quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Bafafá



O Bafafá Pro Rock de fim de ano foi um sucesso. Deu muito trabalho, assim como a organização de projetos pro ano novo. Mais o tempo a dedicar à família e, mais uma vez, quem sai perdendo são os leitores. Calma, vocês vão ganhar também. Mas agora só em 2009!! Registro de Ana Flor.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pro Rock



Bafafá Pro Rock na Praça da República
Manifesto da música independente se despede de 2008 e se prepara para o Fórum Social Mundial 2009



As bandas Baby Loyds, Jolly Jocker, Dharma Burns, Jacaré Blues, Resistência Suburbana, Legítima Defesa e mais a Associação de Percussionistas do Pará / Amazônia fazem no próximo dia 28 de dezembro o encerramento da programação do manifesto da música independente “Bafafá Pro Rock”, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e Governo do Estado, no anfi-teatro da Praça da República, a partir do meio-dia.
Os shows e as manifestações marcam a consolidação do Fórum Paraense de Música Independente (FPMI) e a criação do Fórum Amazônico de Música Independente (FAMI), que surgiu em 5 de dezembro, em Macapá, durante a primeira edição do festival Quebramar. “Desde a criação do FPMI e das mostras do Bafafá Pró Rock, em parceria com o festival Se Rasgum, estamos conseguindo conectar os produtores, bandas e agentes do Pará com os demais estados da Amazônia, e esse é o momento em que vamos celebrar isso”, explica Nicolau Amador, presidente da Associação Pro Rock, uma das entidades que compõe o Fórum Paraense e que ajudou articular o FAMI.
A idéia é ajudar a construir políticas públicas e ações em parceria com os governos estaduais e federal para fomentar a cadeia produtiva da música na Amazônia. “A gente tem diversidade e criatividade para fazer girar uma cena muito interessante na Amazônia. Com a proximidade do Fórum Social Mundial, onde vamos nos reunir com outro agentes da música independente brasileira, é o momento para podermos ampliar e executar essa idéia”, continua Nicolau.
Segundo o compositor Paulo Martins, articulador do Movimento Bafafá do Pará, esse é um momento de confraternização importante. “Nossa articulação, dentro do FPMI, tem sido espontânea, baseada no interesse comum que todas as entidades estão tendo de construir um projeto coletivo. Mesmo com as divergências pontuais, estamos encontrando um caminho, o que sempre foi muito difícil na história das organizações da classe artística no Pará”, disse ele.
A primeira mostra Bafafá Pro Rock, que segundo seus organizadores deve se tornar um festival de música independente em 2009, ocorreu no dia 13 de julho desse ano, quando se comemora o dia mundial do Rock, e consolidou-se numa parceria com o terceiro festival Se Rasgum, cujo último dia foi composto pela programação do movimento. Duas outras mostras foram executadas nos bairros da Terra-Firme (15 de novembro) e Guamá (6 de dezembro), dentro da programação Fórum na Praça, espaço de mobilização do FSM 2009.
Desde a sua primeira edição, o Bafafá Pro Rock teve apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Cultural (Secult) e Fundação Cultural Tancredo Neves, e ajudou a criar o Fórum Paraense de Música Independente, formado por artistas, produtores, associações, selos e movimentos musicais paraenses. O Bafafá Pro Rock é realizado pela Associação Pró Rock e Movimento Bafafá do Pará.


Serviço:
Mostra artística gratuita e manifesto da música independente Bafafá Pro Rock, dia 28, a partir do meio-dia, no Anfi-teatro da Praça da República. Informações: (91) 8222 1944 / 9614 1005.

Programação:

1. Baby Loyds
2. Jolly Jocker
3. Dharma Burns
4. Jacaré Blues
5. Resistência Suburbana
6. Legítima Defesa
9. Associação de Percussionistas do Pará / Amazônia

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Notícias do front do Suzana Flag

Fui ao Rio de Janeiro, depois de uma articulação sobre o Forum Amazônico de Música Independente (FAMI), para checar a primeira fase de mixagem do disco Souvenir, da banda Suzana Flag. O disco está "apavorante" de bom, como disseram os meninos da banda Charme Chulo, de Curitiba, que estavam gravando no Toca do Bandido, onde Iuri Freiberger está mixando o disco. Algumas músicas estão com padrões diferentes de mixagem, porque foram gravadas em tempos e estúdios diferentes. Mas em janeiro voltamos ao Toca e talvez possamos regravar bateria em duas músicas para que o disco fique com o padrão adequado. Iuri disse que o disco vai ficar com cara de disco "gringo". E vai chegar perto disso mesmo, pois a pressão que os pré valvulados do Toca dão ao som é muito quente. "Santa Fé" é uma das mais bonitas e talvez seja o primeiro single do disco. "Buena Ventura" está forte e agressiva, apesar da voz suave e, agora, firme da Susanne. É candidata a abrir o disco. "Antiaéreo" está dando trabalho, mas tá ficando ótima também. "Dual", com seu arranjo de cordas escrito por Ricardo Aquino (com ajuda minha e de Joel Melo), tá com cara de hit televisivo. Quem sabe a gente emplaca ela em Malhação. Brincadeirinha. Tudo isso só foi possível graças ao premio que ganhamos no edital da Secult, que apesar de todas as dificuldades foi superatenciosa nas tentativas de vencer as barreiras burocráticas e fazer o disco acontecer. Tudo feito certinho, na legalidade, sem problemas. Tudo que poderia exceder os orçamentos previstos foram pagos pela produção da banda, numa parceria entre Estado e iniciativa privada, que a meu ver é o caminho certo para o fomento e a qualidade da produção artística paraense. Espero poder contar com a boa vontade da Secult sempre, até o final do processo. Queria agradecer a todos os nossos parceiros nesse disco, além da Secretaria de Estado de Cultura, o APCE Music, de Assis e de Fernando, e à Funtelpa, por ter cedido o estúdio para a pré-produção de metade das músicas do disco, dois anos atrás.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Turbo



Camilão quebrando tudo no Quebramar 2008. Foto do poster.

Famigerado



Um pequeno retrato da primeira reunião da Música Independente da Amazônia durante o festival Quebramar, dia 5 de dezembro, no auditório da Universidade Federal do Amapá (Unifap). O FAMI (Fórum Amazônico de Música Independente)está criando uma lista e divulgando as memórias das duas reuniões ocorridas em Macapá. Nos próximos posts mais imagens e notícias do festival.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Refuse / Resist - Quebramar

O festival Quebramar já fez História. Fundou o Fórum Amazônico de Música Independente e vai mostrar ao mundo a necessidade da organização dos artistas e jovens que mobilizam na região. Ontem, o festival começou no campus da Universidade Federal do Amapá (Unifap) no clima de muita solidariedade e descontração. Boas vibrações se espalhando com o vento e a música pelo espaço tomado por jovens universitários, professores e outros profissionais. Reles (AP) abriu a noite e me fez pensar como o Norman Bates soaria se tivesse surgido nos anos 00. A banda Klethus(RR) representou o coletivo TomaRRock com rock forte, meio progressivo. O cantor Roni Moraes (AP), parceiro dos meninos do Coletivo Palafita (AP), fez uma apresentação muito boa. Às vezes, ele lembra o que Lenine tem de legal, mas na maior parte do show o que chama a atenção é a pegada da banda, os arranjos de estilo circulando pela balck music e rock. Ou seja, o que se chamaria de Nova MPB no melhor estilo. A vibe seguia muito legal, quando os guardas da Universidade começaram a barrar músicos e público nos portões. A entrada no campus é permitida até às 23h, mas os organizadores tinham permissão para levar o festival até às 2h30. Houve momentos de tensão. Com medo, os técnicos desligaram os equipamentos de sonorização, depois da apresentação da banda Dezoito21. Uma professora da Universidade, discursou aos alunos. Com filho de cinco anos, ela estava indignada. No meio da confusão, quando o apresentador incitava o público a invadir o campus da Universidade, no rádio, os guardas ouvem: "se preparem que vai ter tiror". Ligo a handcam e registro os movimentos, os guardas ficam mais calmos e o público também. Não menos indignados, eles voltam para casa ou seguem para as baladas na orla do Rio Amazonas, onde há vários bares tocando música cover, da Madonna ao axé e pagode. A organização promete todas as atrações de ontem para hoje. A movimentação parece mostrar que uma parte significativa de Macapá quer ou precisa de uma movimentação como a que o Coletivo Palafita provoca.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Quebramar


Macaco "besta"!

e

O festival Quebramar por quem faz o festival Quebramar:

Nós vamos atravessar esse rio!
Por Paulo Zab

Depois de meses de correria em torno da concretização do Festival Quebramar finalmente o dia de ver os resultados chegou. A partir de hoje tudo o que foi planejado e escrito passa agora a fazer parte do plano da realidade. Enquanto os últimos detalhes estão sendo resolvidos o pessoal que vem de fora se apressa em chegar para o inicio das atividades. Já na madrugada do dia 04 pudemos contar coma presença de um dos nossos visitantes mais ilustres. Os membros da banda Klethus e do Coletivo Tomarrock, de Roraima, acabam de chegar em solo amapaense. Apesar de estarem muito próximos geograficamente eles são o grupo que mais pegou estrada, já que, para chegar até aqui, os caras tiveram que sair de Boa Vista, depois passar por Manaus, Brasília, Belém e só aí chegar aqui. Seria muito mais fácil se houvessem vôos de Boa Vista para Macapá, mas aqui no Norte temos dessas coisas. Esse é o preço a se pagar por morar em uma região como a Amazônia, mas atitudes como essa só os inspira e nos desperta para a importância de estar realizando um festival desse porte aqui no Amapá.

