sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O rock salva!


O cearense Sidney Filho chegou em Belém há 15 anos. Meu colega de turma na universidade de jornalismo, aprontou muito no circuito independente da cidade. Começou a escrever para internet em 1999, para o site www.ibelem.net, onde assinava a coluna "Nem Alhos, Nem Bugalhos". Em 2004, começou a escrever também para outro extinto site paraense www.miriti.com.br, com uma coluna já dedicada exclusivamente a divulgação das novidades sobre as bandas autorais paraenses. Em 2005, colaborou com o site www.senhorf.com.br. Em 2007, escreveu para o site www.showlivre.com.br, e o nome da coluna era "Independência ao Norte". Sem deixar o Show Livre de lado, Sidney alimenta com freqüência dois blogs que já são referência na blogosfera paraense, o Ver-O-Pop e o Rock Pará. Agora Sidney Filho deu um passo adiante, tendo seu trabalho reconhecido internacionalmente. Ele é o mais novo colaborador internacional do portal do selo americano Nada Label, que traz entre suas missões e objetivos promover a interação do público americano com os artistas de vanguarda do rock e da música contemporânea, inclusive pelo Brasil. Graças a ele, a audiência do Bafafá Pro Música, por exemplo, já é internacional. Sidney Filho tem grandes serviços prestados ao rock e à música paraense. Confiram o bate papo que tivemos no dia do Natal.

Nicolau: Como foi que o pessoal do Nada Label descobriu você?
Sidney Filho: Eu recebi um recado pelo Facebook da Delyse-Braun, que tinha conhecido os meus blogs. Ela afirmava que tinha gostado do conteúdo. Ela disse que trabalhava no selo americano de música independente Nada Label. E começamos a trocar figurinhas. Na semana passada, rolou uma apresentação geral com todos os integrantes do site e do selo. E hoje em dia, eu já faço parte da equipe como colaborador e divulgador da música paraense.

Como começou seu envolvimento com a música independente do Pará?
Antes de vir para Belém, eu tinha vindo de Recife, onde morei oito anos. Presenciei todo o nascimento do Manguebeat e quando cheguei aqui, pirei com a cena. De cara virei roaddie de uma das melhores bandas de trash metal do Brasil, o DNA. Depois já na faculdade, conheci outras bandas como Pig Malaquias e Norman Bates, que estava começando. Ainda na faculdade montei dois zines: Torpedo 136 e ZONA.

Você nasceu onde?
Eu sou cearense, mas morei em milhares de cidades. O meu pai é militar da reserva da Aeronáutica. "Não sou de nenhum lugar, sou de lugar nenhum". Mas estou em Belém há 15 anos. Sou praticamente paraense, e com muito orgulho.

Você também produziu umas festas e trabalhou com algumas bandas já dessa geração da música paraense. Conta um pouco...
Bem, eu produzi várias bandas: Cravo Carbono, A Euterpia e Madame Saatan. Além disso, eu, o meu primo (Miler) e o meu irmão (Beto) produzimos uns eventos no Mormaço, quando no Mormaço só ia a pior espécie, que foi o "Ver-o-Pop", que atualmente é o nome de um dos blogs que edito.

Você é um observador atento dessa tal cena paraense. Como você avalia o momento atual? Estamos preparados para mais um ciclo de expansão do rock e da música paraense?
O que é mais interessante atualmente é que estamos passando por uma época de transição, muito mais ligada ao mercado. Muitas coisas ainda estão indefinidas. Só que o mais importante é que Belém é o olho do furacão, sobretudo, quando se fala de música contemporânea. Uma cidade que gera bandas nada parecidas, como Norman Bates, Madame Saatan e Retaliatory, por exemplo, merece atenção do mercado.

Pois é, e tem o Aeroplano, Suzana Flag, Juca Culatra, Pio Lobato, Clepsidra e um monte de coisa diferente e "fresca" aos ouvidos...
Sem contar os Mestres Verequete, Cupijó, Laurentino, Chico Braga etc. Belém é um celeiro de músicos e músicas inacreditáveis!

Você acha possível que artistas como esses, por exemplo, possam estar lançando em breve discos por selos internacionais?!
Eu acho que hoje em dia, vivemos a maior revolução de todos os tempos, que é o poder da comunicação, através da internet. Então, por exemplo, o BNegão já excursionou para Europa várias vezes, com contatos feitos pela internet. Seria, sim, completamente viável.

Engraçado que Belém, às vezes, parece surda para algumas dessas coisas. O movimento tem que vir sempre de fora pra dentro?
O mais absurdo é isso. Aqui é um celeiro de músicos geniais; mas como tudo no Brasil é preciso que alguém de fora reconheça, para que a população local também acabe dando valor. Infelizmente, isso é coisa de brasileiro mesmo. Mas os ouvidos já estão se abrindo. Apesar disso, parece que as bandas locais vivem num universo paralelo que a elite falida da cidade prefere não reconhecer e é viciada em festinhas que tocam as tristes bandas cover, ou os DJs, que ainda tocam Dire Straits e U2. Essas bandas mega grandes não precisam disso, e nas festas daqui deveriam tocar as bandas autorais, tanto nos palcos quanto nas pick ups.

Muitas vezes os caras ignoram mesmo. Não há conexão entre certos DJs descolados e a produção local. Na verdade há uma certa disputa entre DJs, produtores e músicos. Alguns são mais estrelas do os ‘”artistas”. Isso também parece uma característica de Belém...
Eu acho isso tudo muito surreal. Porque em São Paulo, eu cheguei a ouvir La Pupuña e Suzana Flag numa festa da Outs (só não lembro quem era o DJ). Então, não querendo ser demagogo ou algo parecido, mas a palavra de ordem de 2010 será SOMA. Não dá mais para haver essa disputinha barata, todos têm o mesmo objetivo: impulsionar a cena. Então, como já disseram os Ramones várias vezes: Hey Ho!! Let's Go!!

Bom, tomara que você esteja certo e a gente se encontre nos objetivos comuns. Mas uma coisa é certa, só vamos ter um mercado equilibrado e justo se houver esta soma. Que 2010 seja bom pra todos. E você o que vai aprontar esse ano ainda?
Hoje à tarde, de duas às quatro, vou apresentar um programa especial de Natal com o Marcelo Souza no Instituto Federal do Pará. É só acessar o link da Rádio IFPA.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O grito da Pro Rock e do Bafafá

Fotos de Ana Flor

Por falta de tempo e pudor de autoresenhar-me, reproduzo aqui o texto de Sidney Filho, do Blog Ver-O-Pop, sobre o Bafafá Pró Música que aconteceu no último domingo 13 na Praça da República. Só gostaria de acrescentar que apesar do imprevisto embargo de um dos palcos do evento, ele não foi abalado em nada, ao contrário, o "grito" do Bafafá foi amplificado pela polêmica da liberação da Praça, e abriu canais de diálogo para a ocupação de outros espaços públicos e para a manutenção do mesmo. Desta forma eu e toda a equipe do Ponto de Cultura Bafafá Pro Rock quer parabenizar a todas as bandas que tocaram e às que não tocaram e foram compreensivas com a situação. 14 das 20 atrações previstas se apresentaram e mostraram porque a música paraense provoca um Bafafá tão grande pelo mundo a fora. Muito obrigado a Retaliatory, Ataque Fantasma, Miguelitos S/A, Dialetos, Stereoscope, Os Baioaras e Pio Lobato (vocês estarão no próximo). Muito obrigado aos parceiros Ná Music, MM Produções, Mudra Produções, Jambu Filmes e A3 Bureau. À Secretaria de Estado de Cultura, que ao incentivar tal evento contribui para o fortalecimento da nossa cultura. À Secretaria Municipal de Meio Ambiente que, apesar dos contratempos, foi compreensiva e sensível aos nossos argumentos (até onde foi possível). Ao Sebrae-PA que mostrou o nível certo que ousadia que os grandes negócios exigem ao patrocinar o Bafafá deste ano. A todos os fotógrafos, cinegrafistas, técnicos de áudio, roddies, músicos, jornalistas, enfim, a todos os profissionais envolvidos. Ao público. Não temos uma estimativa fiel pois muita gente viu o Bafafá em "turnos". Muita gente que ficou pela manhã não pode voltar a tarde e vice-versa. Mas muita gente ficou desde o início, chegando ao pico de mais de 2 mil pessoas num só momento. Quadriplique esse número e talvez cheguemos a uma estimativa fiel de quem ouviu o grito deste Bafafá - fora a repercussão. Muito obrigado a Mestre Laurentino, sempre presente, sempre na vibração da música. Por fim, convido a todos para a nossa confraternização, que vai ser neste próximo sábado, dia 19, no Centro Cultural Cidade Velha, com shows de Norman Bates, Suzana Flag e Clepsidra. Mande seu nome para associaprorock@gmail.com para pagar apenas R$ 5 na hora. As 20 atrações previstas na programação original terão quatro cortesias a sua disposição a partir de hoje na loja Ná Figueredo, é só passar lá nesta sexta-feira (ou no sábado pela manhã e a tarde) e retirar. Vamos, enfim, relaxar e comemorar.

Bafafá Pro Música: A festa para fechar o ano

Por Sidney Filho



A manhã do domingo passado (13) começou um pouco preguiçosa na Praça da República (um dos centros públicos e culturais de Belém) quando algumas notícias começaram a vir à tona sobre o embargo da Prefeitura Municipal de Belém, em relação a utilização da carreta palco para a realização do manifesto musical Bafafá Pro Música. Mas isso não tirou o brilho da festa. E todos os shows ocorreram no anfiteatro da praça.

O pontapé inicial foi dado de uma maneira estrondosa com o hardcore da banda Núcleo Base, acordando quem estava se chegando. Logo depois vieram as melodias da Dharma Burns. E para a mostrar a miscelânea musical, que ainda estava por vir, foi a vez do DJ Morcegão e a Máfia da Baixada.

Quando a compositora Joelma Klaudia subiu no palco, o público presente ficou encantado com a performance dela e com as músicas. Logo depois, foi a vez de outro destaque feminino paraense, Juçara Abe, que junto com o DJ Morcegão, mostraram que toda mistura bem feita é agraciada pelo público.

Já no início da tarde, o grande compositor paraense Rafael Lima fez um show arrepiante. Logo em seguida, utilizando programações e uma dupla de músicos experientes, o baterista Arthur Kunz promoveu um show de jazz experimental, cedendo espaço à música experimental.

A tarde continuava e o público esquentava, dando vez para uma das bandas de rock mais festejadas da cidade, Vinil Laranja, que enlouqueceu quem não arredava o pé. O nível foi mantido com Tomates Verdes, com fortes influências do grunge, e pela banda Xamã, que está completando mais de 10 anos de atividades na noite de Belém. Para abrilhantar a tarde de domingo, a sutileza da Suzana Flag.

