidade sobre investimentos no setor para a “classe”. Esses recursos, até então, haviam sido dirigidos por uma política elitista que favorecia a poucos iluminados.

Na minha opinião, de forma indireta, Almir fazia um bem cobrando organização, conhecimento e politização da classe que sempre cultivou, até por formação genética, certo individualismo e egocentrismo. Não era algo que eles esperassem, mas era e é ainda necessário saber.

(Poucas semanas atrás, em assembléia com artistas no início do segundo turno, Jatene não cobrou nem prometeu nada, limitou-se a dizer que estava disposto a “errar ou acertar, mas errar ou acertar juntos”. Nada perto de um governo que avançou tanto no setor cultural quanto o de Ana Júlia.)

Ninguém naquela assembléia tinha aquela reposta para dar ao Dr. Almir. Em 2006, os estudos sobre economia da cultura engatinhavam no país e, como tudo por demais evoluído, passavam ao largo da política dominante no Pará.

O Ministério da Cultura, porém, já começara a implantar políticas públicas pautadas também na importância econômica do setor, mas principalmente em sua importância social de inclusão e de democratização de acesso, tanto a recursos para a produção quanto para fruição, pelo menos quatro anos antes.

Saber exatamente qual retorno econômico o investimento em cultura vai dar é difícil e trata-se de uma preocupação por demais neoliberal. Ainda que o retorno econômico dos investimentos em cultura seja claro, esse investimento se faz muito mais necessário nesse momento histórico por sua importância patrimonial, de identidade e de inclusão social. (O debate sobre economia, gestão e responsabilidade será abordado em outro momento aqui.)

No entanto, os governos do PSDB no Pará tendem a planejar a cultura como instrumento de manipulação de opinião pública e com pouca preocupação social ou mesmo econômica, uma vez que os mesmos não são capazes de fazer o cálculo com as variáveis necessárias à economia da cultura (mais sobre economia da cultura em breve).

Hoje a Secult dá a cara a tapa tentando enquadrar as políticas estaduais ao modelo de referência internacional criado pela gestão de Gilberto Gil a frente do Ministério da Cultura.

Quatro anos atrás, quando a plenária de cultura da então candidata Ana Júlia Carepa reuniu artistas na antiga casa de recepções Arte Doce Hall, eu também estava lá. Antes dos artistas definirem os 13 pontos de referência para a política cultural do governo petista, houve um concerto de lamentos de músicos renomados que estavam sem perspectivas musicais pela exclusão daquele governo tucano.

Nunca vou me esquecer do Maestro Jonas Arraes encorajando os colegas, dizendo que tivessem coragem, pois com mais de 30 anos de carreira nunca lhe faltou comida na mesa graças a seu contrabaixo.

Ao contrário da assembléia tucana, que não definiu pauta nem diretrizes, os 13 pontos encaminhados pela assembléia foram impressos e distribuídos durante a campanha de Ana Júlia. Não eram 13 pontos tão bem articulados, pois, como já disse, nossa articulação política cultural também engatinhava. Mas era algo concreto a que se pudesse cobrar.

Ao final dos quatro anos, constato que alguns pontos foram concretizados com louvor, outros foram atendidos parcialmente no processo de inclusão das novas políticas públicas e na pouca participação da “classe” que continua a “egocentrizar”, pra usar um neologismo, e pouco participa de formulações. Outros pontos precisam sair do papel. Mas não há dúvidas de que, para quem esteve oito anos em desvantagem em relação ao governo Lula e mais de 20 anos em relação ao resto do Brasil, avançou muito.

Este ano, como de praxe, estive nas duas plenárias de cultura (PT e PSDB). Na do candidato Simão Jatene vi metade de uma claque armada para aparecer no programa eleitoral da TV e outra metade perplexa quando se viu usada. Quando o cantor Edilson Moreno pegou o microfone e disse que na verdade estavam todos ali para referendar a candidatura me retirei do recinto, ofendido. Fui lá ouvir ou fazer propostas. Não fui endossar nada. Pelo relato de outros colegas soube das queixas da outra metade que não via com bons olhos a volta de um certo secretário ao posto.

Mesmo assim as imagens foram usadas na TV como se os artistas paraenses apoiassem incondicionalmente a candidatura de Jatene. Outros dois colegas entraram na Justiça pelo uso indevido de sua imagem.

Na assembléia de cultura de Ana Júlia não houve promessas a não ser a proposta de continuar avançado naquilo que estava traçado. Com mais de mil pessoas presentes não houve lamentos nem queixas. Apenas o medo do Mestre Alarino do Boi Caprichoso da Cabanagem com medo de perder o apoio que nunca tivera antes.

Isso tem sido mais que suficiente para eu continuar votando 13 aqui e lá. Saiba mais sobre a assembléia de cultura da Ana Júlia aqui, e , e aqui também. E mais aqui.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Festival Se Rasgum divulga programação

Delinquentes: o show mais quente e agressivo do rock paraense marca presença no V Se Rasgum. Foto de Ana Flor

Por Enderson Oliveira*

Nesta segunda, dia 18, foi divulgada a programação da quinta edição do Festival Se Rasgum, que ocorrerá nos dias 12, 13 e 14 de novembro. Este ano a abertura será no Hangar Centro de Convenções, dia 12, enquanto os outros dias, como no ano passado, serão no Afrikan Bar.

Maior da região Norte e um dos maiores do país, o Se Rasgum este ano parece confirmar de vez duas tendências nos atuais festivais de música independente: a variedade de estilos musicais e a extensão do festival além dos dias de apresentações musicais. Para se consolidar em um cenário musical cada vez mais amplo e complexo, torna-se cada vez mais imperioso conseguir alternativas não somente relativas à música em si. Atentos a isso, os organizadores do evento, tendo a frente Marcelo Damaso, mantêm a inclusão de ações de coleta seletiva de lixo, feira de moda e espaço para grafitagem e stencil nos dias de evento.

Merece destaque também a II Semana de Profissionalização da Música Paraense, evento paralelo ao festival e que aponta para novos rumos que devem ser buscados pela/ na música paraense. Temos ritmos dos mais variados estilos, um grande festival, sites com rico conteúdo musical, um público consumidor forte e ávido por novas produções. Só falta uma coisa: maior profissionalismo em algumas ações. E é justamente isto que esta semana de profissionalização objetiva, juntando-se a iniciativas como do ponto de cultura Bafafá Pro Rock e projeto Pará Pro Música, do SEBRAE-PA, na busca pela qualificação dos profissionais da área.