Não tem mais como voltar atrás, afinal, foram quatro prévias do Festival, que garantiram a apresentação do mais de dez bandas locais. Novos talentos foram revelados, a exemplo do pessoal da Relles e 81 Decibéis e outros mostraram que estão em pleno trabalho de ascensão como a Godizilla e da SPS 12. O mais importante de tudo isso foi que novos grupos e parceiros surgiram nesse processo. Prova disso é o pessoal da Amatribo e da NDA, sempre dispostos a dar aquela força, além de diversos parceiros que se chegaram, se apresentaram, tramparam e mostraram resultados dentro do Coletivo Palafita. Esse é um dos créditos impagáveis que temos a partir de todos esses meses de chá de cadeira e de mentes retrógradas de pessoas que, apesar de estarem a frente de instituições de fomento à cultura, ainda tem o pensamento ligados a interesses pessoais. O lance é que as comissões, já sabendo que atos como esse faz parte do processo, não se deixaram abater por nenhum minuto. A vontade de estar realizando um festival que ficara registrado na história dos festivais independentes do país é bem maior do que qualquer barreira. Daqui há pouco estarão presentes pessoas de vários estados do pais, como Pará, Mato Grosso, São Paulo e Alagoas para celebrarmos mais uma conquista da antes inexistente, mas agora concreta cena independente amapaense.


--
Paulo Zab

http://www.coletivopalafita.blogspot.com
http://www.festivalquebramar.com.br

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Queres tocar no Fórum Social Mundial?!

Inscrições para mostras artísticas (inclusive concertos musicais) no Fórum Social Mundial, que ocorre em janeiro próximo em Belém, devem ser feitas até o dia 12 de dezembro no site do FSM Amazônia 2009. Todos os artistas paraenses devem se inscrever pelo site. A curadoria e administração da programação será feita pelo GT de Cultura do FSM, com curadoria do Movimento Bafafá Pro Rock e Fórum Paraense de Música Independente. Caso o link não abra, o site geral é http://www.fsm2009amazonia.org.br.

Iuri

Iuri Freiberger , produtor de destaque da música independente brasileira, está mixando no Rio de Janeiro, o disco Souvenir, o primeiro álbum de prensagem industrial da banda castanhalense Suzana Flag. O disco foi premiado pelo edital do selo Pará Musical da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult). Souvenir começou a ser pré-produzido há dois anos, na época em que o grupo ganhou destaque nacional com o caseiro (na concepção e comercialização) Fanzine. Iuri já trabalhou com nomes emergentes e de destaque que incluem Frank Jorge, Walverdes, Mechanics, MQN, Réu e Condenado, Violins, Valentina, Barfly, Evandro Demari, Koi, Tom Bloch, Prot(o), Plebe Rude, Phonopop, Lasciva Lula, The Feitos, entre outros tantos. Produtor musical desde 2000, com histórico de gravações e discos desde 1994, ele também é baterista e produtor musical da banda Tom Bloch desde 1999. Iuri está trabalhando no Toca do Bandido, estúdio do saudoso Tom Capone.

Chuva na Equatorial Lounge



Para quem não conhece, Equatorial Lounge é o apelido de uma cidade na Amazônia que, em 2038, funciona sob um complexo sistema de condicionamento climático. O sistema impede que faça calor excessivo no verão equatorial e controla o volume das chuvas no inverno. O padrão de vida dentro de redonda de ar condicionado eleva-se drasticamente, assim como o preço de morar nela, taxas e impostos. Aumentam também as tensões e conflitos sociais em sua fronteira. Com o passar dos anos, fazer chover na Equatorial Lounge tornou-se um luxo de que seus habitantes se privaram por vontade própria.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Plano Nacional de Cultura em Belém

Nos dias 30 de novembro, 1º e 2 de dezembro, o Ministério da Cultura e a Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal, em parceria com o Governo do Estado do Pará, irão realizar em Belém um seminário sobre o Plano Nacional de Cultura.
O PNC está previsto na Constituição Federal desde a aprovação da Emenda Constitucional n.º 48, em 2005. Atualmente, encontra-se em tramitação na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, sob forma do Projeto de Lei n.º 6835, de 2006. Ao mesmo tempo suas diretrizes gerais são detalhadas pelos poderes Legislativo e Executivo para o encaminhamento de sua aprovação. Durante o ano de 2007, o Ministério da Cultura (Minc) e a Câmara estabeleceram um calendário de audiências públicas para o debate do PNC, visando aprimorar as políticas em desenvolvimento desde a 1ª Conferência Nacional de Cultura. Para 2008, foi programada uma série de seminários pelo país e um conjunto de debates pela Internet. As inscrições podem ser feitas gratuitamente pela internet, no endereço www.cultura.gov.br/pnc. A abertura será na Estação das Docas e os debates ocorrerão no Beira Rio Hotel.

Revelações 001

Assistindo ao Radiola (programa da TV Cultura em rede ncional) ontem à noite ouvi João Marcelo Boscoli dizer que é famoso o ditado que diz que "músico brasileiro só se une se for para ferrar o cantor". Eu não sabia! Será possível mudar essa realidade?! Será que só vou aprender isso tarde demais?!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Memória Madame


Homenagem à banda Madame Saatan pelo prêmio Dynamite de Música Independente. Registro do meu arquivo pessoal de show realizado no Afrikan Rocker, circuito promovido pela Associação Pró Rock em março de 2004. Com Zé Mário ainda dividindo as guitarras com Edinho.

Premiados

A banda Madame Saatan ganhou o Prêmio Dynamite de Música Independente de melhor álbum de heavy metal do ano, desbancando bandas como Shaaman, Dr. Sin e Viper. O grupo paraense Quaderna levou o primeiro lugar na categoria destaque regional. O promoter/produtor/assessor Bernie Walbenny ganhou na votação on line o primeiro lugar na categoria personalidade do ano. Cachorro Grande (álbum rock), Vanguart (indie rock), Lipstick (pop), Sugar Kane (hardcore), Fernanda Takai (MPB/samba), Pata de Elefante (instrumental), Tribo de Jah (reggae/ska) e Mallu Magalhães (revelação) são outros destaques. Madame Saatan também estréia nacionalmente, hoje, às 20h, no programa Domínio MTV, o clipe de "Vela", ganhador do Prêmio Ná Figueredo de Videoclipes Paraenses. "Vela" é o segundo video clipe em formato "documental" dirigido pela cineasta Priscila Brasil. Foi gravado durante a procissão do Círio de Nazaré no ano passado. Vale conferir.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Pedreira

Imagine um trocadilho infame. Algo como "a primeira pedra que sai do seu rim você nunca esquece". Não é possível fazê-lo porque toda vez que um cálculo renal descer pelo seu ureter (é assim que chama o canal que leva a urina dos seus rins para a sua bexiga)será uma experiência inesquecivelmente dolorosa. Foi assim comigo na primeira vez (a primeira vez é sempre mais dolorida). A segunda achou de sair do indigitado órgão durante minha primeira visita a Itaituba (região do Tapajós, oeste paraense). Uma maratona de taxi até um hospital que aceitasse o cartão da Unimed (que em Belém já parece um pronto-socorro municipal) e tivesse um médico para me atender e essa foi a pior das experiências com pedras na minha vida. E eu pensando que iria encontrar pepitas de ouro. Queria trazer notícias melhores, mas "a coisa" não me deixou escolha. Garimpeiros, madeireiros, mulheres bonitas, fábrica de cimento na Transamazônica e até o surubim delicioso que jantei na primeira noite, logo antes da crise, ficaram ofuscados pela dor e pela imagem do vaso vermelho amarelado, quando a dita cuja saiu. Na correria para pegar o primero avião que me tirasse de lá, esqueci até o cabo da câmera fotográfica, o que me impede de mostrar agora a paisagem bonita que é o rio Tapajós ao final do dia. O médico, um senhor experiente, e as enfermeiras que cuidaram de mim no quinto hospital em que fui parar fizeram o possível com os poucos recursos. Eu me recupero. Deve ser o inferno astral chegando. Por recomendações médicas, o ritmo de trabalho diminui. Por enquanto. Ah, não se esqueçam de beber muita água e comer pouco sal.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Bonequinha