Com o local das apresentações, o anfiteatro da Praça da República, completamente tomado pelo público, foi a vez do hardcore do Licor de Xorume. O peso foi mantido com a banda Norman Bates, clássica banda paraense, que mostrou porque o rock paraense é um dos mais vislumbrados no resto do país.

Para fechar com o clima lá em cima, foi a vez do thrash metal do Telaviv, o público já estava completamente alucinado, quando eles subiram no palco. Resultado do Bafafá pro Música: Festival perfeito, mesmo com o embargo da Prefeitura Municipal de Belém; e todos voltaram para casa felizes da vida.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Paraenses fazem um Bafafá!

Rafael Lima
Natural de Belém do Pará, Rafael Lima explora os elementos rítmicos e melódicos do Norte do Brasil e os funde com o jazz, ritmos indígenas e outras influências. No fim da década de 70 fez parte do grupo musical “Sol do Meio-dia”. Convidado a inaugurar a sala de concertos “Miles Davis” no Festival de Jazz de Montreux na Suíça em 1994, Rafael já lançou cinco CDs na Suíça e Brasil, além de gravações realizadas no Canadá também. Em Zurique, na Suíça, numa fria noite de inverno, compôs a opereta “Reinavam com o Castiçal”; adaptação musical feita para um diálogo de 13 páginas do livro “Primeira Manhã”, do escritor Dalcidio Jurandir. Apresenta-se no Bafafá ao lado da filha Juçara Abe, jovem cantora e compositora que começa a mostrar seus trabalhos solos.

Retaliatory

Um dos mais importantes grupos de metal paraense, o Retaliatory iniciou suas atividades em 1990 tocando thrash death metal inspirado em bandas como Sepultura, Sarcófago, Slayer e Kreator. O primeiro registro foi a gravação de ensaio “World in Coma” (1991). No ano seguinte surge a primeira demotape oficial, “Sicking in Pain”, com apenas duas músicas gravadas na Rádio Cultura de Belém. Em 1994, sai a segunda demotape, “Marching to the Unknow”. Com essas duas demos, o Retaliatory consegue ser conhecido em todo o estado do Pará. E também a participar das três edições do maior festival de Rock do Norte do país, o Rock 24 Horas. Mesmo mudando várias vezes de formação, o grupo se manteve na ativa, e em 2000 lançou o CD-R comemorativo pelos 10 anos de estrada, “Ancient Glorious Death”. Trabalho que impulsionou os paraenses a fazerem vários shows, tocando ao lado de bandas como Krisiun, Torture Squad, Funeratus, Distraught, Deadly Fate, Warpath, Unearthly, Violator, Obskure, entre outras. No final de 2004, após estabilizar seu line up com Gledson Moita (vocal), Hugo Bucho Fight (guitarra), Spetto Alfaia (guitarra), Luis Cara de Caveira(contrabaixo) e Wagner Nugoli (bateria), o grupo entra em estúdio para gravar seu álbum de estréia, “Retaliatory Attack”, lançado em março de 2006 pelo selo Kill Again Records. Com essa bagagem toda a banda encerra a programação do Bafafá no dia 13 de dezembro.


Stereoscope

Sabe aquela estrutura melódica das bandas dos anos 60? Já ouviste falar em Jovem Guarda? A banda paraense Stereoscope reflete exatamente essas duas premissas, mas vai além e viaja por outras décadas se deixando influenciar por outras sonoridades, o que resulta em um trabalho com apelo pop fortíssimo. O primeiro disco “Rádio 2000” lançado em 2003 pela então Na Records trazia os músicos Jack Nilson (guitarra e voz), Marcelo Nazareth (guitarra e voz), Ricardo Maradei (baixo e voz) e Ulysses Moreira (bateria) para o jogo do pop rock paraense que começava a ganhar visibilidade e conquistar fãs país afora. O Stereoscope também fez a sua pequena legião de seguidores. Faixas como “Eu Envelheço”, “Felicidade Azul” e “A Lira” ajudaram a conquistar, entre outros, Fernando Rosa, do site Senhor F, que se apaixonou pela sonoridade e os chamou para gravar o segundo trabalho. “O Grande Passeio do Stereoscope” foi lançado em 2006. No final de 2007, a banda ganhou novo baterista, Daniel Pinheiro. Este ano, a Stereoscope aguarda o lançamento de seu terceiro disco, também pelo selo Senhor F Discos.

Suzana Flag
A trajetória da banda castanhalense Suzana Flag começou em 2002, quando lançou de maneira totalmente independente o disco “Fanzine”. O nome representava bem o projeto caseiro, que foi repassado para os amigos, que começaram a espalhar o som da banda. A sonoridade desse primeiro registro cativou pela simplicidade e qualidade. A banda virou referência no circuito alternativo de Belém e foi peça fundamental para o que hoje se consolida como um cenário bastante diversificado e elogiado. Tendo praticamente todas as suas canções sido tocadas na Rádio Cultura, novas tiragens sendo providenciadas e a legião de fãs crescendo a cada show, sendo esse sucesso repercutido em vários prêmios como o do site carioca London Burning de Revelação (2004), participação em diversos festivais no país afora, como o pernambucano Abril Pro Rock (2005), além de estar inclusa no tributo ao cantor Odair José lançado em 2006 junto com nomes como Pato Fu, Paulo Miklos e Zeca Baleiro. O reconhecimento de crítica e público vem pavimentando o caminho da banda desde então, que se prepara para colocar o seu tão aguardado segundo disco no mercado no início do ano que vem. Premiado com o prêmio do selo Pará Musical, da Secretaria de Estado de Cultura, “Souvenir” chega com produção dos guitarristas Joel Melo e Nicolau Amador, mixado e masterizado no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Arthur Kunz Trio

Arthur Kunz é uma das atrações do BAFAFÁ

Nascido em 1983 em Belém do Pará, Arthur de Rezende Kunz e Silva ganhou sua primeira bateria aos 16 anos. Desde então a música faz parte de sua rotina de estudos. Participou de vários grupos de rock e só mais tarde descobriu uma grande paixão: o jazz. Em 2002 já atuava no cenário da música instrumental paraense quando decididamente resolveu iniciar seus estudos de composição. O resultado disso é um disco (ainda em fase de pré-produção) com composições híbridas misturando o som da bateria acústica com elementos eletrônicos. Com Davi Amorim (Fafá de Belém, Nilson Chaves etc) está garantida a quentura do som, com uma guitarra solo ácida, porém pop, e Elias Coutinho (bacharel em saxofone) trazendo suas frases de sax nostálgicas e frenéticas, está formado o Arthur Kunz Trio, que estréia no Bafafá.

myspace.com/arthurkunz

O canto d'A Euterpia

A cantora Marisa Brito, 26 anos, segue carreira solo a partir do ano que vem

Era uma manhã chuvosa em São Paulo. Os rios Pinheiros e Tietê transbordaram e alagaram as ruas provocando caos na cidade. Por conta disso, a professora de canto Marisa Brito não pode sair de casa naquele dia. Sobrou tempo para que ela e eu refizéssemos uma entrevista iniciada quase um mês antes sobre o anunciado fim da banda A Euterpia. Na correria eu simplesmente esqueci de salvar o texto. Ela também não salvou. Eu poderia ter escrito um texto corrido com a memória do que foi dito, mas queria as palavras dela. Seu depoimento verdadeiro sobre o fim de uma das bandas mais emblemáticas do cenário paraense dos últimos anos. A Euterpia levara quase seis anos para gravar seu primeiro registro, tempo suficiente para amadurecer o som da banda e consagrar sucessos como “Veneza” e “Brechó do Brega”. Um som difícil, como muitos taxaram, para dizer o mais leve das críticas. Mas trata-se de uma banda injustiçada. Não que devamos lamentar uma perda que, como Marisa diz, gera, através do sofrimento, a evolução, o amadurecimento. Bandas injustiçadas há aos montes. Mas a trajetória da Euterpia ajuda a entender os dilemas dos músicos que vivem no Pará ou na Amazônia e que lutam para se firmar num mercado inc(s)ipiente. Não fosse A Euterpia e talvez, a despeito dos Mutantes, bandas como a amapaense Minibox Lunar demorassem alguns anos mais para aparecer. Com vocês o depoimento de Marisa Brito sobre o fim da Euterpia.


Nicolau: Por que a banda acabou?

Marisa: Tudo no universo está em constante mudança, em constante transformação. O ciclo da vida existe para tudo, até para os projetos como uma banda. Se nós como pessoas passamos por fases, que dirá de um encontro de amigos, de jovens com sonhos que em dado momento parecem os mesmos, mas que, com o passar do tempo, podem ir ficando diferentes, porque somos diferentes... Mudar de cidade foi importantíssimo para o nosso crescimento pessoal. Mas não conseguimos nos firmar como banda. Fizemos shows bem legais, mas ficou tudo muito inconstante, muito incerto, e já estamos na fase da vida em que queremos mais estabilidade. Não somos mais adolescentes. Queremos casar, ter filhos, nossas casas, enfim...

O que você acha que faltou para A Euterpia se firmar?

Olha, eu acho que somos todos muito "artistas” (risos). Nenhum de nós dentro da banda, tinha um talento nato para a parte de produção, uma coisa mais de marketing. Acho que foi aí que o bicho pegou porque não conseguimos que nenhum produtor encarasse pra valer o projeto, até o fim. Pessoas maravilhosas trabalharam com a gente, nos ajudaram muito, mas sempre saíram no meio do caminho, pois viam que pro nosso estilo seria necessário muito investimento, que muitas vezes eles não tinham condições de dar, ou encontravam um outro trabalho que fosse mais viável pra eles trabalharem. Sabíamos que A Euterpia pra "vender" não era a coisa mais simples do mundo. O mercado musical é muito instável. Não conseguimos nos firmar dentro desse mercado, por isso fomos procurar outras formas de viver de música. Todos nós vivemos de música, mas nosso sustento nunca veio da banda. Sempre foi trabalhando com música, mas fazendo outras coisas. E isso é uma realidade acho que de todas as bandas de Belém, senão, a maioria.

Mesmo com essa dificuldade de afirmação da banda, o disco da Euterpia foi um dos mais vendidos lançamentos do selo Na Music. Como você vê essa dicotomia?