E é sempre bom lembrar que o Se Rasgum tem o patrocínio do Conexão Vivo, projeto que também tem contribuído com a profissionalização e destaque de vários artistas paraenses na cena nacional.


Atrações


Do rock ao ska, do reggae ao dub, passando pelo brega, cúmbia, rap e guitarrada, o Se Rasgum deste ano possui como atrações nacionais o cantor pernambucano Otto, o paulista André Abujamra, Soatá (DF) e as apresentações conjuntas de Odair José (aquele mesmo do “Eu vou tirar você desse lugar...”) e os mineiros do Dead Lover’s Twisted Heart e os acreanos do Los Porongas e Dado Villa Lobos (ex-Legião Urbana).

Do Pará, algumas voltas podem ser comemoradas, como da Mandame Saatan, Deliquentes e Pio Lobato. Outras bandas, que já possuem certa notoriedade nestas bandas dos trópicos serão iniciadas no Se Rasgum: é o caso do Projeto Secreto Macacos, Paris Rock e Mostarda na Lagarta. Como ousadia, a aposta do festival, seguindo a tradição de anos anteriores, este ano é em Nelsinho Rodrigues, o homem do “Gererê” e do “Me libera”.

Para fechar o Se Rasgum 2010, uma atração internacional, a última banda a se apresentar no festival: The Slackers, numa mistura do mais autêntico ska jamaicano, rock e pop. Confira abaixo a programação (em ordem decrescente) dos 3 dias de festival:

Sexta – 12.11

André Abujamra (SP)
Felipe Cordeiro (PA)
Dona Onete (PA)
The Hell’s Kitchen Project (MG)
+ DJ convidados


Sábado – 13.11

Otto (PE)
Félix e Los Carozos (PA)
Cidadão Instigado (CE/SP)
Nelsinho Rodrigues (PA)
Odair José (SP) + Dead Lover’s Twisted Heart (MG)
Graforréia Xilarmônica (RS)
Cabruêra (PB)
Lê Almeida (RJ)
Soatá (DF)
Dharma Burns (PA)
Mostarda na Lagarta (PA)

Domingo – 14.11


The Slackers (EUA)
Madame Saatan (PA)
Los Porongas (AC) + Dado Villa-Lobos (RJ)
Pio Lobato (PA)
Emicida (SP)
Graveola e o Lixo Polifônico (MG)
Delinquentes (PA)
Bruno B.O (PA)
Dubalizer (SP)
Projeto Secreto Macacos (PA)
Paris Rock (PA)

Ingressos
A venda de ingressos começa ainda esta semana, nos seguintes valores:
Passaporte (meia entrada) - 1º Lote - R$ 40,00
Passaporte (meia entrada) - 2º Lote - R$ 50,00
Passaporte (meia entrada) - 3º Lote - R$ 60,00
Ingresso antecipado - R$ 25,00
Ingresso na hora - R$ 30,00



*Enderson Oliveira é estudante de jornalismo do último semestre da Universidade da Amazônia.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A hora da verdade

II Festival Cultura de Música define selecionados hoje no Gasometro, confira no release abaixo

A ansiedade está chegando ao fim! Neste sábado, dia 16 de outubro, o público conhecerá as canções vencedoras do II Festival Cultura de Música, etapa regional que vai eleger duas composições para participar do II Festival de Música das Rádios Públicas, que reúne as músicas vencedoras de todas as capitais que possuem emissoras públicas. O evento começa às 18h, no Teatro Estação Gasômetro, em Belém, serão apresentadas as 20 músicas selecionadas entre as 74 inscritas. Os ingressos estão sendo sorteados pela Rádio Cultura FM nos programas Matéria Prima e Fonograma, e para participar e conseguir o seu basta ligar para o telefone (91) 4005 7732. No dia do evento serão distribuídos na bilheteria do Teatro.

Uma comissão julgadora elegerá as músicas nas seguintes categorias: “Melhor Música”, “Melhor Música Instrumental”, “Melhor Intérprete Vocal”, “Melhor Intérprete Instrumental”, “Melhor Arranjo” e “Artista Revelação”. As melhores músicas nas categorias de “Melhor Música Com Letra” e “Melhor Música Instrumental” participarão da fase nacional.
Das 20 músicas que serão apresentadas, as 10 mais votadas irão compor o CD do II Festival Cultura de Música. Uma banda base formadas por Edvaldo Cavalcante (bateria), Tiago D'Albuquerque (percussão), Baboo (baixo), Ziza Padilha (guitarra) e Lenílson Almeida (teclados e direção musical), acompanhará os concorrentes do festival. O evento será transmitido, ao vivo, pela Rádio Cultura FM, Portal Cultura (no ícone "rádio ao vivo") e pelo portal da Associação das Rádio Públicas do Brasil (Arpub), por Rosana Rodrigues com cometários de Osvaldo Belarmino Jr e Beto Fares.

Serviço:
II Festival Cultura de Múisica, dia 16 de outubro (sábado), às 18h. Teatro Estação Gasômetro (Parque da Residência) – Av. Gov. Magalhães Barata, 830, bairro São Bras.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Aparecida da Amazônia

Fotos de Walda Marques e texto da reporter Gil Sóter

Por Gil Sóter

Iva Rothe tem nome de estrangeira, tem a pele branca de uma gringa, já estudou música nos Estados Unidos. Mas quando canta, toca e compõe, o que se ouve são batuques e sons da floresta, falando de mitos da floresta, da beleza da floresta. Para Iva, a mata é uma mulher, um universo feminino e faceiro: água, fauna, lenda. Extravagante, exuberante, a Amazônia é uma mulher vaidosa, sedutora. “Feita de várias vozes, de várias morenas, de flores, de fertilidade. Da matinta, da sereia, de encanto”, diz a cantora.

Dessa beleza exótica nasceu o mais recente trabalho de Iva, batizado de maneira certeira: “Aparecida”, alguém que gosta de se mostrar ou aparecer em público, termo típico do linguajar regional. Apesar de ser o terceiro disco da carreira, a vontade de falar das mulheres caboclas vem matutando nos pensamentos de Iva desde o começo de sua trajetória, tanto que o primeiro show solo da artista se chamava “Aparecida”, realizado no teatro Margarida Schivasappa. “Falar de todo esse mistério que cerca o feminino da Amazônia sempre me pareceu muito inspirador”, diz. Isso foi pelos idos de 2000, sendo assim, o disco nasceu já com dez anos de concepção. Uma década de amadurecimento musical e de composição. Tempo para que Iva conhecesse Pio Lobato, parceiro fundamental no disco, ao lado de Beto Fares, que acompanha Iva desde as primeiras gravações e foi responsável pela produção de todos os discos da cantora.