Joelma, da banda Calypso, está negociando com uma agência de propaganda paraenese a promoção de um novo produto: nada menos que uma boneca da cantora. Eu me recuso a fazer qualquer piada. Mas, o mais curioso, é que o publicitário responsável pela promoção do novo produto pode ser um rocker.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Só uma idéia no coletivo

Quem anda de ônibus em Belém sabe que existe um exército de jovens e velhos oradores que vendem de tudo: poesias impressas ou faladas, balas e sovertes, fé e algumas canções. A maioria é educada, pede licença, desculpa-se pelo incômodo, deseja bom dia aos passageiros e agradece pela contribuição ou a simples atenção. Isso já faz da cultura de quem anda de ônibus. Reparei nisso outro dia durante o discurso de uma adolescente. Depois da exposição exemplar, ela tirou uma bala do saco, enfiou na boca e jogou o papel no chão. Pensei que esses pequenos "empreendedores" aprendem até onde eles consideram necessário para seu ganha pão. Mas não tem uma noção mais ampliada de educação, é algo "utilitário". O próprio passageiro chupa a bala e joga a embalagem pela janela. Talvez o Detran ou a CTBel pudessem capacitar parte desses oradores exemplares e educá-los para programas educativos dentro dos coletivos. Receberiam mais, teriam uma educaçao mais qualificada e seriam ótimos facilitadores/multiplicadores. Alguns deles têm realmente talento pro negócio.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Zumbis de Belém para o Texas

Hoje cedo chegou na minha caixa de e-mails:

Entre mais de 10 mil artistas do mundo inteiro inscritos, a banda paraense Vinil Laranja foi selecionado para participar da edição de 2009 do festival norte-americano SXSW – South by Southwest, que ocorrerá do dia 19 a 24 de março de 2009.
Com mais de vinte anos de existência, o SXSW é uma conferência internacional de música e cinema que acontece anualmente desde 1987 na cidade de Austin, Texas, sul dos Estados Unidos. Com dezenas de palcos espalhados por toda a cidade e aproximadamente 1,5 mil atrações por ano, o SXSW pode ser comparado a outros eventos como a nossa Feira da Música. Assim como acontece aqui, Austin fica repleta de músicos, produtores, jornalistas e formadores de opinião vindos de todas as partes do planeta.
Pela primeira vez, um grupo do paraense se apresenta no South by Southwest, mas alguns brasileiros já tiveram a oportunidade de mostrar sua música no festival. O pernambucano Lenine e o pessoal do Telerama, por exemplo.
O grupo Vinil Laranja, com quase cinco anos de carreira e todas as composições em inglês, vem conquistando cada vez mais espaço na imprensa local e nacional. Fez muitos shows pelo interior do Pará e participou em 2008 do CCAA Fest, onde concorreu com 92 e foi a banda vencedora, prêmio que a destacou em todo o estado.
Com o convite para o SXSW, o grupo começa a gerar repercussão também na imprensa internacional, e tem a oportunidade de conceder as primeiras entrevistas a revistas estrangeiras. A assessoria de imprensa do grupo nos Estados Unidos está sendo feita pela MG Limited, uma das maiores empresas de agenciamento e marketing de artistas do mundo, com sede em Nova York e responsável pela divulgação de nomes como Gilberto Gil, Bebel Gilberto e Maria Rita no exterior.
Como primeiro grupo do Norte do país a ser convidado para o SXSW, a banda Vinil Laranja tem a missão de representar não só o Brasil, mas o todo o Pará nessa grande celebração da música. Como pioneiros, é nosso dever sermos os embaixadores do nosso Estado, promovendo o intercâmbio da música brasileira com a música mundial.
Por meio desta, solicitamos uma pauta neste veículo de comunicação para a divulgação deste evento, já que o mesmo não disponibiliza os recursos financeiros necessários para a apresentação da banda no exterior (gastos passagens aérea e emissão de visto), e uma matéria com abanda ajudaria bastante a obtenção de patrocínio.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Virando a página

Dia 5 de dezembro estarei em Macapá, minha cidade natal (que não visito há mais de 20 anos), para participar de uma mesa redonda no Festival Quebramar, também para a articulação dos foruns estaduais da região norte de música independente. Vou produzir uma cobertura exclusiva para o blog sobre o festival, aguardem e confiram a programação.

sábado, 8 de novembro de 2008

Papel em branco

Vladimir Cunha sempre gostou de aparecer com suas opiniões espetacularmente polêmicas. Desde tempos de O Liberal, quando escolheu como alvo a produção de jovens bandas de rock autorais muito fáceis de ridicularizar em seu estilo. Poderia ter feito o mesmo com o tecnobrega, mas descobriu aí um nicho que rende uma conta bancária com muitos digitos, segundo ele próprio. Enquanto a maioria dos rockers estão na dureza, o tecnobrega já lhe rendeu várias matérias em revistas nacionais, um documentário hypado mesmo antes de sair e programas para a Globo, entre muitos outros trabalhos. Em desacordo com a declaração dele na revista Rolling Stone de outubro, mandei a carta do post anterior aos editores da revista. Tenho recebido muitas menifestações de solidariedade, mas nenhum comentário no blog. Talvez por medo de represálias futuras. Eu, por minha vez, considero legítimo o direito republicano de opinar, e como leitor da revista, e parte da cena roqueira da cidade, de defender manifestações rasas de pensamento como esta. Não é para tanto estardalhaço, mas vale o registro. Chega se deixar passar em branco.

Para quem não achou a resenha on line e não quis comprar a revista, reproduzo:

III Festival Se Rasgum
Festival Paraense chega a terceira edição com estilos variados

Sem o "rock" no nome, o festival Se Rasgum chegou a sua terceira edição. E dessa vez com uma programação bem mais interessante do que a de seus anos anteriores. Mérito da curadoria do festival, que apostou na diversidade. No mesmo palco, o rap com samples de brega e música caribenha do Sequestrodamente e o messianismo GLS do Montage, que literalmente levou às lágrimas a ala gay do público. A ingenuidade charmosa do grupo macapaense Minibox Lunar, com um cruzamento improvável, ainda que um pouco frouxo, de Jefferson Airplane e Banda Calypso; e o rock pós-punk da Plebe Rude. Ou ainda a nova MPB de Wado, Banda do Amor e Curumim, o show mais esperado do segudo dia do festival. E se teve algo a ser comemorado neste terceiro Se Rasgum foi a impressão de que Belém do Pará talvez esteja descobrindo que não tem vocação para o rock. O que é bom. Não fosse isso talvez os indies não tivessem dançado juntinhos durante o show tecnobrega do DJ Malukinho, feito rodas de carimbó durante a apresentação de Os Caçulas da Vila ou descoberto o quanto pode ser pop a surf music de palafita do grupo Metaleiras da Amazônia, apesar do guitarrista presepeiro, um dos grupos locais mais interessantes do festival. Aos poucos, o rock paraense, esse zumbi que ainda se arrasta pelos subterrâneos da cidade, vai dando lugar a sonoridades e misturas bem mais interessantes. Ainda bem.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Caros editores da Rolling Stone Brasil,