Isso é interessante. Olha, realmente parece incoerente... não sei como explicar. Hoje quando paro pra pensar no mercado da música, não consigo entender muitas coisas. Para mim é um mistério. Passamos muito tempo ouvindo pessoas dizendo que A Euterpia era muito "difícil" para vender demais. Mas ao mesmo tempo, víamos pessoas cantando todas as músicas na frente do palco. Eu acho que não tem fórmula pra isso, o mercado quer rotular tudo, dar diretrizes para o que vai vender e o que não vai, mas no final, nem sempre dá certo. Acho que conquistamos nosso público porque fizemos do início ao fim, uma música coerente com o que sentíamos, uma música carregada de verdade, e isso, por mais difícil que pareça, chega ao coração das pessoas. Ora, muitas vezes nos emocionamos com músicas em idiomas que não conhecemos nenhuma palavra, porque não nos emocionaríamos com uma música que tem uma palavra ou outra diferentes? A arte é isso. Não tem explicação. Já ouvi pessoas criticando, dizendo que parecíamos esnobes, por às vezes colocar uma palavra estranha na música, que as pessoas não entendiam. Que tínhamos que simplificar... por quê?! A arte também é um meio de ensinar, de educar, como artista, não acho que devemos olhar pras pessoas como inferiores, precisamos sim mostrar coisas novas pra gerar curiosidade e evolução nelas. Esse tipo de pensamento de que tudo deve ser mais fácil é que faz a cultura ficar cada dia mais rasa, superficial. Não escrevíamos músicas daquela forma porque queríamos esnobar, e sim porque é a forma como a comunicação fluía, assim como sempre respeitamos e admiramos outras manifestações artísticas que são naturais, espontâneas e verdadeiras, mas que usam palavras mais simples. Tem que ter espaço pra tudo. Tem músicas da banda que são super básicas. O que importa é a espontaneidade, a verdade com que se coloca a emoção.

Que lembranças você tem de Belém? mágoas? saudades?

Nossa, lembranças maravilhosas... eu me sinto uma pessoa muito realizada e feliz, não guardo mágoas de coisas ruins, pois todas elas serviram para me fazer crescer, todo sofrimento gera evolução, então, o sofrimento é bom e importante. Quando fecho os olhos e penso em Belém, lembro somente das pessoas cantando nossas músicas nos shows, dos abraços que recebia depois de cantar, do brilho nos olhos daqueles que se comunicavam conosco através da música. Lembro e recebo até hoje, todos os dias, mensagens lindas pela net, e as vezes não tenho tempo de agradecer a todas, mas elas me tocam o coração profundamente, e quero aproveitar aqui pra agradecer todo esse carinho que recebo diariamente. Isso acho que é o maior sinal de que não devo me entristecer com nada. Que conseguimos plantar amor, alegria, bons sentimentos nos corações daqueles que nos admiram. Lembro de todos que trabalharam com a gente, que em algum momento de suas vidas dedicaram parte de seu tempo e seu talento para abrilhantar nosso trabalho. E minha gratidão será eterna.

Como é a relação entre os integrantes da banda hoje?

Maravilhosa. Conseguimos perceber com tudo isso, que nossa relação realmente foi construída de maneira muito sólida. A gente não se vê constantemente, mas quando precisamos um do outro, sabemos que podemos contar. A forma como conseguimos entender, respeitar e apoiar a decisão pessoal de cada um, quando parte decidiu voltar a Belém... não havia o que discutir, foi tudo muito harmonioso. Acima do sonho da Euterpia existe a vontade ver todos da banda sendo muito felizes. Não adianta construir um trabalho em cima da tristeza de uns. Estamos aqui para sermos felizes, e isso foi muito mais forte do que a vontade da banda continuar a qualquer custo.

Quais os projetos futuros?

Falando por mim. Como sou formada em licenciatura em música, sempre gostei muito da área de educação musical, sou apaixonada por ensinar, e desde o início queria vir pra SP pra também dar continuidade nos estudos. Amo a vida acadêmica e quero continuar minhas pesquisas em educação musical. Aqui estou estudando piano e violão, ano que vem farei minha pós-graduação.
Sou professora do conservatório Souza Lima, uma escola excelente. E estou muito realizada dando aulas lá, pois todo dia me sinto estimulada a crescer e evoluir. Sinto que amadureci como pessoa e como artista e hoje tenho a necessidade de fazer um projeto solo. Tenho planos para colocar em prática no ano que vem. Já comecei a trabalhar nele, e em breve darei mais notícias sobre isso.

E como foi gravar o DVD do Edgar Escandurra?

Nossa, foi um dos maiores presentes da minha vida. Ele me encontrou por acaso no myspace, me ouviu e gostou, e mesmo sem me conhecer pessoalmente, me convidou para participar desse novo trabalho. Então, fiz parte da banda base como backing vocal. E foi demais! Além dele ser um guitarrista incrível, é uma pessoa muito especial. Além de todos que participaram desse projeto. Foi um aprendizado novo todos os dias, a cada ensaio, a cada show, fazer backing vocal foi uma experiência nova para mim e quer saber: eu adorei!!! Aprendi horrores!. O DVD vai sair ano q vem. O Edgard tem feito alguns shows no formato trio, e nessa quinta, dia 10, fará um show no Studio SP e me convidou para cantar com ele. Não farei backing vocal dessa vez, cantarei uma música com ele, e vou tocar castanholas em outra. Minha vida aqui em São Paulo tem sido muito feliz. Estou colhendo agora coisas maravilhosas... meus planos são continuar dando aulas de canto e me aperfeiçoando pra isso. Quero um dia lançar um livro com os resultados de minhas pesquisas (mas isso ainda está bem longe). E ano que vem quero colocar em prática meu projeto solo. Vou montar um show como intérprete... estou em fase de seleção de repertório. Recendo músicas de compositores mais novos, músicas inéditas...dentre os paraenses, vou cantar músicas de Renato Torres, Felipe Cordeiro e logicamente, do meu mais fiel parceiro e amigo, Antonio Novaes.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Bafafá Pro Música


Dia 13 de dezembro é dia de Bafafá. Como todo paraense sabe, o Bafafá é um “disse me disse”, um burburinho que ronda a cidade e o país sobre a nova música que vem do Norte. E que aponta o Norte da música brasileira. O Bafafá é um manifesto que surgiu da união da Associação Comunitária Paraense de Rock (Pro Rock) e o Movimento Bafafá do Pará, capitaneado pelo compositor Paulo Luamim.
No dia 13 de julho de 2008, ocorreu o primeiro, que reuniu mais de 3 mil pessoas na Praça da República, no Dia Mundial do Rock. Um Bafafá Pro Rock. Em setembro, rolou mais um, dentro da terceira edição do festival Se Rasgum, e trouxe shows gratuitos de Johny Rockstar, Curimbó de Bolso, Telaviv e outros. Ainda rolou Bafafá no dia 28 de dezembro de 2008, quando mais de 12 artistas se apresentaram novamente na Praça da República. Jolly Jocker, Baby Loyds, Clepsidra, Mestre Laurentino e Resistência Suburbana foram alguns dos artistas que se apresentaram.
No próximo dia 13, serão mais 20 artistas fazendo o seu canto de manifesto a favor da música paraense. Cada artista ou banda apresenta 20 minutos de show em dois palcos alternados, divulgando a produção local e informando o que o movimento da música paraense faz pela cidade, pelo país e pelo mundo afora.
O Bafafá Pro Música tem apoio do SEBRAE-PA e da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e faz parte de uma campanha de valorização da música e da arte paraenses, com o objetivo de dinamizar a economia criativa em nosso estado. “Nosso objetivo é mostrar a produção musical para as famílias, para as crianças, para os jovens, enfim, que circulam pela Praça da República no domingo”, explica Nicolau Amador, um dos organizadores do evento.
“A idéia é muito boa porque, além de criar em espaço alternativo de divulgação e difusão da música paraense, também mobiliza os músicos dentro de um movimento cultural”, diz a cantora Juçara Abe, que vai se apresentar no Bafafá deste ano ao lado do pai, o compositor Rafael Lima.
O Bafafá também abre espaço para novos artistas como Arthur Kunz Trio, baterista que estréia seu projeto solo instrumental no projeto. Além dos já citados, estarão no Bafafá deste ano, Suzana Flag, Norman Bates, Vinil Laranja, Dharma Burns, Miguelitos S/A, Os Baioaras, Núcleo Base, Telaviv, Retaliatory, Pio Lobato Trio, Ataque Fantasma, Stereoscope, Dialetos, Tomates Verdes, Os Baioras, Licor de Xorume, DJ Morcegão e Máfia da Baixada e Joelma Klaudia.
Com o projeto Pará Pro Música, que esta sendo elaborado em parceria com o SEBRAE-PA, os artistas pretendem divulgar várias ações no ano que vem, como promover festivais e mostras semelhantes, além cursos de gestão e de empreendedorismo. Outros grupos, como a Pro Rock e o Bafafá do Pará também vão executar ações sociais através da música.
O Bafafá Pro Música tem ainda o apoio do selo Na Music, MM Produções, Gráfica Delta e Fórum Paraense de Música Independente.

Informações:
Email: associaprorock@gmail.com.
Fones: 9614 1005 (Nicolau) 8864 4361 (Hijo)


Programação Bafafá
13 de dezembro de 2009
Praça da República


10h – abertura

01 - Núcleo Base
Palco Anfiteatro
10h10 – 10h30

02 - Dharma Burns
Palco Carreta
10h30 – 10h50

03 - DJ Morcegão e Máfia da Baixada
Palco Anfiteatro
10h50 – 11h10

04 - Rafael Lima e Juçara Abe
Palco Carreta
11h15 – 11h45

05 - Joelma Klaudia
Palco Anfiteatro
11h45 – 12h05

06 - Os Baioaras
Palco Carreta
12h05 – 12h25

07 - Vinil Laranja
Palco Anfiteatro
12h25 – 12h45

08 - Arthur Kunz trio
Palco Carreta
12h45 – 13h05

09 - Tomates Verdes
Palco Anfiteatro
13h05 – 13h25

10 - Ataque Fantasma
Palco Carreta
13h25 – 13h45

11 - Suzana Flag
Palco Anfiteatro
13h45 – 14h05

12 - Licor de Xorume
Palco carreta
14h05 – 14h25

13 - Dialetos
Palco Anfiteatro
14h25 – 14h45

14 - Pio Lobato Trio
Palco Carreta
14h45 - 15h05

15 - Xamã
Palco Anfiteatro
15h05 - 16h25

16 - Norman Bates
Palco Carreta
16h25 –16h45

17 - Miguelitos S/A
Palco Anfiteatro
16h45 – 17h05

18 - Telaviv
Palco Carreta
17h05 –17h25

19 - Stereoscope
Palco Anfiteatro
17h25 – 17h45

20 - Retaliatory
Palco Carreta
18h05 – 18h35

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Música Para Todos – Notas II

Pará Pro Música

Havia mais de um ano que um grupo de pessoas mais assíduas tentava reestruturar a Associação Pro Rock, nascida em 2004 e, por um ano e meio, atuante na cidade de Belém. Foi em janeiro ou fevereiro de 2008 que o cantor e compositor Paulo Martins, o Luamim, pediu minha adesão ao manifesto do movimento Bafafá do Pará. Li e achei que era uma boa oportunidade de agregar os músicos paraenses em torno de um projeto estruturante.