A partir de pesquisa sonora e de entrevistas realizadas com mulheres em comunidades e municípios do estado do Pará, Iva construiu a ambientação do CD, que integra as falas às canções, fazendo das palavras de tantas mulheres parte do ritmo das 13 faixas que compõe o trabalho. O disco foi lançado em março deste ano, em Belém, e depois percorreu o Brasil, passando por cidades como Castanhal (PA), São Leopoldo (RS), Belo Horizonte (MG) e Florianópolis (SC). O álbum foi um dos três projetos paraenses aprovados pelo Conexão Vivo 2010. E agora, o encanto de “Aparecida” volta a Belém, e terá sua segunda temporada no mesmo teatro onde tudo começou. Iva Rothe se apresenta no dia 12 de outubro, às 21h, no teatro Margarida Schivasappa, do Centur.

No show, Iva vai mostrar seus dotes de multinstrumentista: tocará teclado, sampler e o belo piano de cauda do teatro. Na banda, o power trio formado por Pio Lobato (guitarra), Vovô Almeida (bateria) e Maurício Panzera (contrabaixo). O show traz ainda um agrado: Vídea, canção do disco “Aparecida”, será executada pela primeira vez no palco.

Nas canções, vários elementos de percussão que atraem ares de mistério e de natureza, mas também elementos pop, a batida do tecnobrega e do carimbó, dando vida a um repertório que se divide entre faixas de calmaria e de calor, de dança, em contraponto ao disco anterior de Iva, que trazia mantras, como resultado da experiência da artista com a cultura Hare Krishna.


Sobre o Diário de Anapu

Além de passear por cidades fora do Pará, “Aparecida” também deu o ar da graça em uma realidade difícil, que marca os contrastes da terra continental que é o estado do Pará. O projeto do disco foi desdobrado em uma oficina cultural desenvolvida, em julho deste ano, na cidade de Anapu, sudoeste paraense, e palco de uma das mais emblemáticas tragédias dos últimos anos: o assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang, em 2005.

Amiga da religiosa, Iva conta emocionada o episódio que a fez escolher Anapu como um dos destinos de seu projeto. “Uma semana antes do assassinato de Irmã Dorothy, ela veio almoçar conosco em casa, e me disse: ‘Iva por que você não leva sua música para nosso povo?’. E eu não poderia prever que essa seria a última vez que iria vê-la”, diz.

Irmã Dorothy atuava na Amazônia desde a década de 1970. Membro da Comissão Pastoral da terra, era uma das figuras mais ativas na defesa dos trabalhadores rurais da Região do Xingu, marcada por um histórico desastroso de conflitos agrários. Ganhou reconhecimento nacional e internacional por seus projetos de desenvolvimento sustentável e defesa dos direitos humanos numa das regiões de menor Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil, e ajudou a fundar a Escola Brasil Grande, a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica, em Anapu.

Segundo Iva, a realidade por lá continua severamente igual. “As pessoas continuam sendo ameaçadas de morte diariamente. Enfrentamos cinco dias de viagam para chegar à cidade, que continua extremamente carente”, relata. Apesar de todo a realidade ocre, Iva diz que foi muito bem recebida pelas pessoas da comunidade. “Naqueles dias houve muita música e alegria. Alguns deles se revelaram ótimos compositores, e não falta vontade de voltar e aproveitar esses talentos.”

Como registro dessa expedição ao sudoeste do Pará, o grupo de Iva produziu fotos e vídeos que integrarão a programação do show “Aparecida”. A exposição “Diário de Anapu” vai anteceder o show, às 20h, com o vídeo produzido pelo CEPEPO (Centro de Comunicação e Educação Popular) e as fotografias que Natasha Bittar, da Fotoativa, e Carlos Henrique Gonçalves, da SECULT (Secretaria de Cultura do Estado).

A receita da venda dos CDs será destinada às obras sociais da Associação Mururé - AMU, que tem como objetivo fazer acompanhamento sócio-educativo a crianças, adolescentes, jovens e mulheres da Vila da Barca e Pedreira, em Belém, e do bairro Icuí-Guajará em Ananindeua, através de programas de capacitação e integração. As atividades defendem o acesso à educação, à cultura e ao bem-estar, além da democratização destes direitos.

Serviço:
Show “Aparecida”, de Iva Rothe, 12 de outubro, às 21h, no teatro Margarida Schivasappa. Ingressos a R$ 10 com meia entrada para estudantes, já à venda nas lojas Ná Figueredo e na bilheteria do teatro.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Música para tocar

Mais um registro de Ana Flor

No dia primeiro de outubro, o jornalista Ismael Machado, colunista do caderno Por Aí, do Diário do Pará, e autor do livro “Decibéis sob mangueiras”, sobre o rock paraense, publicou um texto a respeito de Souvenir, da banda Suzana Flag, disco produzido por mim e por Joel Melo, premiado pelo edital da Secretaria de Estado de Cultura em 2008. O disco foi refeito depois da crise interna da banda em 2006. A Suzana Flag é, na minha opinião, reflexo de como ainda precisamos amadurecer para consolidar um mercado e uma política pública séria no setor cultural paraense. Uma necessidade premente é a classe artística se organizar e discutir a necessidade de uma política de Estado e não políticas de governo. Avançamos nesse sentido nos últimos quatro anos, principalmente porque o governo petista abriu finalmente o Estado para as políticas públicas federais, implementadas através do Ministério da Cultura por Gilberto Gil. O texto de Ismael merece o registro. Por isso, transcrevo-o na íntegra.


Souvenir

Por Ismael Machado
Caderno Por Aí - Dário do Pará - 1 de outubro de 2010
Coluna Parabólica

Suzana Flag foi uma das bandas que estiveram na linha de frente naqueles três anos intensos para a música pop paraense, entre 2004 e 2006. De um jeito caseiro, quase tosco de tão artesanal, produziu Fanzine, um belo disco de canções de amor agridoces e urbanas. Período em que a banda tinha uma afiada dupla de compositores, Joel Melo e Elder Fernandes.

Nessa fase vieram canções como Recreio, Ludo Boas Novas, Sem Você e a mais bela e pungente de todas, Contraposto, com uma guitarra que emulava Love Vigilantes, do New Order, uma letra docemente dolorida. Elder saiu da banda. Crises, amadurecimentos, mudanças. Pequenas revoluções internas. O cenário pop paraense mudou novamente. Refluxos.

Como que numa espécie de casulo, a banda começou a pensar num segundo disco. Demorou, mas Souvenir já está aí, filho solto no mundo.