Sou guitarrista e produtor das bandas Suzana Flag e Norman Bates, sou o segundo presidente de uma associação que leva o nome “Pro Rock”, sou jornalista e produtor, portanto, tive que vestir a carapuça que o meu colega Vladimir Cunha tirou da gaveta na resenha sobre a terceira edição do festival Se Rasgum “sem rock”. A frase lapidar de Vladimir me chamou atenção, “esse zumbi que ainda se arrasta pelos subterrâneos da cidade”. Como diria meu amigo Buscapé Blues, “é muita frase de efeito.”
Fico pensando que (tudo bem, é uma resenha, que não representa a opinião da revista etc) talvez a Rolling Stone Brasil, que tem contribuído para oxigenar o mercado editorial brasileiro devesse talvez também ajudar a oxigenar o cérebro de quem conduz esse negócio quase falido (quem diz é Midani em sua autobiografia) que é a indústria fonográfica. Eu que faço parte dessa cena quase desconhecida da maior parte do resto do país (fui guitarrista da banda de hardcore Pig Malaquias junto com Vladmir e integrei o Coletivo Rádio Cipó por dois anos em seus primórdios) não sei até hoje que porra afinal é esse tal rock paraense. Imagina o grande público leitor da RS! Talvez, antes de decretar a decadência do gênero na cidade, a revista pudesse produzir uma matéria de fôlego sobre o que é isso afinal, já que a maioria dos jornalistas daqui (mesmo o Vladimir) não conseguem defini-lo, seu fracasso ou sua improvável vocação. Se o rock paraense não tem vocação para a coisa, perguntem a Alex Antunes, a Carlos Eduardo Miranda, a Lúcio Ribeiro ou a Pedro Alexandre Sanches, que já estiveram aqui não uma, mas várias vezes conferindo a produção das bandas locais. Façam suas análises daquilo que é desconhecido do grande público. Ademais, só um legítimo “punk rocker”, que eu conheci em 1991 usando calças rasgadas, coturno e camiseta preta, poderia achar que a diversidade da produção cultural de Belém ou do Pará cabe dentro de um gênero, ou mesmo fora dele. Vladimir deveria ter visto o terceiro dia do festival, ao qual só chegou durante a última banda, onde o palco Bafafá Pro Rock apresentou imensa diversidade, do pop do Suzana Flag ao hardcore dos Rennegados e Delinqüentes, do carimbo do Curimbó de Bolso ao experimentalismo do Clepsidra, entre tantas outras bandas e artistas que apresentam propostas artísticas completamente diferentes do padrão da indústria falida. Mas ele não quer ver, ao que parece. Acredito que o Pará não é mais uma província. Viva o rock amazônico, viva a diversidade, não à monocultura seja ela qual for, a soja, o axé music ou o tecnobrega.

Cordialmente,

Elielton “Nicolau” Amador
Belém – PA

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Sobre o post anterior e a demora em postar

No link da Revista do Brasil vocês puderam checar a matéria que fiz sobre a radiodifusão na Transamazônica. Como prometi, publico os "extras" da reportagem.
Sobre a demora nos posts, não tem sobrado muito tempo mesmo. Tenho que entregar a monografia da minha especialização até o dia 17 e há muito trabalho. Tenho lido as notícias na Rolling Stone. Diverti-me com a reportagem sobre o Metallica e uma expressão curiosa na resenha de Vladimir Cunha sobre a terceira edição do Se Rasgum "sem rock". Dizia sobre o rock paraense, "esse zumbi que se arrasta pelos subterrâneos da cidade", ou algo parecido. Achei engraçado porque parece a típica expressão de típicos jornalistas de rock, frases feitas sobre ídolos decadentes. Se não fosse o próprio "rock paraense" o "ídolo" em questão, já seria muito engraçado.
Não merece mais que isso por enquanto, mas a lista dos 100 maiores artistas brasileiros também é um doce a parte na revista. Peço desculpas a quem tenho cativado com a leitura desse blog e posso dizer, como os ídolos "decadentes" do Metallica, que enquanto ele não atrapalhar o convívio famliar e os trabalhos, ele é viável. Ainda que demore o próximo post.

Radiodifusão na Transamazônica



Boiada na BR-230
Foto de Lucivaldo Sena

Dos 46 quilômetros que percorremos de Altamira (região do Rio Xingu, no sudoeste do Pará) até Brasil Novo, mais de 20 ainda são de terra batida e poeira que levanta quando o carro passa. Mesmo se tiver uma boiada no caminho (os bois e os vaqueiros viajam por vários dias na Transamazônica atrás de pasto), a viagem não dura nem uma hora. Os boiadeiros assopram seus berrantes e a gente “pede licença” no meio do gado.
As distâncias estão diminuindo na rodovia BR-230 – obra inaugurada no governo militar que rasgou a floresta ao meio com a finalidade de promover a colonização da Amazônia. “Homens sem terra, para terra sem homens”, dizia a propaganda da época. Depois de três dias, rodando entre as duas cidades e percorrendo vicinais na “espinha de peixe”, como é conhecida por causa dos “travessões” que a cruzam a cada cinco quilômetros, percebemos que a realidade da região tem mudado. E ainda que as políticas públicas comecem a surtir efeito, muito do trabalho que hoje a torna viável economicamente se deve a ação dos movimentos sociais.
Dos agricultores familiares até o movimento religioso e de mulheres, foram eles que construíram a noção de cidadania que os habitantes da região têm hoje. Esse conceito (cidadania) também está ligado a uma área do conhecimento humano que normalmente está cerceada nos sertões e mesmo nas capitais de centros afastados do eixo econômico do Brasil: a comunicação.
Não por acaso que a região do Xingu foi a primeira a realizar um encontro regional de rádios comunitárias. Um evento que há de significar muito para o crescimento da região, mas não foi citado por nenhuma das quatro emissoras locais de TV de Altamira ou pela única rádio comercial da cidade. Os promotores do evento nem gostariam da publicidade. É que políticos e/ou empresários que usam as concessões em quase todos os municípios do Pará para defender seus próprios interesses econômicos financiam operações da Anatel de fechamento de rádios comunitárias. Ao menos essa é denúncia mais comum no Encontro.
Enquanto o presidente Lula anuncia que a Anatel não está autorizada a promover uma caça às bruxas das rádios comunitárias, no interior do Pará, prefeitos dão suporte de polícia para mega operações, que incluem até helicópteros, para o fechamento de rádios de associações. Por esse motivo também, a reunião das 14 rádios comunitárias da região da Transamazônica ocorre numa sala pequena da Casa do Trabalhador, um centro de serviços no principal bairro de Altamira, onde foi nossa primeira parada, antes de seguir para Brasil Novo para conhecer como funciona lá uma rádio comunitária na Transamazônica.