Em 13 de julho daquele mesmo ano se concretizava uma parceria que envolvia ainda o selo Ná Music e a Dançum Se Rasgum (registrado o início da parceria aqui, no blog). Como o Fórum Permanente de Música tivesse se dissolvido, se dispersado, depois que se encerraram as reuniões da Câmara Setorial de Música promovidas pela Funarte até 2006, propomos a criação do Fórum Paraense de Música Independente, mais voltado para as preocupações dos artistas e produtores que, de certa forma, naquele momento estavam ligados por uma rede.

A idéia era pleitear ações públicas em favor do desenvolvimento da cadeia produtiva da música para gerar trabalho honesto e digno, interagindo com a sociedade, justificando o investimento de dinheiro publico com a apresentação do potencial econômico e social da música paraense, além de seu talento e diversidade.

O Programa de Ações Integradas do Fórum Paraense de Música Independente ia custar R$ 260 mil e realizar três grandes eventos, dois deles em praça pública, ia ajudar a prensar seis discos que estavam quase prontos mas por falta de poucos recursos não saiam (alguns deles não saíram até hoje) e ajudar a realizar a terceira edição do festival Se Rasgum, que enfrentava sérias dificuldades e corria risco de não se realizar naquele ano.

Pedimos ajuda à Secult, que repassou para o programa apenas R$ 13 mil. A Se Rasgum pleiteou mais por fora e conseguiu mais R$ 15 mil só para o festival. Mas quem receberia o recurso seria a própria Pro Rock. No entendimento do controle interno da Secult, porém, gerar dois processos para a realização do mesmo programa ou para ações já previstas no programa não era legal. R$ 15 mil se foram por água abaixo. Ao cobrar em nome dos colegas da Pro Rock e do Bafafá mais visibilidade para a marca do movimento no festival, numa infeliz coincindência com o revés, fui acusado de agir de má fé, supostamente sabendo com antecedencia que o festival seria prejudicado.

Olhando de hoje, observo certa ingenuidade misturada com a falta de presteza gerencial, ansiedade, passionalidade, vaidade (sempre ela) que acabaram por provocar essa situação bizarra. Porém, a inexperiência de gestão da própria Pro Rock não me permitia saber do desastre com antecedência. Jamais provocaria conscientemente uma condição que prejudicasse, por exemplo, a sanidade fiscal da associação ou que prejudicasse os parceiros, mesmo eles tendo ido negociar recursos por influências pessoais no Governo. Quem me conhece sabe disso.

As diferenças estão sendo superadas como as dificuldades, consolidação de algumas políticas, além do mais do que necessário amadurecimento das partes, inclusive gerencial. E o mais produtivo de tudo é que dois anos de discussão e estudos e análises de conjuntura da música independente e da música comercial brasileiras resultaram em um modelo de programa de fomento da cadeia produtiva. Esse programa está hoje encampado pelo SEBRAE-PA e chama-se Pará Pró Música.

A ação integrada entre o SEBRAE e os empreendedores da música paraense deve gerar um programa de referência nacional. Aderido também pela Se Rasgum, que já incluiu na semana de profissionalização deste ano a apresentação do Programa, o programa já provoca um Bafafá em outros estados através da sua divulgação informal no Fórum Nacional de Música.

O programa tem como base a inclusão do músico paraense no mercado digital, através da afirmação no mercado de um portal da música paraense, abastecido de conteúdo livre e pago, de redes sociais, de uma agência de notícias e de uma interface de negócios digitais, que deve ser gerido por uma cooperativa – modelo de negocios que também cresce em outros estados como Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Maceió.

Ao longo de três anos, a consolidação dessa plataforma digital seria incubada através da formação e qualificação de músicos, produtores e gestores em todas as áreas necessárias ao desenvolvimento. Além de ações de promoção da música paraense como criação de feiras de música, cursos de produção musical, a manutenção de um calendário de eventos importantes, como o Se Rasgum, o Bafafá e outros.

Interagindo com as redes nacional e internacional, o programa, se for bem desempenhado, vai dinamizar a produção artística já profissional e vai preparar os que ainda carecem da profissionalização, promovendo sua inclusão no mercado emergente.

David McLoughlin, o americano que vende música brasileira para o exterior através da BM&A, me disse na semana retrasada durante a Feira da Música do Sul que a música paraense esta pronta para “estourar” e fez certa referência ao tecnobrega. Eu diria que o que todo mundo diz sobre a musicalidade do Pará e da Amazônia precisa do suporte do Pará Pró Música e de uma política pública de estado consolidada para acontecer. Como diria o caboco, a gente aqui é que vive, a gente aqui é que sabe. Com a ajuda do conhecimento gerado fora por outras iniciativas pioneiras, podemos criar algo novo.

É nesse embalo que a terceira edição do Bafafá (pro música) acontece no dia 13 de dezembro, com apoio do Governo do Estado, através do SEBRAE-PA e da Secretaria de Estado de Cultura. Os apoios ainda são pequenos mas garantem mais um manifesto pacífico, no qual onde os artistas paraenses integrados ao projeto de construção de um mercado auto sustentável podem pedir a adesão do público paraense, da mídia, da iniciativa privada e dos poderes executivos. É preciso o apoio definitivo a um setor que se mostra promissor e necessário ao desenvolvimento social e econômico da região.

(Você ainda não vê nenhum conexão entre isso e mais e mais jovens sem opção e alternativa jogados pela praça da República aos domingos? Falamos mais sobre isso lá na frente.)

De qualquer forma, esse apoio só virá quando vier também o reconhecimento maior da própria classe artística. Governo nenhum vai investir em um setor que ele mesmo não se valoriza e não se organiza, por maior que seja seu potencial. A participação efetiva de todos os interessados no Pará Pró Música se faz necessária. Atualmente em fase de diagnóstico, cerca de 40 empreendedores entre músicos e produtores de quase todos os estilos já preencheram o questionário de diagnóstico da consultoria do SEBRAE-PA. Bregueiros, roqueiros, MCs e DJs já aderiram ao projeto. Falta o pessoal na música instrumental e da música regional aderir também. É preciso pelo menos mais 20 empreendedores individuais ou coletivos (associações, micro-empresas, coletivos, enfim).

Portanto eu gostaria de convidar a todos para no dia 1º de dezembro, às 15h, participarem da reunião de apresentação e adesão do programa Pará Pro Música. Nos próximos dias apresento aqui mesmo no blog os artistas que vão estar no dia 13 na Praça da República e no Teatro Waldemar Henrique em campanha pela música paraense e pelo Teatro, que ainda precisa de investimentos públicos para se reestruturar.

Nos próximos posts eu conto mais, enquanto trabalho, sobre a mobilização da música no Brasil.

domingo, 15 de novembro de 2009

Música Para Todos – Notas I

Reunião do Colegiado Setorial de Música em Brasília. Foto Manoel de Souza Neto (Fórum de Música do PR)

27 de outubro, terça-feira, Brasília. O diretor da Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD) Eduardo Rojo está sentado a meu lado junto à mesa que reúne o Colegiado Setorial de Música do CNPC (Conselho Nacional de Políticas Culturais) em uma sala do Hotel San Marco, em Brasília.

O Colegiado deve tornar-se a instância consultiva mais importante do país no que diz respeito à política pública para a música -- importante produto da cultura nacional a figurar entre seus maiores potenciais socioeconômicos. Mas é difícil organizar-se em torno da dionisíaca arte brasileira.

Reconheço Rajo de reuniões anteriores da Câmara Setorial de Música, semente embrionária do Colegiado, fomentada pela política de Gilberto Gil quatro anos antes. Rajo sempre compôs a mesa criada pelo Ministério da Cultura. Ele é participativo e é um dos que sempre tem um item a destacar nos documentos que vão definir as políticas de incentivos. Ele sabe que seu negócio dependente, em parte significativamente importante, das regras que o Estado dita.

Digo a Rajo que sempre acompanho os balanços anuais da ABPD, que não deixaram de ser indicadores importantes do mercado. Tais balanços foram citados por Márcia Tostas no livro “Os donos da voz - Indústria Fonográfica Brasileira e Mundialização da Cultura”. Através das tabelas publicadas por ela, percebemos como o negócio cresceu até o final da década de 1990, quando o Napster mudou tudo. Era (e ainda é) uma indústria multibilionária. No início, porém, nomes hoje consagrados como Caetano Veloso, Chico Buarque e o ex-ministro Gilberto Gil, entre tantos outros, nunca deram lucro a ela.

(Ironia um: Os artistas brasileiros eram contratados pelas gravadoras multinacionais por exigência do governo nacionalista militar, que não abria mão de tê-las sediadas no Brasil e operando com um catálogo nacional. Para vender discos americanos, que realmente davam lucro, a indústria não pensou duas vezes em montar um catálogo nacional. Foi assim que os artistas que contestavam a ditadura puderam gravar vários discos, consolidar sua carreira e poder ser parte do imaginário cultural brasileiro, antes de dar lucro a essa indústria. Mas a indústria não dá ponto sem nó...)

De 2001 até 2007 a curva que demonstra os lucros da indústria fonográfica desce sem parar, em média 20 a 30% a cada ano. Em 2008 uma surpresa pouco comentada pela mídia nacional este ano: a tendência de queda foi estabilizada por um respiro de saldo 1,25% positivo. Não é nada se comparado à perda acumulada, mas é muito em análise crítica de mercado.

Alguns associados da própria ABPD dizem que esse “respiro” aconteceu por efeito da crise financeira mundial. Sim, a crise financeira impulsionou a venda de discos no Brasil! É o que dizem alguns dos associados da ABPD nesse documento.
Antes do crash a economia ia próspera, mas isso não se refletia diretamente em vendas de disco. Essa prosperidade se refletia, no segmento fonográfico, no número de downloads pagos na internet, que cresceu mais de 1.612% entre 2006 e 2007. O brasileiro descobria o download pago.

No ano seguinte à “descoberta” da música digital pelo brasileiro, o mercado começou a se estabilizar. De 2007 para 2008 (período em que a arrecadação com vendas físicas de CDs e DVDs respirou 1,12%), a venda de música digital subiu novamente: 68%. Não chegou aos astronômicos quatro dígitos percentuais do ano anterior, mas é um resultado mais do que excelente.

Na telefonia móvel, outra plataforma de venda digital, o crescimento nos últimos dois anos medidos foi de 127% e 82,4%, respectivamente. O setor de vendas digital no mundo todo cresceu 25%. No Brasil, esse crescimento foi superior a 79%. E estamos falando de apenas 12% do total de arrecadação do setor fonográfico brasileiro -- a maior parte da grana ainda vem da venda de discos e DVDs físicos.

O Brasil do futuro vende música digital. O Brasil do presente ainda não pode ignorar o CD e o DVD. O Brasil do presente e o Brasil do futuro precisam se encontrar.

Com a crise financeira mundial (estourada em outubro de 2008), o comércio sofreu o chamado “efeito batom”. Os luxuosos presentes de fim de ano, como aparelhos de celulares e outros eletroeletrônicos, deram lugar a presentes mais baratos e simbólicos. E o que mais simbólico e barato do que a música brasileira? CDs e DVDs de custo muito inferior, principalmente os catálogos antigos, reeditados pela indústria a preços módicos, deram um “gás” importante no mercado. Foram estes os responsáveis pelo respiro da venda física da indústria fonográfica em 2008, supõem os empresários do disco.