E o que há nesse disco? Uma produção caprichada, um disco feito com esmero. E um conteúdo que parece pegar a banda numa fase de transição, como se, por conta de todas as dificuldades que fazer música pop em Belém as bandas não estivessem sempre em transição.

“E agora que os meus heróis estão acorrentados / cativo o meu algoz / num céu iluminado / de repente o mundo não é tão seguro / vou ficar no meu abrigo...”. Os retalhos de amores, ilusões, sonhos e desesperanças adolescentes se transformaram num híbrido ainda por se definir. É como cantaria a Legião Urbana: “o mundo anda tão complicado”, mas numa melodia completamente doce.

Entre 2005 e 2006 o mundo parecia do Suzana Flag. Um cenário aberto se apresentava. Mas as perdas foram se acumulando. Algumas certezas se diluíram. Mas resta a fé. Aquela que diz para não “não se prostituir e não envelhecer”, como eles mesmos cantam. As certezas podem então ser poucas, mas são verdadeiras. “Você tem medo de chegar aonde quer (...) eu tô no rumo mas vou indo bem / andar errado às vezes convém / caminho longo, atalho até que tem.”

Há um atalho? Há um caminho mais fácil? Pode ser, mas pode ser também que seja preciso dar uma pausa, olhar para os lados, “um repouso ou esforço para recomeçar”.

A produção caseira do primeiro disco ficou para trás. Mixado e masterizado no Rio de Janeiro, o som da banda ganhou qualidade técnica, levou um banho de estúdio. Perderam-se talvez, um pouco da ingenuidade e do frescor do Fanzine, com seu punhado de canções atemporais.

Mas há ligações com esse passado não tão distante. “3d” é uma das canções que resgatam a antiga sonoridade do Suzana Flag. É uma autêntica silly love song, como diria Paul Macartney. E na maioria das vezes essas “tolas” canções de amor são as que tocam mais fundo, buscando espaço entre nossos amuletos, nossos baús emocionais, nossas memórias semi-esquecidas. São como imagens em três dimensões que estão ali ao alcance das mãos. Basta acionarmos.

“Dual” é doce, com um belo quinteto de cordas, que poderia, no entanto, fazer a banda alçar um vôo mais ousado, deixar a música crescer. Ela acaba num repente que pede mais. “Um beijo só lhe tocou, tão forte assim / tão fácil assim // sinta-se só no amor”.

“Se aquilo que você sonhou aconteceu, agora é tarde”. A maturidade cobra preços. O tempo pode ser algoz, mas na música pop essa é uma das lições básicas: queimar intensamente? Pupar-se e ganhar longevidade? São questionamentos. “É pra se divertir, mas não enlouquecer”, eles cantam em Soft.

Mas é na última canção do disco que surge a mais Suzana Flag das canções de Souvenir. “Um dia de cada vez” traz aquela incessante busca pelo pop perfeito que sempre caracterizou a banda. Uma canção que ensina sobre as boas coisas da rotina, do dia-a-dia, se saber que há, sim, as noites de sexta-feira, com os exageros e doses a mais. Só que há sempre também um café da manhã no dia seguinte, sob o olhar atento dos pingüins de geladeira em ressacas cada vez menores, pois o trabalho está ali, na segunda, esperando.

“Mas a alegria é um dom, acredite em você, eu te vejo de manhã”, Susanne canta, como um souvenir para uma manhã de sábado.

sábado, 2 de outubro de 2010

Trilogia punk

Tres momento do show Bodas de Ouro, com Delinquentes, Rennegados e Norman bates


Tres registros da fotográfa Ana Flor. Acima Betox "voa" no palco do hardcore


Vocalista do Norman Bates em momento do show punk mais esperado do ano

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Música no Tubo de Ensaio

Diversidade de estilos e tendências é a marca da festa promovida por Ana Flor, Eddie Pereira e Fernando Boy

Os DJs Eddie Pereira e Fernando Boy, do coletivo Black Soul Samba, estão aprontando mais uma festa cheia de ritmo em Belém. Os dois convidaram a fotógrafa e DJ estreante Ana Flor para inaugurar o projeto Tubo de Ensaio que acontece, a partir desta sexta-feira, toda semana no Le Marchand.

A proposta do projeto Tubo de Ensaio é reunir em uma única festa vários estilos musicais. A ideia surgiu de uma necessidade de Eddie e Boy, que são DJs há mais de 10 anos, diversificarem suas experiências musicais tocando estilos que não caberiam no perfil de seu coletivo de origem.

"O projeto Tubo de Ensaio é mais amplo, tanto que sempre iremos convidar algum DJ de um coletivo diferente pra discotecar", diz Boy.Nesta sexta, o convidado é Alex Pinheiro, velho conhecido dos tempos da boate La Cage, onde rolavam nos anos 80 e 90 os maiores hits do rock e na new wave.

A Dj estreante Ana Flor foi a primeira convidada da festa e já passou de convidada pra DJ Residente. "O Set da Flor passa pelo samba, reggae, música pernambucana, tem siwng e charme. O público gostou demais. Então percebemos que casava bastante com a nossa idéia. Eu toco Funk, Black e tudo mais ligado a isso, o Set do Boy é de Rock e música eletrônica. Assim tentamos alcançar todos os públicos", diz Eddie.

Resumindo, o projeto Tubo de Ensaio é uma mistura de ritmos,tendências e música de qualidade. “O lance é não deixar a pista esvaziar, nunca, e atender a um número grande de preferências com qualidade”, explica a estreante Ana Flor.


Serviço:
Projeto Tubo de Ensaio
Todas Sexta
Le Marchand, Brás de Aguiar entre Generalissimo e Quintino.
Iníco: 22h De 22h às 23h entrada Free pra todos
Ingressos: R$ 5

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Pro Rock


Nova logo da Associação Pro Rock, produzida pelo diretor artista Jonh Bogea, publicitário e guitarrista da banda Rennegados

A Pro Rock está chegando nas redes sociais. Hoje a noite às 20h15 a Associação Comunitária Paraense de Rock transmite direto do Estúdio Apce Music um ensaio ao vivo com as bandas Rennegados, Norman Bates e Delinquentes. O ensaio será às 20h15 pelo twitcam da Pro Rock. Basta segui-la pelo www.twitter.com/ProRock_Para para acompanhar a transmissão na hora pelo link que será fornecido pelo twitter. O blog da Prock também está em construção. O endereço com a arte de John Bogea é www.prorockblog.blogspot.com.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Bodas de Ouro do Punk Rock Paraense


Salve o rock brasileiro, salve o rock paraense!