Apenas um papel de computador, impresso em preto e branco, colado na porta de vidro anunciava o “Primeiro Encontro Regional de Rádios Comunitárias”. Sem bancada decorada, sem logomarcas, banners ou qualquer outro tipo de publicidade, cerca de 12diretores de rádios comunitárias ao longo da rodovia Transamazônica ou do Rio Xingu reuniram-se no dia 5 de julho em um pequeno auditório de Altamira. Dois diretores de rádio faltaram, provavelmente por dificuldades de transporte (depois de Brasil Novo e Medicilândia, as distâncias ainda são grandes).
Sentado de frente para um notebook, Amarildo Madergan, o Arildo, um capixaba de 43 anos que vive na região há mais de 23 anos, inicia os trabalhos chamando a advogada da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos. Leslie Carusso participa, em Belém, do Fórum Paraense em Defesa das Rádios Comunitárias e defende vários militantes, multados ou processados por crimes previstos na legislação que regulamenta a radiodifusão brasileira. Completa a mesa a jornalista Rosane, que estuda as rádios comunitárias do Pará para um trabalho de doutorado e explica aos líderes comunitários um pouco do que sabem os teóricos da sociologia da comunicação sobre o fenômeno responsável hoje por quase 40% de toda a radiodifusão brasileira.
Leslie veio a convite da Secretaria de Comunicação do Governo do Pará. Rosane veio por conta própria, como voluntária.
“O Encontro tem o objetivo de pôr em contato as experiências das rádios da região com o pessoal que trabalha no Fórum em Belém para que a gente possa trocar idéias e buscar alternativas para a nossa luta”, explica Arildo, que ajudou a fundar, há dez anos, a rádio comunitária Popular FM, de Brasil Novo, a 46 quilômetros de Altamira, que ganhou este ano a sua concessão de operação da Anatel depois de 10 anos de batalha judicial e burocrática.
Desde que saiu da Popular FM, Arildo se dedica ao fortalecimento das rádios da
região, criando uma rede de associações comunitárias que usam as rádios como instrumento de fortalecimento da cidadania e de conscientização política. Ocupadas democraticamente por igrejas de todas as procedências e movimentos sociais ou políticos, hoje já são 14 rádios atuantes na região. Duas estão em Medicilândia, a 90 quilômetros de Altamira, e, as outras, em Brasil Novo , Rurópolis, Placas, Pacajá, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Vitória do Xingu, Uruará, Gurupá, Belo Monte, Anapu e Altamira. Oito delas já conseguiram a concessão da Anatel para operarem legalmente. As demais estão em processo de legalização, e mesmo com os processos avançados, até o início do ano, contrariando declarações do presidente Lula, era comum operações conjuntas com a Polícia Federal de fechamento de rádios comunitárias, algumas vezes patrocinadas por empresários e políticos da região. A última operação tirou do ar, a rádio de Anapu, cidade conhecida pela atuação da freira americana Dorothy Stang, onde os movimentos sociais são reprimidos pela política de coronelismo e pela ação de alguns fazendeiros.
Mas a rádio de Anapu não deve ficar muito tempo fora do ar. Há alguns anos, o movimento de rádios comunitárias da Transamazônica e do Xingu decidiu, conscientemente, desrespeitar a lei de radiodifusão. Toda vez que alguma rádio é fechada ou tem seus equipamentos apreendidos logo há uma mobilização para reativá-la. “A própria comunidade pede para reabrir a rádio. Em alguns municípios a rádio comunitária é a única que existe e o único meio de informação sobre as questões da região, que interessam aos moradores”, explica Arildo.
Há quatro anos as rádios ganharam um reforço, dado sem querer pelos mesmos que exploram a floresta e a mão-de-obra da região. Em 2003, o Ibama apreendeu seis mil toras de mogno ilegal e o doou para os movimentos sociais da Transamazônica e Xingu, com o consentimento do Ministério Público Federal. A madeira é beneficiada e comercializada através de um consórcio de entidades formado pela FASE, a Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP) e a Prelazia do Xingu, e já rendeu mais R$ 5 milhões para o Fundo Dema, um fundo permanente que financia projetos de desenvolvimento sustentável. Entre eles, estão projetos de comunicação comunitária que incluem as rádios. Assim, a maioria delas tem se estruturado e tem conseguido vencer a burocracia do Ministério das Comunicações, contratando um advogado para sanar as pendências que surgem a toda hora no processo de legalização das rádios. “Quando eles (da Anatel) vão nas rádios para fecha-las, a gente diz que a culpa é deles, que nós estamos fazendo a nossa parte. Falta o governo fazer a parte dele, acelerando o processo de liberação”, conta Arildo.
Mesmo com os avanços das rádios do Xingu e da Transamazônica, o Encontro é marcado por queixas e lamentações. Darci Costa Lima, borracheiro e evangélico da Assembléia de Deus, é diretor da Rádio Floresta FM, que fica na zona rural de Medicilândia. Depois de ter sido fechada no ano passado pela Anatel, a rádio teve todos os equipamentos novos queimados pela queda de um raio. “As dificuldades desestimulam a comunidade. A gente precisa da participação popular e comunitária, e sempre que uma operação chega fechando tudo, com carros e policiais federais, o povo fica amedrontado, diz que não vai mais fazer esse negócio de rádio comunitária, que não quer ser preso etc”, explica ele.
Luci Costa, da Rádio Fuso Horário FM, de Placas, diz que o trabalho tem momento de desânimo, mas sempre tem alguém “que surge e que a gente espera que possa dar continuidade ao trabalho”.
A partir do Encontro Regional, e estimulado pela política da Secretaria de Comunicação do Governo do Pará, o movimento de rádios comunitárias espera superar seus desafios históricos no estado. Desde que assumiu o governo em 2007, o Partido dos Trabalhadores descentralizou as verbas de publicidade, que migravam basicamente para os dois principais grupos empresarias de comunicação do Estado, e começou a estimular ações de comunicação popular. No mês de agosto, o governo lança seu primeiro edital de projetos de comunicação para a cidadania e assina um convênio com a SPDDH, para capacitar e dar assessoria jurídica e técnica às rádios comunitárias em quatro pólos, incluindo Altamira.
A verba de publicidade do estado agora também pode ser aplicada, na forma de apoio cultural, nas rádios comunitárias legalmente constituídas. “Como a rádio comunitária é, em alguns municípios, o único e mais eficiente meio de comunicação, o governo precisa delas para difundir campanhas educativas e informativas. Ela trabalha também como instrumento mobilizador, convocando a população à participação democrática, e ajudando, assim, a ampliar e fortalecer a esfera pública, prejudicada pelo coronelismo e pela comunicação oligárquica dos grandes veículos familiares de comunicação”, explica José Luiz Miranda, assessor da diretoria de comunicação popular da Secom.
“A gente ainda não sabe como vai ser o nosso futuro porque os desafios continuam sendo muito grandes. Mas a gente espera poder criar uma rede em que possa integrar as informações comuns a todos esses municípios. Precisamos também fortalecer a participação comunitária e capacitar o pessoal que trabalha nas rádios para que eles possam saber realmente como funciona uma rádio comunitária. Como nós nunca tivemos capacitação em comunicação, o que a gente tem de modelo são as rádios comerciais”, explica Arildo.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Nas ondas do Brasil Novo


Sempre atrasado por causa da correria da produção do disco do Suzana Flag, e outros trabalhos, vim postar sobre a minha matéria que foi publicada na edição de outubro da Revista do Brasil. Ela é parte de uma reportagem grande que fiz sobre o encontro regional de rádios comunitárias da região do Xingú/Transamazônica, e conta um pouco do cotidiano da Rádio Popular FM, de Brasil Novo. São três páginas com fotos de Lucivaldo Sena. Vou publicar a reportagem na íntegra aqui em três partes.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Guitarrada beat pernambucano

Pio Lobato, Mestre Vieira e o pernambucano DJ Dolores se apresentam no dia 24 no TIM Festival com o show "Música Magneta", misturando tecnoguitarrada, guitarrada tradicional e mangue beats. O show é baseado no disco homônimo lançado por Dolores na Europa. Ele está em Belém para ensaiar com Pio e Vieria.

Artistas e a esmola social


Larissa foi vestida para dançar mas as atrações eram os músicos


No último dia 9 de outubro, artistas da Associação Pro Rock e movimento Bafafá do Pará se apresentaram na Semana Luamim, do programa homônimo desenvolvido por professores e alunos do curso de Serviço Social da UFPA. Suzana Flag, Rafael Arke (Pianuts), Rand Frank, Paulo Luamim (que tirou seu nome artístico do programa), Augusto Hijo e outros artistas tocaram no hall da reitoria. A programação também teve Mestre Fabico, que levou o seu boi "Flor de Todo Ano".
Na ocasição, os artistas e os produtores da Dançum Se Rasgum fizeram a doação de quase 500 quilos de alimentos arrecadados na terceira noite do festival Se Rasgum desse ano.
Mesmo fazendo parte do Grupo Facilitador do Fórum Social Mundial em Belém, o grupo foi proibido de veicular a ação ao FSM. Para o Comite Internacional do FSM, doar alimentos é como "dar esmolar no semáforo". O Comitê Internacional também barrou um manifesto que aconteceria na Avenida Presidente Vargas logo após a Trasladação da imagem da Virgem de Nazaré. Para o CI, não era interessante questionar ou "atritar" umas das maiores festas religiosas do País, quando o FSM quer ganhar a adesão da população paraense.
O Luamim atende crianças e jovens dos bairros do Guamá e Terra-Firme, como Larissa dos Reis, de 9 anos, que tem aulas de balé pelo programa. Mestre Fabico não reclamou e levou as "esmolas" para casa.
E o Cirial, programação do Núcleo de Produção Cultural de Belém, também ligado ao Fórum Paraense de Música Independente, juntou milhares de excluídos ao lado de uma das festas profanas mais populares da quadra nazarena, a Festa da Chiquita.

sábado, 11 de outubro de 2008

Quem acontece (ou não?)

Conversei com Diogo, vocalista e letrista da banda Los Porongas, sobre a interação das cenas de Belém e Rio Branco, segundo ele, "as mais significativas" atualmente na região, e, ainda assim, praticamente isoladas uma da outra. Foi durante a festa da Se Rasgum que reuniu o projeto Pélico, dos integrantes da paulista Los Pirata, e os integrantes do Autoramas, que estavam de passagem por Belém. Quem também está engajada numa maior projeção desta tal cena paraense e amazônica, é Sammliz. A vocalista da Madame Saatan também esteve em Belém, para divulgar o lançamento de Vela, videoclipe que tem como cenário o Círio de Nazaré e foi dirigido por Priscila Brasil. Parece que algo mais consistente há de acontecer nos proximos meses/anos. Algo maior do que a espoleta gasta em 2006, "o ano que não aconteceu".