(Ironia dois: A indústria não dá ponto sem nó, e não joga dinheiro fora. Lembra dos discos de Gil, Caetano e Chico que não deram lucro na época de seus lançamentos e serviam à indústria apenas para garantir que a música americana fosse vendida livremente no Brasil, por exigências legais do governo nacionalista militar?! Pois é, 30, 40 anos depois eles são capazes de entrar em catálogo novamente, sem custos de lançamento e de promoção, a preços módicos, e em tempos de crise com distribuição de renda promovida pelo Governo Lula, e vender, dando gás a uma indústria que ia mal das pernas.)

Mas Rajo explica que na música a crise não influencia, em ordem direta, em aumento ou queda de vendas de disco ou downloads. “Esse ano nós não sabemos como vai ser. Tivemos alguns lançamentos muito bons. De modo geral, o que impulsiona as vendas são os sucessos. Se você tem sucessos, a música vende.”

Rajo concorda que o artista brasileiro, “sem generalizar”, se afastou de seu público, tornou-se distante, alienado. De qualquer forma, a ABPD está sempre atenta aos movimentos e aos jogos políticos que podem influenciar no mercado. “Gostaria de ver balanços tão consistentes fornecidos por outros atores da música, pois, somos os únicos a divulgar esses números”, diz Rajo.

A Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) parece ser o alvo da “indireta” de Rajo. Hoje uma das instituições politicamente mais influentes na promoção de políticas públicas para a cultura musical brasileira, ainda não publica balanços. Seus números são de circulação, catalogados principalmente pela rede Fora do Eixo, e quase não falam em dinheiro e arrecadação.

Segundo informativo divulgado no último Congresso Fora do Eixo, realizado em setembro durante o Festival Varadouro (AC), 418 bandas circularam por 49 cidades brasileiras somente durante o festival Grito Rock, uma ação integrada nacionalmente através de coletivos de jovens que promovem a música alternativa em suas cidades.

Esses jovens recebem apoio dos governos municipais, estaduais e da iniciativa privada para a realização de shows. Parte significativa desses custos é paga pelos próprios artistas, os mais jovens ou que habitam os lugares mais distantes do eixo Rio-São Paulo, que pagam suas passagens para poder circular e ganhar visibilidade. Dinheiro, não, visibilidade, mídia etc são as principais moedas oferecidas pela rede Fora do Eixo.

Por o investimento ser fragmentado, é difícil saber quanto gira nesses negócios. Mas sabe-se de uma grande importância econômica e social, que talvez precise de uma aferição mais rigorosa de sua eficácia. Um dos princípios pregados pela rede Fora do Eixo é a Economia Solidária, fomentada pelo Governo Federal (não através do Ministério da Cultura, mas através do Ministério do Trabalho e Emprego). Foi a Secretaria Nacional de Economia Solidária que ensinou ao Fora do Eixo e à Abrafin que eles praticavam a chamada Ecosol.

Em 2006, numa das últimas reuniões da Câmara Setorial de Música no Rio de Janeiro, Fabrício Nobre, me disse que o Ministério do Trabalho procurou por eles. “Nós nem sabíamos que praticávamos a tal da economia solidária”, disse.

A Economia Solidária tem um princípio/meio socialista de apropriação dos meios de produção e divisam dos lucros entre os cooperados. Não é novo e é um princípio ligado ao capitalismo. Surgiu na Inglaterra depois da revolução industrial, quando os artesãos desempregados começaram a criar as cooperativas. A Economia Solidária deveria funcionar como um regulador do capitalismo. Está ligada a setores em que o capitalismo predatório não tem grande interesse. Como é o caso dos artesãos, dos catadores de lixo, e, ao que parece, dos “músicos pedreiros”.

Sua aplicação a um segmento que se confunde com o que é chamado também de Economia Criativa, setor nada desprezível nesta nova etapa do capitalismo global, gera contradições. Como manter duas frentes de música, uma profissional, onde não se aceitam barganhas, e outra semi profissional, que negocia sua produção pela visibilidade e pela tentativa de alcançar o topo do circuito independente? Quem julga quem ser capaz de atravessar essa linha?! Para roqueiros vaidosos e contestadores isso torna-se um problema.

Some-se a isso todas as diferenças regionais e os artistas profissionais que não se contentam em pagar para ter a visibilidade que já conhecem e teremos um pequeno gargalo a superar no desenvolvimento dessa economia. Nessa brecha, os fóruns estaduais de música, mobilizados pelo MINC quatro anos atrás começam a mostrar propostas para os setores não contemplados com nenhuma das duas vertentes em voga. Uma reorganização desse cenário está se configurando.

Estados como os do Norte ainda não aproveitam a circulação porque é cara e porque ainda não tem condições de circular com bons discos e material promocional. A ideologia da circulação, a máxima de que música não se vende mais, apenas se distribui para angariar shows tem excluído projetos de qualificação da produção musical, que afetam justamente os artistas do Norte, com maior dificuldade de acesso a tecnologia e informação qualificadas, de gravar bons discos (ou DVDs ou produzir bons shows). Sofremos o apogeu da nossa regressão auditiva proclamada por Adorno?!

Acredito que com mais programas e projetos na área de qualificação, a rede de circulação vai funcionar mais azeitada e outros caminhos podem se abrir para os artistas ditos independentes, como, quem sabe, o mercado digital. Uma realidade que, no Pará, só vejo capaz de mudar com a iniciativa do Fórum Estadual, que provocou o SEBRAE para a criação do programa Pará Pró Música.

O exemplo do Pará é uma mostra de que podem haver outros caminhos, sem que nenhuma outra iniciativa seja anulada.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Orgulho índio

Foto de Lucivaldo Sena

Sábado, 31 de outubro. Parque Ambiental de Paragominas, Pará. Faltam pouco mais de 20 minutos para as 18h e uma índia Assurini, etnia que eu já conhecia de visitas a uma aldeia em Tucuruí, finaliza uma pintura nos meus braços. Nesse momento, as delegações dos vários povos reunidos para os décimos jogos indígenas, hospedadas em várias ocas no espaço conexo à arena, começam a se preparar para entrar em cena.
Os anfitriões Tembé se reúnem e fazem uma oração. Todas as demais etnias, com suas pinturas e adereços característicos, começam a sair das ocas e a dançar, cantar e tocar instrumentos de percussão como o maracá. Os Assurini usam instrumentos de sopro de quase dois metros de comprimento, feitos em bambu. Três índios tocam um acorde grave e constante. O som é hipnotizante. A lua cheia já começa a brilhar no céu, mesmo com o respingo de luz do final da tarde. A poeira levanta com o pisar de pés descalços.
Jornalistas e fotógrafos são proibidos de entrar naquela área. Apenas os atachê (ajudantes) e os organizadores conseguem imagens privilegiadas desse ritual coletivo de celebração. Aos poucos as tribos vão se organizando em fila para entrar na arena. Na saída da aldeia para entrar na arena uma pequena multidão de fotógrafos profissionais se arma, sedenta.
Na arena, um grande sistema de som com PAs tipo air fly (usados em grandes concertos de rock ou música sertaneja) toca canções de “brancos” com a temática indígena. “Todo dia era dia de índio”, de Baby Consuelo, é a mais comum, mas rola até “Índios”, da Legião Urbana. O ritmo dançante contrasta com o som tribal na aldeia ao lado. O apresentador Pacífico Júnior, que chegou há uma semana na cidade, faz a preparação do espetáculo com carisma. Apresenta as autoridades e anuncia o acendimento das tochas. Conta histórias sobre o senso comum que diz que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil. Exalta a figura indígena.
Quase 10 mil pessoas lotam as arquibancadas. Por volta das 18h20, as etnias começam a ser anunciadas. Os Tembé, que tem uma reserva em Paragominas, são os primeiros, os anfitriões. Uma a uma são anunciadas as delegações: Kaiapó (MT), Kaigang (RS), Xokleng (SC), Xavante (TO)... cada uma é anunciada com as suas características e os seus maiores dotes esportivos. Na entrada, soa a introdução de “O Guarani”, de Carlos Gomes. Eles são recebidos com salvas de palmas e gritos entusiasmados da platéia.
Depois das apresentações, acontece uma corrida de toras. Duas equipes Xavante deram três voltas na arena, revezando em carregar uma tora de buriti de 120 quilos. A equipe número um ganha, mas as duas celebram. Não há placar. “Aqui, mas impotante do que vencer, é estar juntos, celebrando”, explica Pacífico, que participou de todas as edições dos jogos.
Os Terena, etnia do embaixador para as Nações Unidas Marcos, um dos idealizadores dos jogos, dançam no ritual do fogo, celebrando em volta de uma grande fogueira. A lua já está alta. E o ponto alto se aproxima. O Hino Nacional é executado em português e em língua indígena. As piras dos totens que são os símbolos dos jogos são acesos. Estouram os fogos em um espetáculo visual impressionante.
São 20h30 e a abertura dos jogos está oficialmente encerrada. As pessoas se reúnem na arena, conversão com os índios e batem fotos. Algumas meninas chegam a brincar dizendo que querem autógrafos.
Jaqueline Araújo da Conceição, 21 anos, estudante do terceiro ano do ensino médio, junto com a tia e irmãs, parece uma tiete cercando um ídolo pop. “Nossa, eu nunca tinha visto índios tão bonitos”, diz ela, entre sorrisos largos. “Adorei, ainda não tinha visto um espetáculo tão bonito”, concluiu. É só o começo. Ainda tem uma semana de jogos pela frente.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Clichê do Verbus


A cantora e produtora Gláfira Lobo estreou em grande estilo, com o grupo Verbus, o espetáculo cênico musical "Clichê Madito". Foi na sexta-feira passada durante o show de Moska em Belém. O espetáculo, bastante elogiado, está em cartaz a partir de hoje no Boteco São Matheus, e permanece em cartaz durante todas as quartas de outubro. Vale muito conferir. O grupo Verbus também está lançando o DVD de seu espetáculo anterior, "Sobre o amor", que teve temporada gloriosa no "Bar da Walda", protagonizada por Carlos Vera Cruz e Landa de Mendonça, que hoje está em São Paulo. O DVD foi gravado durante o Forum Social Mundial e foi produzido pela produtora Multi AB, de Alexandre Baena, com apoio de Ná Figueredo. Você pode comprar o DVD no São Matheus ou nas lojas Ná Figueredo.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Curta Carajás

Estão abertas até o dia 23 de outubro as inscrições para a mostra competitiva de filmes de curta metragem do Curta Carajás - Festival de Cinema de Parauapebas, que vai acontecer de 10 a 14 de Novembro. Entre os prêmios, o Melhor Curta ganha 5 Mil Reais.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