Fazer 10 anos de rock é tão difícil quanto manter um casamento pelo mesmo tempo. Fazer 15 anos de rock, então, é quase tão difícil quanto empreender profissionalmente uma banda em Belém do Pará. Fazer 25 anos de rock é tão difícil quanto se tornar uma lenda.

É por isso que o projeto Bodas de Ouro tem por objetivo marcar com pompa e circunstâncias (para bandas de rock) os aniversários de Delinqüentes (25 anos), Norman Bates (15) e Rennegados (10).

Somando tudo são 50 anos de bons serviços prestados à trajetória do lendário e “obscuro” rock paraense. E se prestam serviços ao rock prestam serviço também à música popular. Afinal, se a nova música popular paraense, moderna, de mente aberta a novos conceitos, de diversidades de ritmos, de fusões e estilos é assim, o é também porque antes dessa versão moderna existiu um rock duro que foi amolecendo com o tempo.

O punk rock clássico dos Delinqüentes mostrou sua influência recentemente na música popular com versões de Iva Rothe, Pio Lobato, Ana Clara Mattos e bandas como Turbo e Suzana Flag no tributo coordenado pelo produtor e radialista Beto Fares.

Ao longo de sua carreira os Delinqüentes foram do clássico punk rock ao crossover sob a influência do heavy metal e passaram ao experimentalismo com pitadas de regionalistas “Pequenos Delitos”. Isso na década de 1990, muito antes da (re)conversão da nova música popular paraense, que também foi influenciada pelo rock nos anos 70 (vide Sol do Meio Dia, de onde saíram grandes compositores como Rafael Lima e Walter Freitas).

O Pará lhe deve a devida atenção e deve empreender o registro e o resgate da obra dos Delinqüentes. Urgentemente, assim como o fez o bravo Beto Fares. Isso já se torna quase tão importante quanto a preservação de mestres da cultura popular. Ou será que nós vamos precisar manter também a pecha de cidade do “já teve” no rock.

Será que a tendência moderna de abrasileirar (por si só, muito saudável) tem que extinguir o rock “puro”?! Afinal abrasileirar quer dizer misturar estilos, tendências, gêneros e influencias que vem do mundo todo, que aqui chegaram através da colonização. Algo que também faz parte da nossa história e não se pode negar.

Com seu punk hard rock amolecido ora pelo funk, ora pelo ska, ora por acordes de bossa nova, a banda Norman Bates é, sem sombra de dúvidas, e a despeito deste que a analisa, uma das bandas mais inspiradas do rock paraense. Desse rock duro que amoleceu e quase tornou-se pop. Lu Guedes e sua versão funk de “Noé, desce da barca” que o diga. A Norman Bates dá e recebe influências das novas tendências e gerações. Algo comprovado seja sob os elogios da crítica especializada ou sobre a crítica ao mesmo tempo ácida e lírica de suas letras.

Mais que a Delinqüentes, a Norman Bates tem uma carreira de registros falhos. Apenas duas demos e um disco profissional, e um segundo disco até hoje incompleto. Reflexo da falta de condições de empreender profissionalmente na música paraense.

Esse texto mistura análises artísticas e econômicas para justificar pompa e circunstância ao ato de perseverar e reconhecer. Não ao estrelismo, não ao egocentrismo. E da mesma forma que misturar é bom, manter-se puro em princípios deve ser também.

É por isso que é preciso também circunstanciar o hardcore sem firulas de fusão dos Rennegados, uma banda que surgiu da tradição urbana de uma cidade historicamente na periferia da modernidade. Ser hardcore e preservar uma banda hardcore como o Rennegados, que além da música, tem acima de tudo uma atitude política e solidária. Um símbolo de resistência, além dos preconceitos.

Bem entendido isso, é fácil e admirável notar a participação de tantos parceiros para comemorar os 50 anos desta trilogia punk paraense em grande estilo. Gratos a todos que participam desta festa punk.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Se Rasgum e as bandas

Norman Bates em registro de Renato Reis no Se Rasgum de 2007, depois do show do Nashville Pussy

Alguns dos shows mais legais que realizei em Belém com o Norman Bates aconteceram nas duas primeiras edições do então Se Rasgum no Rock, nos anos de 2006 e 2007. Especialmente no ano em que tocamos no palco menor depois da banda Nashville Pussy, que eu não vi tocar mas que se tivesse visto talvez me amedrontasse. Certo era que a responsabilidade de tocar depois de uma banda de performance tão poderosa era muito grande. E acho que nos saimos muito bem.
Da mesma forma vi shows memoriais e bandas que ninguém mais traria a Belém a não ser o grupo então formado por Damaso, Marcel, Gustavo, Dudu e Renne, e todo mundo da produção. Disse isso ao vivo em uma entrevista na Radio Cultura FM quando Beto Fares, ele também um grande realizador da música paraense que sempre contou com o suporte da Funtelpa, transmitiu ao vivo o show da banda Sapatos Bicolores, trazida pelos caras do Se Rasgum.
Por essas e algumas outras, é preciso dizer que o Se Rasgum é hoje, juntamente com o Baiacool Jazz e o Arrastão do Pavulagem um dos maiores e melhores eventos musicais do calendário cultural de Belém. É uma grande oportunidade para bandas novas se apresentarem por lá. Portanto, aprendam a empreender, desenvolvam estratégias e se apliquem em utilizar os canais de promoção que vocês tem, ainda que tenham que se preocupar com outras ações também necessárias. Trabalho pouco é bobagem e preguiçoso não ganha a vida mesmo sendo talentoso.
Este post vai em homenagem a todos os realizadores, bandas e artistas que ajudaram a construir e promover este grande evento.
Transcrevo abaixo o post que gostaria de ter escrito mas que Angelo Cavalcante fez primeiro que eu no blog Veia Pop.



A Dançum Se Rasgum Produciones divulgou a lista com as 20 bandas que participarão das seletivas para o 5º Festival Se Rasgum.

As inscrições foram abertas no dia 27 de agosto e encerradas no dia 05 de setembro com mais de cem projetos, entre bandas e artistas solo, inscritos.

As seletivas acontecerão nos dias 24 e 25 de setembro, no Hotel Gold Mar. Em cada noite, 10 bandas terão 15 minutos para apresentar suas músicas. A ordem de apresentação ainda será definida em sorteio a ser realizado. O show de encerramento da primeira noite será do Circuito Floresta Sonora e o Mombojó será a banda de encerramento da noite seguinte.