Montage e DJ Dolores

Marcel Arede, da Dançum Se Rasgum, corrigiu a informação que os meninos do Montage divulgaram no programa da MTV, citado num dos posts anteriores. A dupla cearense de electro punk vem para a ressaca do festival, sim. Mas a data mais provável é dia 1o de novembro. Entre os dias 17 e 24 deste mês ainda o pernambucano DJ Dolores vai estar pela cidade divulgando seu mais recente trabalho, que foi lançado primeiro na Europa. Vai certamente fazer alguma apresentação ao lado de seu parceiro Pio Lobato. Grande probabilidade disso acontecer na programação Bafafá Pro Rock, dia 19.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Suíte atrasada

Comentamos aqui que o colega Thiago Viana anunciou o retorno da banda Cravo Carbono, em sua formação original, para uma apresentação na Feira do Livro. Quem foi conferir a apresentação pela dica do blog deve ter ficado decepcionado. Mas a banda estava mesmo anunciada na programação. Pio Lobato me disse que convidou Lázaro e ele confirmou a presença no show, mas cancelou na véspera por problemas pessoais. Acabou rolando o Caburé, projeto instrumental que inclui Pio Lobato e Vovô, baterista do Cravo Carbono. Dando uma volta por posts antigos, lembrei que fiquei devendo essa informação complementar. Na correria, até esqueci. Ficamos a esperar a próxima oportunidade de ver Lázaro, Bruno, Pio e Vovô em ação novamente.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Autoramas e Montage

Mesmo de um mês depois, os Autoramas estão de volta a Belém. Hoje, segundo programação da Secult, eles se apresentam no Pier das 11 Janelas. No dia 25, a dupla cearense Montage, que arrebentou na terceira edição do Se Rasgum, também volta a Belém para a ressaca do festival. Foram os dois meninos mesmo que anunciaram ontem a novidade em um programa da MTV. Além disso, a Se Rasgum já prepara o Grito Rock do ano que vem, provalmente com a participação de André Abujamra e alguns de seus projetos paralelos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Azul e amarelo

A julgar pela homogeneidade do caráter dos candidatos a prefeito de Belém (observada por alguns analistas), pode-se dizer que a mistura do amarelão do Dudu com o azul desbotado de Priante provocou uma ressaca esverdeada na cidade. Após uma votação atribulada em que 20% dos eleitores deixaram de votar, principalmente por causa dos problemas com as urnas eletrônicas usadas nestas eleições, o suco esverdeado, resultado da mistura das cores primárias, provocou mal-estar generalizado.
Pesquisas de opinião não divulgadas pela grande imprensa davam certa vantagem de Mário sobre Priante, o que gerou grande esperança nos quadros e militantes do PT em um segundo turno de cores mais quentes.
Ficou certa perplexidade e descontantamento. "Mas o que teria acontecido?", devem estar se perguntando os dirigentes da campanha petista.
O problema com as urnas prejudicou o candidato certamente. O grande eleitorado, que não tinha informações privilegiadas sobre pesquisas alternativas, e que poderia votar na confiança do partido do presidente Lula, pode ter fraquejado, como pareceu fraca a campanha petista na maior parte do período que antecedeu a eleição.
Mesmo ciente da possibilidade de segundo a turno, a militância não parecia tão engajada. Na seção eleitoral onde votei, na Sacramenta, um reduto petista, não havia sequer fiscais do partido. No Telégrafo, onde votaram também minha mãe e minha irmã, a situação era a mesma.
Para que a mãe de uma amiga minha votasse em Mário, foi preciso que ela a levasse na seção eleitoral pela terceira vez, depois de constantes problemas com a urna. Onde houve problemas técnicos e demora, só votou quem estava decidido por seu candidato.
Talvez a militância petista não contasse com esse contratempo técnico, afinal o que se espera de um país que anualmente tenta afirmar a competência de seus tribunais eleitorais através da propaganda é que ele garanta o mínimo, o direito ao voto.

sábado, 4 de outubro de 2008

Caco Ishak

Caco Ishak fez algo fundamental para a música independente paraense, contando sua versão do festival Se Rasgum no Laboratório Pop. Visite o blog dele aqui.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Blog do FPMI

Como prometi anteriormente, aqui está o link para o blog do Fórum Paraense de Música Independente (FPMI).

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Para não passar em branco

Acompanho a trajetória do jornalista Lúcio Flávio Pinto desde antes da universidade, onde tive a honra e a sorte de tê-lo como professor. Desde lá, e já se vão mais de 14 anos, não deixei de ler nunca uma edição do Jornal Pessoal. Diante das alternativas de imprensa que se tem no Estado, não creio que qualquer jornalista possa manter-se minimamente atualizado sobre os temas da região sem tal leitura. LFP e o JP chegaram a ser tema de um projeto de pesquisa meu, que acabei não levando adiante. Felizmente, ele tem sido objeto recorrente em monografias, dissertações e teses pelo país afora. Nunca, porém, vi Lúcio admitir que pudesse seguir uma carreira política. Foi diferente na entrevista que li no tabloíde "Livre", do mesmo grupo que anuncia um novo jornal diário no Pará. Ao dizer que protela a carreira política, talvez até o fim da vida, Lúcio admite mesmo de forma velada que pode ter considerado a idéia mais do que tem demonstrado publicamente ao longo dos anos. Não lembro de sua posição ser assim antes. Sempre se colocou como jornalista, que, segundo a sua cartilha, deve ser oposição sempre. Um carreira política requer uma série de escolhas, a começar pelo partido, que colocaria em xeque a sua "imparcialidade pessoal". Por outro lado, de tanto reclamar a falta de um estadista, Lúcio poderia dar a mão à palmatória. Na última edição de seu JP, por ironia ou não, Lúcio começa a tomar posição teatral, coisa também pouco comum na sua trajetória, recomendando o aeroporto como saída às alternativas políticas que se apresentam à Prefeitura de Belém. Felizmente, a maioria do eleitorado não tem tal escolha. E as alternativas continuam aí. Dizer que são todos "seis" ou "meia-duzia" pode ser uma generalização tão nociva quanto a omissão histórica do nosso povo.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

FPMI reúne às terças

O Fórum Paraense de Música Independente, constituído durante o seminário que ocorreu no IAP nos dias 17 e 18 de setembro, conta com a participação das seguintes associações e movimentos sociais organizados: Associação Pro Rock, Movimento Bafafá do Pará, Coletivo Sonora Iqoraci, Nação de Resistência Periferica (NRP), Núcleo de Proção Cultural de Belém, Associação de Percussionistas do Pará/Amazônia, Movimento Pará Roots, Dançum Se Rasgum, Ná Music, Rádio Tabajara e Fórum Paraense em Defesa das Rádios Comunitárias. A primeira reunião do Fórum aconteceu na última quarta-feira, dia 24, no Espaço Cultural Ná Figueredo, e vai ocorrer, a partir de agora, todas as terças-feiras, a partir das 18h no mesmo local. Em breve vou divulgar o link do blog do Fórum, onde vão ser publicadas as memórias de reuniões e informes.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Tempo líquido

Um milhão de coisas a fazer e certamente não vou escrever a resenha que o show do Clepsidra, ontem no Teatro Margarida Schivasappa (Centur - Belém), merece. Mesmo assim vale o registro, que, mais uma vez, nenhum jornalista dos veículos impressos paraenses vai fazer (talvez algum colega blogueiro o faça, Helaine Martins estava lá). Posso dizer que foi agradabilíssimo ver Mauricio Panzera, Renato Torres e Artur Kunz tocando lado a lado no palco, sob a luz magnífica de Carlos Veracruz e a produção competente de Gláfira Lobo. Enriqueceram o espetáculo Felipe Cordeiro (ao violão em várias canções), Arthur Nogueira, cantando "Consolação", de Renato Torres, e Juliana Sinimbú, cantando "Bem Musical" maravilhosamente. Juliana tem melhorado a cada dia, e está cada vez mais bonita.
Destaque também para Artur Kunz, um dos melhores bateristas que já vi em ação em Belém em todos os tempos. Com grande técnica e sensibilidade ritmica para criar o cenário adequada "às músicas malucas do Renato", Artur chega a roubar a cena em vários momentos, facilitado pelo posicionamento incomum da bateria no palco. Você fica hipnotizado vendo o rapaz tocar.
Mas não se deve deixar de frisar o quanto é competente o trio, que tem também na discrição e segurança de Panzera, ao baixo, um de seus trunfos musicais. Panzera é músico hábil e sensível e compositor do grande hit do Clepsidra, "A Máquina do Tempo", exemplo do que a poesia do grupo pode gerar se lapidada em versos e melodia um pouco mais pop.
O trio tocou, além de canções de seus dois discos - "Bem Musical" (2004) e "Tempo Líquido" (2006) -, canções novas que deverão estar no seu terceiro registro fonográfico. Uma delas eu já conhecia, "Independente", parceria com Felipe Cordeiro. "Guamá" me surpreendeu e me ganhou. As outras eu não consigo lembrar o nome porque alguém me roubou o belo folder/programa que trazia o repertório completo de "A Volta do Mundo".
Como disse o Renato, Belém é um clepsidra, um relógio de água que oscila de acordo com a vontade da natureza, imprevisível, misterioso, místico. Talvez isso explique o fraco público presente ao teatro, que perdeu espetáculo de tão grande qualidade. E ontem nem choveu.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Antiaéreo...



Um belo registro deste humilde guitarrista durante o show do Suzana Flag no Bafafá Pro Rock do III Se Rasgum. De Ana Flor.