No Balanço do Rock

A turma do Tributo aos Delinquentes no estacionamento da Funtelpa, depois do programa Balanço do Rock, no sábado passado

“Um tributo Delinqüente” é um dos melhores e mais originais discos no estilo que já escutei em qualquer lugar. Marca o aniversário de 24 anos da banda liderada por Jayme Catarro, 40. Ressalta, além da verve poética apocalíptica do vocalista/letrista da banda mais hardcore de Belém, os importantes dotes de uma das figuras mais importantes do rock paraense.
Não me lembro a primeira vez que vi ou fui apresentado pessoalmente a Beto Fares. Mas lembro que sempre fomos muito bem recebidos nos estúdios do Balanço do Rock, programa da Rádio Cultura FM do Pará, que está no ar há 19 anos, e que tem em Beto Fares a sua figura principal hoje. Lembro que os caras mais descolados da minha turma do rock na escola troçavam do inglês dele, mas todos ouviam o programa no início dos anos 90 com muito entusiasmo e freqüência. Foi assim que aprendemos a admirar figuras que depois vieram a ser nossos amigos e colegas de prof(c)issão, como Giovani Villacorta (Baby Loyds), Jayme Catarro (Delinquentes), Cláudio Figueredo (Tribo), entre tantos outros.
Beto simpatizou com o Norman Bates de cara, sempre foi um defensor do nosso som, tanto que é quase como um sexto integrante da banda.
Num meio onde as vaidades inflamam os egos e acendem fogueiras que se apagam no primeiro inverno, Beto tem a qualidade maior da simplicidade e da honestidade. Foi assim enquanto esteve na direção da rádio. Como ele disse no último programa, “a minha panela tem pouco feijão, mas eu sempre divido”. E sempre foi assim, mesmo, independente dos governos que tenham passado e ocupado a direção da Fundação de Telecomunicações do Pará (Funtelpa), que responde pela rádio e TV Cultura no Pará.
Beto tem a vantagem maior de não ser artista e não querer ser o que não é. Não precisa se “vender” como a maioria de nós. Essa “capa” que vestimos como se fosse um uniforme obrigatório do nosso trabalho, e que acaba por esconder nossos objetivos, os mais nobres e os piores. Infelizmente, o meio artístico está cheio daqueles e de outros. Não fosse assim, e pessoas como Beto Fares teriam o reconhecimento que merecem há mais tempo.
O teve de forma enviesada quando Faustão o chamou na TV pelo nome, com intimidade, como se o conhecesse de longa data, “Grande, Beto Soares”. Fausto Silva errou o nome, mas poderia ter feito justiça também a outro importante parceiro de Beto, o Toni. Mas a TV não vai fazer a justiça correta que ambos merecem. Aqui, eu faço a minha parte a respeito de Beto.
Era para ser uma entrevista sobre o tributo aos Delinqüentes, que também completam aniversário este ano. Mas virou mais que isso. Nosso papo demorou três consideravelmente longas sessões no MSN. Mesmo doente e atarefado, fiz questão de editar a primeira parte hoje, dia do lançamento digital do tributo. Confira no Portal Cultura o programa que vai ao ar todos os sábados na 97,3 FM. E baixa aqui no Blog do Azul.

Nicolau: Quando surgiu a ideia de fazer o tributo aos Delinquentes e como foi?
Beto: Cara, a idéia não é nova, inclusive não fui o único a pensar nisso. Sei que o Luciano, do Tennebrys também tava com vontade de fazer. Aí, a gente resolveu fazer agora porque era um bom gancho pra comemorar o aniversário do Balanço do Rock e da banda. Eu, Ulisses Moreira e Regina Silva estávamos tentando fazer um aniversário com um registro, já que 19 anos (do Balanço) significa ano 20. Queríamos marcar.

Pois é, já se vão quase 20 anos. Fala um pouco de como começou o programa.
Aqui na radio tinha o programa Rock da Silva. Que por motivos rocker (rsrsrs), foi tirado da grade. O (jornalista) Felipe Gillet logo pensou em fazer um novo programa. Ele trabalhava aqui, na TV Cultura, e falou com o Marcelo Ferreira, programador musical da radio na época. Eles formataram uma série de 12 programas pra contar a história do rock até os anos 1980. Eu fui convidado pra fazer o roteiro musical. O Marcelo e o Felipe fariam o levantamento histórico. Fechada a ideia, o projeto foi levado pra direção da rádio que aprovou. Isso foi no primeiro semestre de 1990. Na volta das ferias o programa entrou no ar. Aos poucos foi criando uma audiência bem relevante.

Como foi que tu assumiste o programa?
Pois bem, o Edgar Augusto assumiu a diretoria da rádio e me passou para produção da radio. Era uma promoção, porque eu era discotecário. Na produção, ele me passou o programa. Fiquei com a direção e produção. Aí, resolvi mudar o formato de contador de história pra comentários. Tipo os programas da BBC. O programa já tinha uma boa audiência. Por conta disso, abrimos uma sessão só para pedidos. Foi aí que a porca torceu o rabo. A maioria dos pedidos eram de bandas locais, que nem música gravada tinham.

Foi aí que o programa passou a interferir diretamente na cena local...
Pois é, em 1993, resolvi reformatar o programa. Solicitei pautas de estúdio para o programa. A idéia era gravarmos as músicas pedidas pra podermos atender as pessoas e ajudar as bandas. Para não virar farofa. A gente ia no show ver se a banda merecia mesmo ser gravada - merecia no sentido de que se eles eram uma banda autoral, se tocavam direito, e se estavam dentro das linhas editorias do programa. Esse é o aspecto, que no meu entender, deu essa longevidade pro programa. Quem mantém a audiência do Balanço do Rock é o som local.

Pô, o programa gravou muitas bandas...
Cara, muitas. Nem sei quantas. Gravamos o DNA, Jolly Jocker, uma banda do Pesão que não lembro o nome. Isso foi bacana. Essa banda do Pesão precisava de uma gravação pra mostrar para um gringo que tinha um iate. Ele queria uma banda de rock pra tocar numa excursão. Ai, o Pesão veio aqui pedir esse socorro. Foi na hora q topamos ajudar. E não é que o cara ganhou a vaga e foi na excursão marítima tocando. Rsrsrs. Gravamos o Solano Star, Tribo, Orador, Retaliatory, Norman Bates…

Yeaahh!

Na verdade, desde que começamos a gravar, sempre a geração vigente termina passando pelo Balanço, por isso é difícil enumerar. O bom disso é o convívio direto com a música da cidade. Cara, esse papo do Balanço foi tão forte que o projeto saiu dos âmbitos do programa e foi criado um núcleo de produção na rádio só pra fazer isso. Eu, Assis Figueredo e Heraldo Pereira, no caso

Para quê? Gravar as bandas?
Nós passamos a ter uma pauta semanal pra gravar. Daí, fizemos a primeira gravação do Arraial do Pavulagem. O Ronaldo silva não lembra mas, som, fomos padrinho dessa bagaça. Gravamos o Adelbert Carneiro, a Iva Rothe, Dayse Addario, Nei Conceição, e por ai foi Era uma versão replicada do Bdor. O Bdor tinha basicamente uma musica inédita e exclusiva por programa. A radio tinha uma música inédita e exclusiva por semana. Foi nessa que aprendi alguma coisa sobre produção musical.

E como você começou a gravar os discos valendo?
Bom, isso já foi mais na frente. Tínhamos feito umas gravações do folclore do Pará para um programa que foi proposto para grade de programação da rádio. Começamos a mapear essas coisas. Gravamos vários grupos de boi-bumbá. Com as gravações o Toni Soares propôs para o Nélio Palheta, então presidente da Funtelpa, pra fazer um CD. Ele topou. Então, foi criado o selo Paraenssíssima. O primeiro cd foi o do Vavá da Matinha. Um CD de resgate. Depois o Belém dos bumbas, Carimbó de Vigia. Antes do selo, fizemos produções de disco com Delinquentes e Norman Bates. Mas isso era parceria. Não foram discos lançados pelo selo, foram gravados por nós e lançados pelas bandas em parceria como Na Figueredo.

Mas teve o “Container”, que era uma coletânea que nunca chegou a sair em CD. Lembro que duas músicas do Norman Bates dessa coletânea entraram no nosso primeiro disco.
O Container foi o um projeto Conceitual. A gente queria chamar a atenção para uma nova audiência no Balanço. Eu acompanhava o circuito na época e via muita banda nova já com características novas, aquela coisa dos anos 90 mesmo. As bandas que estavam vigentes eram muito oitentistas ou banda de metal, no Container, além do Norman Bates, tinha o Carmina Burana, Mangabezo, Niko Demo, Delinqüentes e Cravo Carbono.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Festa para o VMB 2009




Suzana Flag, ProExf e DJS da Meachuta fazem a festa hoje da MTV Belém para a transmissão do VMB 2009, o prêmio de melhores do ano da música e da cultura pop promovido pela emissora. Vai ser hoje no Café com Arte, reduto da cultura pop art em Belém.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vou de clipe


Ainda sem tempo para posts mais substanciosos, como diria um antigo editor. Mas vale o registro: a bela e competente Priscila Brasil continua voando alto. Além do clipe do Curumim, tem pelo menos mais três clipes de bandas de fora do Estado a serem produzidos até o final do ano.

domingo, 20 de setembro de 2009

Um pouco mais de Norman Bates

Por Ana Flor. Manuel Malvar com vontade de voltar. Confira mais fotos do ensaio do Norman Bates, para o show do dia 10 de outubro no Café com Arte, no meu perfil.

Som do Norte

Ainda que tente, e estão surgindo novas boas tentativas, a imprensa escrita já não dá conta dos acontecimentos da cena independente no Pará. Por isso celebro sempre a chega à blogosfera de novos adeptos da cena independente por essas bandas. Se no Pará é tanta coisa, imagina na região Norte. Então, nada mais normal do que comemorar a chegado do blog Som do Norte, do jornalista Fábio Gomes. A gente já tem Rock Pará, Veiapop, que preenchem muita coisa, principalmente, porque estou sempre muito ocupado com minha atividade jornalistica e meus projetos musicais/politicos para postar tanto quanto gostaria. Então, vamos ampliar nosso espaço nessa rede. Seja muito bem vindo, Fábio.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Paulo quem?


PAULO PONTE SOUZA é artista plástico nascido em Belém do Pará, em 1972. Entre 1990 e 1996 cursou a Faculdade de Educação Artística na UFPA. Sua primeira exposição individual - “Antes de Mim”-, aconteceu em setembro de 1996 em sua cidade natal. Em Belém, expôs ainda, A Voz e os Ossos, em 2000, Noite – Rito – Travessia, 2002, e Pintura – Cabeças Noturnas – Sonâmbulas sem Nome, 2004. Em 2005, expôs Mercado Livre das Almas em Delírio na Galeria Theodoro Braga e no Bar-Galeria Pimenta Café. Em coletiva, esteve no III e no IV Salão Unama de Pequenos Formatos (1997 e 1998), com três obras selecionadas em cada ano. Em 2006 expôs “A realidade não representativa” na galeria da UNAMA, resultado de bolsa de pesquisa do IAP. Nacionalmente já apresentou seus trabalhos nos estados de Minas Gerais, Pará e São Paulo, com mostras individuais e coletivas.

domingo, 13 de setembro de 2009

Novo Mohamed?