O público já pode votar na banda de sua preferência em http://serasgum.com.br/

As classificadas são:

16 Bits http://16-bits.conexaovivo.com.br/
Arcadines http://arcadines.conexaovivo.com.br/
Bruno B.O http://bruno-b-o-aka-de-los-santos.conexaovivo.com.br/
Candirú Malino http://candirumalino.conexaovivo.com.br/
Cocota de Ortega http://www.youtube.com/user/jocacocota#p/a/u/2/kJYYvmIJ_T0
Destruidores de Tóquio http://www.myspace.com/destruidoresdetoquio
Dharma Burns http://dharma-burns.conexaovivo.com.br/
Felipe Cordeiro http://felipe-cordeiro.conexaovivo.com.br/
Igrejas Bar http://www.myspace.com/igrejasbar
La Orchestra Invisível http://www.myspace.com/laorchestrainvisivel
Malachai http://www.myspace.com/profetamalachai
Mobilha http://www.myspace.com/mobilha
Mostarda Na Lagarta http://palcomp3.com/mostardanalagarta/
Órion http://www.myspace.com/neworion
Projeto Secreto Macacos http://projeto-secreto-macacos.conexaovivo.com.br/
Paris Rock http://banda-paris-rock.conexaovivo.com.br/
RadioFone http://www.myspace.com/radiofone
Sambiose http://www.myspace.com/sambiose
Stereoscope http://www.myspace.com/stereoscopebelem
The Baudelaires http://www.myspace.com/baudelairesband

Posicionamento oficial da Dançum Se Rasgum sobre o episódio das seletivas. Texto retirado do informativo SE RASGUM NEWS # 11

Semana de correria, polêmica, novidades e coisas boas a caminho. Só esse mês ainda tem Ins’anos 90, Seletivas Se Rasgum com mais de 20 shows e, entre eles, o Mombojó chegando pela segunda vez em Belém e fazendo o lançamento do V Festival Se Rasgum.

Bem, vamos começar com um posicionamento oficial da Se Rasgum sobre o episódio das Seletivas 2010, que aborreceu muita gente que se sentiu injustiçada de sua banda não ter entrado. Tivemos problemas técnicos com algumas bandas que tentavam postar suas músicas no site, conforme pedia o edital.

Esse problema resultou em uma medida que, para a organização, foi a mais sensata possível, a de considerar outros links que as bandas inscritas postavam na ficha de inscrição, possibilitando que os jurados pudessem escutar todos os artistas inscritos. Claro que havia bandas que não colocaram nenhum link (nem You Tube, Myspace, Trama Virtual ou site próprio) e essa, por si só se anularam da pré-seleção. As outras, que conseguiram postar seus sites ou finalizar o perfil no Portal Conexão Vivo, foram todas ouvidas e analisadas pelos jurados, que deram notas de acordo com seus critérios de escolha, mas sempre relevando o estilo musical, e sim avaliando o potencial dos grupos em outros quesitos. E assim foram escolhidas as 20 bandas que participarão das seletivas.

No ano passado aconteceu a mesma coisa, só que as bandas que se inscreviam com seu perfil no Bel Rock e também mandavam links de seus outros espaços na internet. A função do jurado e das Seletivas é conhecer a banda, conhecer a música que está rolando em Belém.

O Festival Se Rasgum já abriu porta para muitas bandas pequenas que tiveram ótimas oportunidades nas quatro edições do evento. O festival se preocupa, entre outras coisas, em abastecer a cidade de informação e novidade no período em que acontece, além de fomentar a cena durante o ano inteiro colocando bandas iniciantes para tocar em suas festas, trazendo produtores, jornalistas, workshops e debates que interessam a todo mundo que um dia sonhou em viver de música. Nós também carregamos os mesmos sonhos e procuramos, a cada ano, aperfeiçoar nosso processo. E somos fãs de música pesada sim! Mas nem sempre podemos trazer a banda dos sonhos de cada um.

Papo político chato, né? É chato, mas é verdadeiro. Enfim, já escolheram seus candidatos? Tem horas que dá um certo medo de ver que temos mais quatro anos que serão comandados por gente que ainda temos muitas duvidas de sua índole e de sua administração. O jeito é confiar, escolher e esperar. Não tem jeito, sempre vamos pagar pra ver. Tomara que dessa vez a gente pague menos.

Mas a Se Rasgum promete que enquanto tiver quem acredite na gente, seremos muito gratos e parceiros do nosso público, buscando trazer as bandas que sonhamos ver por aqui e que não viria se não fossem uns produtores malucos que às vezes já contam com o prejuízo antes da banda desembarcar no aeroporto.

E esse editorial é dedicado a todos os coletivos e produtoras de Belém como This is Radio Trash, Meachuta, Pogobol, Quero Causar, Megafônica, Casarão Cultural, Coisa Pop e em especial ao Jayme Katarro, Elder Fernandes e Camilo Henrique. Essa galera faz a gente querer continuar e fazer o melhor.

Muita emoção hoje, né?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

É hoje

entrecorpos


Ontem, por causa do excesso de trabalho e do curso de Leonardo Salazar, perdi o vernissage da coletiva de fotografia "Entrecorpos" da qual participa a amiga e parceira de trabalho Ana Flor, juntamente com Douglas Caleja, João Cirilo, Alexandre Dantas, Luciana Magno, Pamela Massoud, Dany Meireles, Eliane Moura, Luizan Pinheiro, Ilton Ribeiro, Joana Sena e Paulo Wagner. A exposição continua em cartaz na Galeria Teodoro Braga do Centur até o dia 1o de Outubro de 9h às 15h. Prestigie. Abaixo o texto de Luizan Pinheiro sobre a exposição.

entrecorpos. entre

Luizan Pinheiro

do inevitável. o corpo. entrecorpos. entreveros de corpos artísticos a depositarem no tempo e na história um lugar. composto orgânico de falas e silêncios abrigado na Galeria Theodoro Braga. inventividade coletiva a potencializar o corpo da galeria em estado de inanição dos investimentos públicos fundamentais. tra.vestidos na miséria da puta.política. explorada pelos que nada sabem do que a arte é possível. mas dada aos corpos outros. a galeria se afirma. veste-se com roupas novas para o desfile da arte. visibilidade do que o corpo instaura. da fragilidade ao insuportável. do desespero a pulsão sexual. do ambíguo ao indefinido. os micromundos estão ali a dar vida aos sentidos. aos sentimentos. as emoções. intimista sem timidez. tosca mas cínica. débil e dinâmica. os mundos de entrecorpos disparam para vários rumos. gramática visual atravessada pela política do corpo. política do corpo atravessada pela gramática visual. produção do máximo no mínimo dos encontros. a pintura. o desenho. fotografia. a vídeoinstalação. o verbo. as especulações metafísicas em nuanças sóbrias. o que do corpo dispara o póien numa sua deflagração qualquer. abertura para os territórios pessoais. íntimos. pornôs. eróticos. ótimos. tudo o que tem de livre nessa potência da revelação. da perversão. da ação. entrecorpos. entre.