Fóruns regionais

Belém está na vanguarda das discussões nacionais sobre política cultural para a música independente. Foi o que disse Pablo Capilé em reunião com o pessoal do Fórum Paraense de Música Independente (FPMI). Entre as muitas informações importantes que ele repassou ao grupo, está a criação de um Conselho Nacional da Música Independente, do qual vão participar a ABPD, a BMA, a Abrafin, entre outras entidades. O Conselho vai ser validado pelo Minc, que não teve sucesso na construção da Camara Setorial de Música, há dois anos, através da mobilização dos Fóruns Permanentes de Música nos estados da federação.
Agora que o FPMI foi criado a partir da organização da sociedade civil, sem a provocação do Estado (algo semelhante ao que aconteceu com o Conselho em relação à Abrafin), a discussão se amplia. O FPMI se reuniu com integrantes da banda Mini Box Lunar, que organiza o Palafita, festival que vai ocorrer em novembro em Macapá. Foi decidida a mobilização de foruns estaduais em todos os estados da Amazônia, e a criação de um fórum regional Norte. O primeiro passo fundamental para isso seria a reunião no festival Varadouro, que vai ocorrer no proximo final de semana no Acre. Capilé pediu uma passagem para que eu possa ir representando o FPMI, mas ficou muito em cima. A Secult também não vai conseguir liberar a passagem. Será que vamos perder mais essa oportunidade?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Articulações musicais

No último domingo, durante a apresentação da banda Delinquentes, organizadores do III Se Rasgum, Pablo Capilé (que esteve em Belém a convite do Fórum Paraense de Música Independente), representantes da Pro Rock, o empresário Ná Figueredo e mais o Coletivo Palafita, de Macapá, fizeram uma avaliação positiva da organização da música independente no Norte. Capilé fez o convite oficial para o ingresso do Se Rasgum na Abrafin, descosiderando as polêmicas provocadas pela veiculação de uma reportagem na revista Rolling Stone Brasil. E mais, agitou a organização da cena musical no Norte, provocando uma reunião dos representantes do Norte no próximo final de semana durante o festival Varadouro, no Acre. Talvez tenha sido um dos saldos mais positivos nas ultimas ações da música independente paraense nos últimos anos.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Repercussão

O 1o Seminário do Fórum Paraense de Musica Independente repercutiu no portal Fora do Eixo.

Bastidores do FPMI



Foto de Ana Flor.
Pablo Capilé, Preto Michel e Jayme Catarro, discutem os dilemas da música independente no Brasil e na Amazônia.

Ousadia e coragem



Foto de Ana Flor.
Público do segundo dia do 1o Seminário do Fórum Paraense de Música Independente.

A reportagem da revista Rolling Stone sobre as críticas à Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) foi citada durante o segundo dia do 1o Seminário do Fórum Paraense de Música Independente. Pablo Capilé, produtor do festival Calango (MT) e coordenador político da Abrafin, defendeu a associação e falou sobre as conquistas da entidade durente seus dois anos de funcionamento. A remuneração das bandas que tocam nos festivais foi alvo de crítica de alguns artistas paraenses também.
Na reportagem citada, o produtor Marcelo Damaso foi ouvido e disse que gostaria que o Se Rasgum fizesse parte da Abrafin desde que não sofresse pressão para escalar bandas "hypadas" por produtores donos de festivais. Capilé declarou que o Espaço Cubo investiu na banda Macaco Bong para que ela tocasse no festival Se Rasgum do ano passado porque a projeção da banda também era interessante para o festival e a associação de Cuiabá. O investimento, porém, retorna como força de trabalho, garantiu.
Dependendo da banda, a sua contrapartida, como artista, é tão importante quanto a visibilidade que o festival dá a ela. Penso que a Abrafin tem mais acertos do que problemas. Mas fico feliz que assunto possa ser discutido abertamente. Aqui, jornalistas como o próprio Ismael Machado, que comentou o post anterior, continuam ignorando as dificuldades da produção independente na região. Comentam os festivais como se vivessem de aparências. Ficam valorizando esforços que o público não tem como mesurar por falta do contexto. É preciso um pouco mais de ousadia e coragem.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Fórum Constituído



Atualizado em 19 de setembro.
Foto de Ana Flor
Na foto: Ná Figueredo, Juca Culatra, Nicolau Amador, o secretário de Cultura Edilson Moura e Paulo Martins, durante o 1o Seminário do Fórum Paraense de Música Independente.


Além dos repórtes da Rádio Cultura e da jornalista de Cuiabá que acompanhou o produtor Pablo Capilé, nenhum dos jornais de Belém cobriu o seminário de constituição do Fórum Paraense de Música Independente, realizado ontem no Instituto de Artes do Pará. Nenhum dos candidatos a prefeito compareceu, talvez porque o release/manifesto não foi veiculado na imprensa. Mesmo assim, a iniciativa teve o respaldo de pelo menos sete insituições e a presença do secretário de cultura do Estado, professor Edilson Moura.
Moura disse que a iniciativa é um marco para a organização da classe artística e que vai facilitar as políticas públicas do Estado para o setor. "E um movimento amplo que agrega vários segmentos e essa sempre foi nossa maior dificuldade, principalmente na área da música, porque nós conversavamos com um grupo e de repente outro grupo não se dizia representado. Pelo que vejo, este fórum é legitimo e significativamente agrangente", disse o secretario.
O Fórum foi constituído com a Associação de Percussionistas do Pará/Amazônia, Nação de Resistência Periférica (NRP), Movimento Bafafá do Pará, Associação Paraense Comunitária de Rock (Pro Rock), Coletivo Sonora Iqoraci, Movimento Pará Roots, Verdurada, Se Rasgum, Ná Music, APCE Estúdio, e devem se incorporar ainda a Associação de Músicos da Amazônia Jazz Band e Instituto Arraial do Pavulagem.
O Fórum tem uma reunião marcada para o dia 24 de setembro às 15h no Espaço Cultural Ná Figueredo, onde vai ser formatado seu estatuto e constituida sua diretoria. O Fórum está aberto a adesões.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Pará Musical

A Secult avisou que a banda Suzana Flag foi a selecionada no edital Pará Musical, para lançar seu primeiro àlbum industrial "Souvenir" pelo programa de incentivo à produção artística. Resta uma reunião técnica para definir os termos do contrato de serviços para confecção e distribuição do disco. Importante que se diga, para aperfeiçoar o benefício dos editais é preciso liberar o serviço de distribuição para um selo ou uma distribuidora que atue no mercado. Não é papel do Estado promover isso. Pode ser feito a nivel institucional, mas o retorno ao artista vem da possibilidade de incluir o trabalho num mercado em que já se projeta.

Aniversário do Teatro Experimental Waldemar Henrique

Da assessoria de Imprensa da Secult

No próximo dia 17 de setembro, o Teatro Experimental Waldemar Henrique, fará aniversário de 29 anos e preparou uma programação cultural que é a cara do espaço, com o melhor da música, da dança e do teatro paraense. A programação é toda gratuita.
As comemorações iniciam às 12h e seguem o dia todo. A primeira arte a ser contemplada na programação é a música, que marca o lançamento do "Projeto Arte ao Meio-Dia", que no primeiro momento apresenta um show musical em frente ao teatro, com Nego Nelson, Marcos Puff e Tambores do Norte. Segundo o diretor do Teatro Waldemar Henrique, Marcos Vinícius.
O "Projeto Arte ao Meio-Dia" pretende uma aproximação da população com o espaço. "Esta é uma das maneiras que encontramos de apropriação da sociedade com este espaço cultural, que é público e as pessoas desconhecem", comenta. O projeto pretende movimentar o horário de almoço das pessoas que circulam pela praça e pretende contemplar todos os tipos de arte.
Além das apresentações externas, a programação segue com espetáculos no hall e no palco do teatro. Às 14h, o espaço é dedicado à dança com mostras da Cia. de Dança Clara Pinto, Escola de Dança Bella Art, Escola Municipal de Dança, Escola de Dança Ribalta e Escola de Dança Cemi. Os Palhaços Trovadores apresentam às 18h as conhecidas performances de clown do grupo e abrem espaço para a programação de teatro que segue com a Cia. De Teatro Sete da Arte que se apresenta às 19h30. Para encerrar a Cia. De Danças Roda-Pará se apresenta às 19h30.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Programa FPMI II

Programação do Seminário e Mostra Bafafá Pro Rock.
Dias 17 e 18 de setembro no IAP.

Dia 18

15h - Economia da Cultura, Economia
Solidária e Música Independente.
•Luciano Canez (DF) – Economia Solidária
•Nicolau Amador – Associação Pro Rock
•Marcel Arede – Se Rasgum Produciones
•Mediador: Angelo Cavalcante


17h - Políticas Públicas e Música
Independente.
•Pablo Capilé (MT) – Espaço Cubo
•Ná Figueredo – Ná Music
•Carlos Henrique - diretor de cultura
•Mediador: Nicolau Amador


19h – Bafafá Pro Rock
No anfiteatro do IAP

Com participação de:
Percussão da Amazônia
Hip Hop Belém
Quimera Porfia
Rande Frank

Programa FPMI

Programação do Seminário e Mostra Bafafá Pro Rock.
Dias 17 e 18 de setembro no IAP.