O projeto musical de Bruno Rabelo e Lázaro Magalhães (citados em post anterior) traz ainda o baterista Ranieri e o vocalista Marco Tuma, ambos ex-integrantes da banda Mohamed, que chegou a lançar uma demo da década de 1990. Os integrantes do Mohamed citavam sempre a influência do Helmet, banda que ajudou a definir novos rumos para o metal naquela década.
A banda tinha na performance de Bruno(sim, ele também era da banda) e Ranieri um grande diferencial. Ranieri voltou a Belém depois de longa temporada fora. Quem viu disse que ele "está tocando muito". Tuma e Magalhães revesam os vocais, e Jeová (Coisa de Ninguém) completa o time no baixo. Mas não é bem certo que o baxista, devido a outros compromissos, permaneça até a estréia da banda ainda sem nome. Aguardem.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Diva confessional

Megh Stock em nova fase


Conheci Megh Stock em 2006, quando a banda Luxúria esteve em Belém. A voz potente também era capaz de criar climas sussurrados e melodias elaboradas. A influência de Etta James formava um estilo charmoso com a proposta hard rock da banda, acentuando ainda mais o potencial sexy ressaltado por algum produtor ao sugerir o nome da banda.
As letras confessionais já demonstravam que Megh era uma pessoa intensa, cheia de emoções. Emoções que pereciam explodir de dentro dela, incontinentes no belo e pequeno corpo de pouco mais de 1,60 metro de altura.
No camarim, Megh (simpática, falante e agitada) demonstrou de cara o que agora confirma no bate papo que tivemos para o blog: era um menino em corpo de mulher. Mostrou letras novas e contou um pouco da vida. Uma carreira de bailarina interrompida e um romance trágico, uma vida conturbada, enfim, fez de Megh Stock uma artista intensa, em que sempre vale a pena prestar atenção. “Não é fácil”, disse ela naquela noite de dezembro, antes de dividir o palco com Sammliz, do Madame Saatan.
Megh chega novamente ao público junto com seu parceiro Luciano Dragão, não mais sob a alcunha da banda que a tornou famosa no meio independente brasileiro, mas em carreira solo. Lança seu primeiro disco nesse formato, “Da minha vida cuido eu”, pela gravadora EMI Music.
Demonstrando força e coragem, Megh provoca mais uma mudança radical em sua vida, e chega aos 30 anos no próximo dia 20 divulgando um disco de blues folk rock que ainda estou saboreando. Enquanto não trago novas sobre o som do disco aprecie um pouco do bate papo que tivemos no MSN.


Nicolau: Como foi concebido esse novo trabalho e que aconteceu com o Luxuria?
Megh: Sentimos, durante a composição desse disco, "Da Minha Vida Cuido Eu", que havia uma mudança significante no caminho musical. Gravamos com a mesma banda que tava rodando como Luxúria, mas achamos que o nome tinha perdido seu sentido no meio do caminho. Tinha ficado muito agressivo. Agressivo e forte para uma sonoridade mais madura.

Você começou a gravar quando?
Há um ano. Entre pré-produção e gravação. Foi uma experiência maravilhosa, já que Dragão (baixista do Luxúria) produziu ao meu lado.

Você já estava parada com a banda já fazia um tempo, né?
Já. Tava organizando as idéias. Já sentia uma mudança considerável no momento em que compunha as músicas.

Naturalmente essa mudança refletia um momento da sua vida. Mesmo no Luxúria, suas letras já pareciam bastante confessionais, vamos dizer assim. Como foi esse processo de composição?
Não sei se existe explicação para isso, rsrsrs. Mas com certeza ainda deixo escapar coisas pessoais nas composições. Mas é importante dizer que esse disco fala mais sobre comportamento e relação interpessoal. Aprendi a me colocar no lugar das pessoas ao escrever.

Você se preocupa com isso? Com o seu lado pessoal nas composições?
Não. Não me preocupo com nada. Gosto de deixar a idéia nítida. É como um desafio pra mim.

Qual a canção que você mais gosta no disco?
"A Porta" é uma música que eu adoro. Gosto da cadência, da letra, dos metais...

O que mais te influenciou na concepção desse trabalho, musicalmente falando?
Basicamente blues, rockabilly, rock clássico e por incrível que pareça: MPB. Ah, gosto muito de "Ele Se Sente Só" [faixa do disco].

Você tem alguma figura feminina que lhe sirva de inspiração?
Tenho muitas! Etta James é a primeira delas. Agora tenho ouvido Imelda May. A diva e suas contemporâneas, rsrs. Mas também gosto muito das cantoras nacionais, Marisa Monte, sem dúvida a melhor, Maria Rita, Céu...e Cássia Eller.

Você acha que o rock, assim como o nome "Luxúria", limita o teu trabalho?
Um pouco. Me sinto mais a vontade carregando meu nome mesmo. Assim, não preciso me preocupar com o estilo. Sou cantora, posso fazer música de todas as formas, apesar de ter o rock correndo nas minhas veias.

Como vai ser o trabalho de divulgação desse disco?
Temos um single tocando pelo Brasil, "Sofá Emprestado". Assinamos esse ano com a EMI, uma gravadora muito séria e batalhadora. Faremos um primeiro lançamento em casa, em São José dos Campos, já que gravamos o disco aqui. Com músicos daqui, com parcerias de artistas daqui.

Você está morando em São José dos Campos?
Sim, e to amando. Qualidade de vida sem comparação.

Deve ser uma fase boa da sua vida.
Sim. Tenho um filho de 9 anos. Faço 30 no mês que vem! 20 de setembro!

Sério?
Afff. Sério! Muito sério! rsrsrsrssrsrs

A melhor fase da vida de qualquer pessoa.
Eu to curtindo. Me sinto mais bonita sabia????

Eu não tenho a menor dúvida...
Tenho o espírito jovem. Sou um moleque no corpo de mulher.

A idade reflete no resultado desse disco?
Sem dúvida. O foco muda, as reações mudam, os interesses. Hoje não falo de revolta, falo do comportamento das pessoas ao meu redor. Os meus amigos são muito inspiradores, rsrsrs.

Você fez psicanálise ou coisa parecida?
Não...vai...um contato de leve, nada muito profundo. rsrs

E essa coisa toda de crise da indústria fonográfica, vai influenciar a promoção do disco?
Deus queira que não, rsrs. Mas todos sentimos a dificuldade...principalmente na arte.

Mas falo no sentido de ter estratégias de promoção diferentes.
Sim, apostamos muito mais nos shows pequenos, casas menores. Sabe, tento não me preocupar muito, somente fazer um bom trabalho. O mercado fonográfico satura qualquer artista e a última coisa na qual se preocupam é com a qualidade. A crise fica em segundo lugar. A internet é nosso maior aliado. Isso, sim, podemos chamar de nova estratégia... Fui clara??? Acho que não.

Foi, sim. Mas fala mais...
Ah, faz tempo que eu não vejo alguém fazendo rock clássico e blues, com letras em português, como Barão Vermelho e outras bandas. Temos muito disso pra oferecer aos carentes do verdadeiro rock que ficou perdido no Brasil. Sem ser metida...claro!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Círio de Nazaré em Roraima


Amanhã, em Boa Vista (RR), acontece a exposição “Visões de Fé”, uma seleção de fotografias de procissões do Círio de Nazaré. A exposição reúne 12 fotos captadas desde o ano de 2004 pelo olhar sensível da fotógrafa e jornalista Andréa Lia Amazonas.
O lançamento da mostra será durante evento beneficente patrocinado por empresários locais do Grupo Perin juntamente com a Liga do Câncer de Roraima. Foi um evento planejado a dois anos que coincide com o dia de aniversário da Liga.
A médica Magnólia Rocha, fundadora e presidente da entidade, afirma que, com os recursos arrecadados no lançamento da exposição, que tem confirmada a presença de mais de 400 pessoas, prosseguirá com as ações de promoção à saúde, prevenção da doença e assistência ao paciente. A Liga é uma entidade que sobrevive de doações da sociedade e de empresas.
Andréa Lia Amazonas foi convidada para fazer uma mostra temática do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, com o objetivo de que os roraimenses conheçam a grandiosidade da maior festa católica do Brasil, que se aproxima.
Natural do Acre, Andréa cresceu em Belém e se identifica com a religiosidade do povo paraense. Fotografando há mais de nove anos, ela começou ainda com as lentes e os negativos analógicos, experimentando as texturas do papel e o contraste em preto e branco. Há cinco anos optou definitivamente pela câmera digital.
As fotos da exposição mostram como o olhar de Andréa sobre os símbolos de fé evoluiu ao longo dos anos. A corda, objeto que se energiza na força e na fé dos promesseiros, torna-se símbolo e torna-se novamente objeto, souvenir de fé e esperança renovadas.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Blogosfera paroara

Entrevistas e informações importantes sobre a música independente no Pará e no Brasil você encontra no Rock Pará, de Sidney Filho. Ele fez a entrevista que eu não pude fazer com Lais Eiras e levou um papo cheio de referências a bandas paraenses com Philippe Seabra (Plebe Rude).

Flagrantes fotográficos

David Alves teve uma ideia legal. Colocou seus flagrantes fotográficos de jornalistas parenses em ação no seu mais novo blog. Veja lá e ganhe a chance de comentar se me encontrar por lá.