Belém, setembro, 2010.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Leonardo Salazar ministra curso em Belém


Pernambucano produtor, jornalista e estudioso do showbusiness vem à cidade ensinar os músicos a empreender e aprimorar seus negócios


Desde o início deste século 21, quando o compartilhamento de arquivos digitais proporcionado pela Internet mudou drasticamente o modo de consumir música, artistas e produtores tem se debatido sobre um novo modelo de sustentabilidade. A grande indústria sofreu com as quedas de vendas e com a disseminação da pirataria, enquanto a música independente celebrou a nova janela para o mundo, uma oportunidade de tornar sua música conhecida além das fronteiras do jabá nas rádios e TVs comerciais.

A indústria das gravadoras encontrou na força que já tinha no mercado e nas novas tecnologias digitais as saídas para superar a crise. A música independente, no entanto, festejou durante um tempo, mas ainda demora para encontrar seu viés. Trilhando árduos caminhos nas políticas públicas, nas formações de redes solidárias e na liberação dos arquivos compartilhados, os rumos começam a se definir para o músico independente.

O desafio da sustentabilidade, porém, não é tão fácil quanto disponibilizar a música na internet. “O músico acha que basta colocar a música na internet e tudo o mais acontecerá. Isso é apenas o primeiro passo. Tem que empreender, realizar shows, fazer propaganda, assessoria de imprensa, colocar o disco para circular nas mãos dos produtores, participar de feiras, capacitações, cursos etc.”, explica Leonardo Salazar, autor do Livro Música Ltda. (SEBRAE, 2010).

Leonardo sabe do que está falando. Foi assessor de imprensa do Abril Pro Rock, pioneiro dos festivais que hoje compõem o circuito independente brasileiro, e virou produtor, tendo passado por mais de 200 eventos musicais, em 68 casas de shows e 35 festivais, em 34 cidades de cinco países e dois continentes. A experiência e as competências gerenciais adquiridas em uma especialização de administração lhe renderam uma rápida fama no circuito do empreendedorismo cultural brasileiro.

Até então não havia bibliografia organizada a respeito do assunto no Brasil. “Quando fui fazer meu trabalho, constatei que não existia bibliografia em português. Então decidi fazer o trabalho. Apresentei ao SEBRAE e consegui publicar o livro, revisando e atualizando o material da minha monografia, que vem acompanhado de um plano de negócios para uma banda”, conta.

Leonardo veio a Belém para uma palestra no final de agosto e estará de volta a cidade na próxima segunda-feira 13, para dar o curso Música Ltda. – O negocio da música para empreendedores, através do projeto Pará Pró Música. O primeiro módulo aborda questões como a cadeia produtiva da música, empreendedorismo, formalizar um negócio sustentável, fontes alternativas de financiamento etc. Depois do primeiro módulo, Salazar voltará a Belém um mês depois para o módulo avançado aonde fala de estratégias de mercado, posicionamento de carreira e outras questões cruciais para orientar o músico no mercado atual.

O curso tem vagas prioritárias para os integrantes do projeto Pará Pro Música, que foi criado e formado pelo Fórum Permanente de Música do Pará, pelo selo Na Music, pela Associação Pro Rock e o Movimento Bafafá do Pará, juntamente com o SEBRAE-PA. Mas outros grupos e outros músicos, individualmente e mediante pagamento de uma taxa, podem participar até o limite de vagas do curso que será ministrado de segunda a sexta-feira no horário das 18h às 22h.

O curso e o projeto são em conjunto ótimas oportunidades de fomentar uma transformação no negócio da música fora dos grandes centros industriais do país. Numa cidade de riqueza cultural vastíssima essa pode ser a diferença entre a cena que nunca aconteceu e um mercado a ser consolidar em ações práticas, geradoras de negócios e renda para músicos, técnicos e produtores da área.


Serviço:
Projeto Pará Pró Música
Curso Música Ltda. – O Negócio da Música para Empreendedores
De 13 a 17 de setembro no SEBRAE-PA
Horário: de 18h às 22h.
Inscrições: R$ 100,00 para não clientes do projeto e gratuito para clientes
Informações: (91) 3181-9031 / michell@pa.sebrae.com.br

Texto: Nicolau Amador

Joelma Klaudia grava DVD em Altamira

Show premiado pelo edital da Secretaria de Cultura acontece nos dias 10 e11 de setembro no município da Região do XinguFoto: Divulgação

Natural de Altamira, região do Xingu, Joelma Klaudia começou a cantar ainda criança, aos oito anos, enquanto acompanhava os ensaios da banda da Igreja. “Meu pai era o organizador da banda e os ensaios aconteciam na minha casa onde eu também tinha aulas de canto.”

A menina cresceu nesse ambiente religioso e musical, e, aos 22 anos, veio para Belém aprender a tocar violão. Acabou cantando na noite e se inserindo na vida cultural da cidade. “Cantava em todos os videokês que podia, e em 2003 conheci Guibson Landim, que me convidou para ser vocalista da banda ‘Os Nômades’ onde, de fato, pude subir no palco para mostrar a voz para um público maior, com nosso repertório voltado para o rock setentista.”

O próximo passo foi concorrer a prêmios e editais aonde seu talento foi reconhecido. Ao lançar o primeiro disco em abril de 2009, ela foi homenageada pela Câmara Municipal de Belém com a Plaqueta Waldemar Henrique, como destaque na música popular.

Com o espírito de quem tem a natureza na alma, Joelma lançará seu próximo álbum na sua terra natal. Motivações não faltam. Quer mostrar que a região do Xingu tem mais que belas paisagens. Para tanto ela, convidou grandes nomes da produção cultural paraense e artistas conterrâneos para compor a equipe deste show.

“No mundo”, o show, acontecerá nos próximos dias 10 e 11 de setembro, na orla do cais de Altamira, promovido pelo Prêmio SECULT de Música 2009 e Lei Semear. A produção geral é de Raquel Braga e a direção musical é de Mauricio Panzera e Guibson Landim, a direção cênica, maquiagem, figurino e cenário é de Alba Maria.