Feira da Música em Belém

A Feira Música Brasil, o maior evento neste segmento da América Latina, vai voltar a acontecer em dezembro em Recife, depois de dois anos off line. Após esta, que será a terceira edição da Feira, ela será realizada a cada ano em uma capital brasileira diferente. Representantes do selo Ná Music, Se Rasgum, Pro Rock e Casarão Floresta Sonora voltaram da Feira da Música de Fortaleza, que aconteceu no mês passado, com uma idéia fixa na cabeça: trazer a Feira Música Brasil para Belém em 2010. Uma grande idéia endossada pelo blog, que abre desde já a campanha em favor de Belém como sede da feira. Até lá, o Sebrae e o Fórum Paraense de Música Independente (FPMI) já estarão com um ano do programa Pará Pró Música. Sobre este programa, aguarde novos posts em breve.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Workaholic da música independente

Iuri Freiberger na Toca do Bandido

O produtor Iuri Freiberger, que está finalizando nesta semana o disco Souvenir da banda paraense Suzana Flag, troca, sem previsão de volta, a capital carioca por Recife. Freiberger já está lecionando disciplinas como “mixagem”, “técnicas de gravação” e “montagem de sistemas de sonorização” no curso de produção fonográfica da Aeso - Faculdades Integradas Barros Mello - o único do Norte/Nordeste.
Iuri, que já gravou e mixou vários discos no estúdio Toca do Bandido (RJ), do saudoso Tom Capone, está no Rio até hoje para fechar últimos ajustes de mix em Souvenir e gravar a participação de Ney Matogrosso no disco da banda Cabaret, um de seus últimos trabalhos gravados por lá. Depois, ele volta para Recife onde finaliza ainda o disco instrumental de Paulo Rafael, guitarrista velha guarda de Alceu Valença.
Em Recife, Iuri vai desenvolver outros projetos com a Aeso, parceira do festival Abril Pro Rock, e com a banda AMP, que está montando um grande estúdio de audiovisual na manguetown. O gaúcho Iuri Freiberger produz bandas indies desde a primeira metade da década de 1990 e também faz monitoramento de PA’s nos principais festivais da Abrafin, além de tocar com a banda Tom Bloch. O cara é um verdadeiro maratonista, ultrarrequisitado pela qualidade de seu trabalho.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Old School

Alex Pinheiro, Beto Fares e Sidney Filho são os primeiros DJs confirmados para a festa de retorno dos psicopatas do Norman Bates, no dia 10 de outubro, no Café com Arte.

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Amigos, vamos ajudar a torna o Qualquer Bossa popular, assim a gente ajuda a torna popular a nossa cultura. Sintam-se em casa, só peço para apertarem nesse botãozinho que eu coloquei a pouco tempo aí do lado e que registra que por enquanto tenho 9 seguidores. Espero por voces.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

No balanço das horas



A jornalista (amiga que conheci em 2003 no Goiânia Noise Festival) Laís Eiras está lançando hoje um livro digital sobre uma jovem que volta aos anos 80. Uma pena eu estar tão atarefado e não poder entrevistá-la agora. Mas você pode saber mais no link. Eu recomendo. Laís sabe contar histórias de maneira fantástica e cativante.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Uká Uká


Norman Bates por Ana Flor.

Um dos últimos animais que raciocinam, orgulhosamente, apresenta mais um retorno, a volta dos que não foram: Norman Bates dia 10 de outubro no Café com Arte. Isso mesmo, véspera do Círio, se você quiser variar um pouco da festa da Chiquita. Estamos confirmando DJs e um projeto inédito para a abetura. Aguarde novas.

domingo, 30 de agosto de 2009

Maluco não pára...


Cravo Carbono por Renato Reis.

...maluco dá um tempo, já dizia o jargão da malandragem classe média do bairro do Marco. Não fossem quase dois nerds, poderia se aplicar a frase a Bruno Rabelo e Lázaro Magalhães (ex-integrantes do grupo Cravo Carbono), que depois de quase dois anos preparam um novo projeto musical, guardado a sete chaves. Musicalmente adiantado, o projeto ainda não tem nome nem previsão de vir a público, mas não tarda. Quando você menos esperar está por aí, quem sabe nas aparelhagens de Belém.

Bruno e Lázaro protagonizaram, junto com Pio Lobato, um episódo curioso e um tanto bizarro dentro de uma dessas novas redes sociais. Numa tarde qualquer, depois de comentar um tópico de uma fã da banda na comunidade do Cravo Carbono no Orkut, Lázaro e Bruno se viram defedendo pontos de vista, ora atacando ora defendendo-se de Pio, às vezes com pouquíssima discrição. Publicamente, numa pendenga que durou dias. De acordo com o debate, o CC era uma banda dividida entre uma ala "profissional" integrada pelos músicos por formação e escolha, que eram Pio Lobato e o baterista Vovô, e os "amadores", formados pelos dois outros parceiros, que dividiam suas atividades como músicos e compositores com outros empregos diurnos, supostamente menosprezando a atividade musical.

O Cravo Carbono não fez nada menos que revolucionar a estética da música paraense, trazendo as influências do pop e do rock progressivo e fundindo-as ao merengue, ao brega, à guitarrada, tudo muito bem temperado com um suíngue atípico e uma poesia refinada. Talvez o tenha feito por ser extamente isso que seus integrantes expuseram a público de maneira tão chocante: um ser híbrido, que foge aos padrões da indústria da música. Coisa comum na fase semi-profissional que a música paraense se encontra, a meu ver, desde sempre.

Quando essa fase for suplantada talvez nós continuemos a perder coisas mágicas como o Cravo Cravo e tantas outras bandas que ficam sempre pelo meio do caminho. Mas temos esperanças de ganhar novas coisas muito boas também.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Música, jornalismo e redes sociais

Ontem, durante minha oficina de jornalismo cultural na Semana de Comunicação da Unama, perguntei aos meus 30 alunos, todos estudantes de jornalismo entre o segundo e o oitavo semestre, se alguém usara o Napster ou se tinha conhecimento de como funcionava o software; ou da importância dele para a cultura de compartilhamento de arquivos que temos hoje. Nenhum deles usou e nenhum deles sabia a resposta.
Poucas horas depois, numa mesa-redonda dentro da mesma Semana de Comunicação, lembrei aos debatedores Alexandre Ramoa e Pedro Loureiro, que discutiam sobre “redes sociais”, que este ano faz uma década que foi criado o software que revolucionou o modo como consumimos música.
Começou como uma brincadeira de um universitário entediado e terminou dois anos depois sob protestos de todas as grandes gravadoras do mundo e do então todo-poderoso Metallica, a banda de heavy metal que virou piada entre seus fãs depois de se declarar publicamente contra o Napster e de mover ações judiciais por atentado ao direito autoral.
Depois de 2000, a popularidade do software cresceu assustadoramente: algumas fontes dizem que o pico de usuários conectados ao mesmo tempo chegou a oito milhões, mas no total havia mais de 25 milhões de usuários, incluindo on-line e off-line, todos com um único interesse em comum, a música. A partir daí, a cada mês uma versão nova dele era lançada.
Algumas dessas versões permitiam abrir chats e conversar com o usuário de que você estivesse baixando as músicas em tempo real. No meu harddisck eu tinha demos da minha banda, a Norman Bates, e soube como esse não era um nome original para um grupo de rock: descobri pelo menos mais três bandas homônimas. Com uma delas, a Norman Bates e os Corações Alados, de Santos, pude estabelecer uma conversa surreal: ao mesmo tempo que os dois usuários trocavam MP3 de diferentes bandas com o mesmo nome, conversavam sobre suas origens, influências e...direito autoral. “Será que vamos ter que pagar royalties para a Warner (detentora dos direitos sobre o filme Psicose)?”, era uma das questões que suscitávamos.
Por essas e outras, além de revolucionar a indústria da música, o Napster foi o pioneiro do que nós discutimos hoje sob o tema “redes sociais”, que é na verdade um pleonasmo dentro da web, uma vez que “a rede” não se criou somente através do compartilhamento de grandes servidores mas também de computadores pessoais, interligados entre si, como já ressaltou Alexandre Matias no artigo para o Estadão que achei depois de uma breve pesquisa suscitada pela discussão.
A desativação do Napster por parte de um conglomerado que representava os interesses das grandes gravadoras, entrou para a história dessa transição como a grande gafe da indústria fonográfica, que não entendeu o potencial de ter tantas pessoas conectadas com um interesse em comum -- com os Dela inclusive.
Jornalistas contemporâneos devem estar preparados para compreender processos de transição cultural como esse a seu tempo, podendo contribuir com a construção de uma sociedade mais justa e evoluída socialmente. Mas só vamos formar esses profissionais se tivermos a técnica adequada e a ética necessária para tal transformação. Ser jornalista na Amazônia, uma das mais importantes fronteiras do capitalismo tardio, exige ainda mais preparo.
Não vejo como conciliar tais necessidades e qualidades senão na universidade, numa cadeira específica, como a do curso de comunicação. Mas mesmo a universidade precisa se reinventar. A Universidade da Amazônia se esforça para acompanhar a vanguarda dos processos comunicacionais e de interações sociais, para o bem de quem paga caro pelo conhecimento. E para o bem da sociedade que anseia por profissionais melhores.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Megafônica traz Stereovitrola

O coletivo Megafônica fechou ontem mais um evento em Belém. Vai trazer à capital paraense a banda amapaense Stereovitrola para o lançamento de seu mais recente disco, "No espaço líquido". Os meus conterrâneos dividem o palco do Café Com Arte com a banda Turbo, de Camilo Royale. O show vai ser no dia 19 de setembro.

Johny Rockstar



A banda Johny Rockstar faz o pré-lançamento do single "Monoral" no Festival Casarão (RO)no próximo dia 5 (setembro). JRS toca no segundo dia do festival, que tem como headlinner a carioca Moptop. No dia 3, já em Porto Velho, a banda faz a prévia do festival no Piratas Club. E com o baterista titular Ivan, também do Madame Saatan.
O single foi gravado por Ivan Jangoux e, segundo o vocalista Eliezer Wonkas, traz mixagens alternativas das faixas Monoral, Alkalina e Mortos Vivos, que integram o disco cheio, com previsão de lançamento em janeiro do ano que vem. Dia 30 deste mês ainda entra no ar, segundo a produção da banda, o site oficial www.johnyrockstar.com.br. Um dia antes, no Café com Arte, a banda toca com Jr Checker(o Júnior, ex-Suzana Flag) segurando as baquetas.

Te comporta, suspensa!


Foto de Ana Flor

A festa Te comporta, menina! inaugurou um movimento de público bem sucedido em julho, trazendo as bandas La Pupuña e Suzana Flag e recebendo convidados especiais a cada semana. O sucesso da festa não se repetiu no segundo momento. Várias coisas contribuiram para isso, mas a principal delas talvez tenha sido a falta de percepção da casa (o Bar Palafita) em apostar na empreitada como deveria. Sendo assim, a Ukauka Produções (coordenada por este poster) e as duas bandas acima citadas anunciam o cancelamento da temporada agosto e setembro que continuaria nesta quinta-feira com a participação da banda Tomarock. Pedimos desculpas a todos os convidados e aos amigos e fãs que pretendiam comparecer ao bar esta semana. Esperamos fechar uma nova parceria em breve a anunciar o retonor da festa no momento oportuno. Talvez uma temporada em setembro, antes que as duas bandas se dediquem com mais afinco à produção dos seus segundos discos. A banda La Pupuña divide os shows com o processo de gravação do segundo disco, enquando a Suzana Flag se prepara para entrar na fase final pré-lançamento do aguardado Souvenir, o que vai exigir grande concentração na formatação dos shows de lançamento. A banda Suzana Flag continua apresentando o projeto Eletrosfera Bar, de releituras rock, brega, MPB e pop no Bar Tiquin Dicadacoisa, lá na Municipalidade, em frente ao residencial Olimpus. A gente se vê por aqui.