A dupla Gustavo e Samuel, que toca música sertaneja e tem grande popularidade naquela região, e o cantor Joney Lopes, que é altamirense, mas faz carreira solo, em Goiás, estarão se apresentando, abrindo o show de Joelma. O espetáculo terá ainda a participação de grupos de cultura popular.

Para quem não conhece Altamira é uma boa oportunidade de conhecer a região do Xingu. Caravanas estão se preparando para ir direto pro show a fim de apreciar esse grande espetáculo da música paraense. A gravação do DVD de Joelma Klaudia configura-se numa ação de inclusão e integração social, objetivando a valorização do artista local, como o objetivo de promover a auto-estima de um povo que esteve muito tempo isolado pelo difícil acesso geográfico.

Serviço:
Show “No Mundo” acontecerá nos próximos dias 10 e 11 de setembro, na orla do cais de Altamira.

Assessoria de Imprensa:
Contatos:

(91) 9125-9484 (93) 8128-9669

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Release: Nicolau Amador

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Suzana Flag promove de Souvenir

Suzana Flag na loja Ná Figueredo - Foto e edição Ana Flor

A banda Suzana Flag realiza nesta sexta-feira, 10 de setembro, um pocket show na loja Ná Figueredo (Av. Gentil Bittencourt, 449) para promover o disco Souvenir, lançado no dia 2 durante a Feira do Livro. A apresentação será seguida de sessão de autógrafos e venda de CDs a preços promocionais. “Teremos CDs a venda pela metade do preço para que a gente tenha a oportunidade de estar próximo do nosso público, pois durante a feira não tivemos a oportunidade promover sessão e autógrafos, dada a correria do show”, explicou Joel Melo, guitarrista da banda.
O disco Souvenir sai de forma independente com apoio da Secretaria de Estado de Cultura, através do edital do selo Pará Musical, e contém 12 músicas gravadas em Belém e mixadas no Rio de Janeiro pelo produtor gaúcho Iuri Freiberguer. Produzido por Nicolau Amador e Joel Melo o disco causou muita expectativa nos fãs da banda que agora vão ter a oportunidade de tê-lo em mãos.
“O encarte está muito bonito. Um trabalho primoroso do pessoal da Libra Design que reflete exatamente o que a gente queria para o CD, uma coletânea de histórias cantadas sobre o nosso relacionamento como os nossos amigos e parceiros nesses anos todos que a gente ficou em Belém depois de sair de Castanhal”, conta a vocalista Susanne May.
Cheio de detalhes e surpresas pelo encarte e pelo disco, Souvenir tem requintes de produção nunca vistos em discos de pop rock produzidos no Pará. A faixa “Dual”, por exemplo, tem um arranjo de cordas belíssimo, feito pelo músico Ricardo Aquino, regente da Amazônia Jazz Band. “A gente tinha pouco dinheiro, mas queria muito gravar as cordas nessa faixa. E o Ricardo topou fazer. Ouviu nossas sugestões com muita atenção e chamou músicos jovens e talentosos para gravar conosco. Adoramos o resultado”, diz Nicolau, co-produtor do disco.
Os músicos que gravaram a faixa foram Marcus Guedes (1º violino), Ronaldo Sarmanho (2º Violino), Patrícia Moura (viola), Bruno Valente (1º cello) e Arthur Alves (2º cello). Na seção de vídeos do site da banda (www.suzanaflag.com.br) também produzido pela Libra Design e hospedado pelo portal Ecleteca, há o registro do momento em que o quinteto, regido por Ricardo Aquino, gravou a canção no APCE Estúdio em Belém.
O disco contou ainda com a colaboração de Bruno Aquino, contrabaixista que gravou a maior parte das 12 faixas do disco, e de Elder Effe, ex-integrante da banda que atualmente toca com a Ataque Fantasma. Elder gravou baixo em duas faixas. As fotos do encarte são de Ana Flor e os assistentes de produção foram Gláfira Lobo e Andrey Monteiro. O disco teve apoio ainda de Ná Figueredo e Multi AB Produções.
O pocket e sessão de autógrafos tem entrada franca e acontece nesta sexta-feira a partir das 17h no espaço cultural Na Figueredo (Av. Gentil Bittencourt, 449). O evento tem apoio da Associação Comunitária Paraense de Rock – Pró Rock.

13 dual by nicobates

terça-feira, 7 de setembro de 2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Reflexões megafônicas

Deliquentes agita o Megafônica, em registro de Ricardo D'Almeida

Nem Johny Rockstar, nem Destruidores de Tóquio, nem Blacking Drawing Chalks. A banda de rock que roubou a cena no festival Megafônica, realizado no final do mês passado em Belém, foi a de hardcore Delinqüentes.

Certamente, nenhuma outra banda empolgou tanto quanto eles. Muitas bandas deixaram a desejar em shows mornos.

Até senti boas energias quando circulei pelos palcos enquanto Felipe Cordeiro e o Coletivo Floresta Sonora estavam tocando, mas não rolou a mesma energia empolgante. A banda de reggae do Amazonas Cabocrioulo me pareceu competente, além de ter um som muito simpático. Mas, mesmo que não gostasse de uma pancada na moleira, como diz Giovani Villacorta, não deixaria me empolgar com a performance de Jayme Katarro e Cia.

E certamente não divido essa opinião com poucas pessoas. Todos que estavam lá viram. Depois dos Delinqüentes, os Black Drawing Chalks poderiam se degolar em cima do palco e eles não conseguiriam superar a performance da banda paraense.

Performance ainda mais chocante pela presença de João e Daniel da banda Sincera, que subiram ao palco para tocar “Vagamundo”. Um diabo, um exu ou o Divino Espírito Santo baixou ali naquela hora. Depois disso, e depois do papo que rolara na tarde anterior, quando Leonardo Salazar e Pablo Capilé “confrontaram” idéias, só Jayme Katarro e Daniel exorcizando seus demônios para proporcionar algum alívio.

Sem dúvida a banda protagonizou o momento musical mais importante do festival. Destruidores de Tóquio e Jonhy Rockstar em dias diferentes não fizeram shows ruins, mas não apresentaram nada de novo.

Mas é preciso destacar que o festival foi bem organizado - pelo menos pelo que se podia ver da platéia. A performance de Andro e Raul Bentes apresentando no segundo dia foi muito boa.

É verdade que o primeiro dia demorou mais a engrenar. A luz dura na cara de quem tocou no palco de entrada do ex-Espaço Cultural Cidade Velha não ajudou. De qualquer forma, a organização foi acima da média da performance de muitas bandas.

OBS: O registro chega atrasado pelo volume de trabalho que se acumula, mas vale a pena.