Dia 17, quarta-feira

14h30 - Criação do Fórum Paraense de Música Independente
Gustavo Rodrigues (Se Rasgum),
Nicolau Amador (Pró Rock),
Paulo Martins (Bafafá do Pará),
Ná Figueredo (Ná Music)
e Edilson Moura (Secult)

16h30 – Fala dos candidatos a Prefeitura de Belém.

17h00 - Reunião dos grupos de constituição do Fórum.

Manifesto Jornalístico da Música Independente

Tem gente que leva a música muito a sério! Em plena campanha eleitoral, um movimento de artistas e produtores musicais resolveu se aproveitar dos políticos a procura de visibilidade e votos. O Fórum Paraense de Musica Independente (FPMI), formado por entidades como a associação Pro Rock, o Movimento Bafafá do Pará, o coletivo de produtores e jornalistas Dançum Se Rasgum, o Movimento Pará Roots e micro empresários como os donos do selo Ná Music e do APCE Estúdio, resolveu chamá-los para legitimarem a sua iniciativa, criando uma entidade que possa influenciar ou deliberar ações culturais e investimentos públicos a fomentar a atividade cultural e econômica conexa à cadeia da música.
O Fórum abre neste dia 17, quarta-feira, o primeiro seminário do FPMI, em que deve ter assento o secretário de cultura e o presidente da Fundação cultural de Belém (Fumbel). Além deles, devem compor o fórum ainda o empresário Ná Figueredo, o coordenador do movimento bafafá do Pará Paulo Martins e quem mais representar as classes artísticas e de produtores no Seminário.
O FPMI está convidando publicamente todos os candidatos a prefeito de Belém a participarem da segunda rodada de debates no primeiro dia do seminário, para que eles expliquem qual a visão deles sobre política cultural, economia da cultura e outros conceitos muit em voga entre os artistas engajados.
“A idéia é consolidar e legitimar mesmo esse movimento, para que ele, sendo uma entidade formada pelos principais sujeitos na produção da música independente, em qualquer estilo ou gênero, possa ganhar espaço político em favor dos artistas e da população, que é privada do acesso a produção desses artistas”, teoriza o cantor e compositor Paulo Martins.
A discussão parece complexa. E é. Com a crise do mercado fonográfico e o atraso do Estado em relação as políticas culturais a nível federal, os paraenses da música vivem tardiamente seus dias de luta. “Só conseguimos patrocínio privado muito em cima do evento e só conseguimos realizar o terceiro festival porque o movimento ganhou espaço junto ao governo do estado, que cedeu a infra-estrutura mínima para que o evento pudesse acontecer com dignidade, digamos assim”, explica o produtor Gustavo Rodrigues, do Se Rasgum, que realiza a terceira edição do festival homônimo, que colocou Belém na rota do emergente circuito alternativo de rock no Brasil.
Além da criação de pontos de cultura para associações de músicos e cooperativas de comércio digital de música, a inclusão do festival entre os associados da Abrafin, a Associação Brasileira de Festivais Independentes, é uma das bandeiras do FPMI. “No terceiro ano, o festival, que é importante porque valoriza a produção autoral paraense pode concorrer a editais como o da Petrobrás e receber patrocínio nacional negociado através da Abrafin, que já tem uma abertura muito grande”, continua Nicolau Amador, guitarrista da banda Norman Bates e membro da Pro Rock.
Os movimentos envolvidos afirmam que estão procurando adesão para que o Fórum seja reconhecido publicamente como uma organização da sociedade civil. “A gente não pode só confiar nos políticos, a gente tem que cobrar e fazer a nossa parte. A intenção não é privilegiar um grupo, mas desenvolver algo que seja bom para todos os artistas e para a população, conseqüentemente”, opina Jayme Katarro, vocalista da banda punk Delinqüentes, que tem 22 anos de estrada.
Além dos líderes locais da música independente, o seminário vai receber a visita do produtor Pablo Capilé, coordenador do Movimeto Espaço Cubo, de Cuiabá (MT), e membro da Abrafin. Capilé vem falar da sua experiência com associativismo e economia solidária, que tem ajudado a fomentar o circuito alternativo em todo o Brasil em parceria com a Abrafin.
O FPMI tem apoio do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (Secult), fundações Curro Velho, Tancredo Neves, Carlos Gomes e Instituto de Artes do Pará (IAP).

sábado, 13 de setembro de 2008

Novidades na rede

Pois é, correria tanta que não dá pra fazer todo o trabalho ao mesmo tempo: jornalismo, giutarra, produção, política cultural. O blog de Thiago Vianna, o Cultura Maniçoba, ajuda você ficar informado sobre muitas das coisas na cena paraense que se discute por aqui. Na edição atual ele traz um grande furo: a participação da banda Cravo Carbono, com sua formação completa, na próxima edição da Feira do Livro. Sem pai nem mãe na imprensa escrita paraense, com raras exceções, resta a quem gosta e valoriza a nossa música fuçar as comunidades e blogs na rede.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Suzana Flag de volta


Foto de Ana Flor
Produção: Nicolau Amador
Agradecimentos: Ná Figueredo

O Suzana Flag voltou a fazer shows. Depois do Café com Arte, a banda faz mais um aquecimento para o festival Se Rasgum, com uma apresentação no sábado 13.
As primeiras 50 pessoas que deixarem seus nomes na comunidade da banda no Orkut vão ter entrada franca no proximo show da banda no Ballroom. Basta dizer que é fã da banda e garantir a presença no show, onde serão gravadas cena para um documentário sobre a banda.
As regras são simples: não vale por o nome de mais ninguém, só o seu. Por isso, se você quiser levar seus amigos, manda eles irem na comunidade.
E mais: Os cinquenta restantes vão pagar metade do ingresso. Apenas R$ 5. Vamos lotar a casa para captar aquela vibe que rola durante os shows da banda. Quem viu o show de volta no Café com Arte sabe do que estou falando.Para quem não sabe, o bar e teatro Balroom fica na Travessa Piedade, próximo à Tirandente. Ali onde nos anos 80/90 funcionava a clássica casa de rock La Cage, e onde já funcionou a antiga Go.

Informações: (91) 9614 1005.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Diário de correria

Esse último mês tem sido muito agitado. Por conta disso o blog ficou desatualizado. Perdemos as notícias sobre o Prêmio Dynamite, a escalação do Se Rasgum e do Bafafá Pro Rock. Perdemos também a volta do Suzana Flag aos palcos de Belém. Em parte porque estive diretamente envolvido com a maioria desses eventos. Toquei guitarra com o Suzana Flag e tive apenas uma semana para pegar as 10 músicas do repertório do show de sábado, que emocionou a todos no Café com Arte. Também estou envolvido com a produção do palco Bafafá Pro Rock, que acontece no terceiro dia do festival Se Rasgum, e que vai abrir espaço em Belém para a incrível banda Soatá, de Jonas (ex-Epadu). Ah, ainda tem nos dias 17 e 18, véspera do Se Rasgum, o 1o Seminário do Fórum Paraense de Música Independente. Vamos tentar mantê-los atualizados.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sobre o "Imagem e Comprador"

A pouca frequência que teve o seminário "Imagem e Comprador", realizado no último sábado na Estação das Docas, parece confirmar que os produtores e artistas locais ainda não se encontram no nível de negócios que propõe o projeto da BM&A. Isso é verdade somente em parte, e torna a iniciativa da Dançum Se Rasgum ainda mais nobre e importante. Se por um lado ainda estamos engatinhando e muitos ainda não podem oferecer os "produtos" que os estranegeiros desejam, por outro, a presença de produtores e jornalistas que estão diretamente ligados ao business da nova música mundial alerta e mostra que fazer negócios na globalização não é tão difícil quanto se imagina. O que se disse durante toda a palestra não foi para muita gente uma novidade. Mais importante do que as "dicas" e conselhos, era ter acesso àquelas pessoas, que são empreendedores, como quaisquer outros, interessados em novidades que possam vingar em um mercado. A ausência de muitos importantes artistas e produtores locais é um alerta também para o Estado, que tem um papel importante em reconhecer a atividade artística como uma possibilidade econômica viável e como meio de desenvolvimento social. O Estado não pode continuar tendo uma postura tão assistencialista. Precisa incentivar o empreendedorismo artístico e para isso precisa entender como funciona o mercado. Os técnicos da Secult deveriam estar lá também. Os primeiros editais do governo (que não deixam de ser um avanço) são, também, a prova de que eles ainda engatinham nesse lado.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Imagem e Comprador - Parte III

No sábado 23, parte da comitiva estrangeira vai participar de um seminário aberto à classe artística paraense. David McLoughlin, representante da BM&A, apresentará o projeto de exportação Música do Brasil 2008, incentivado pela Apex.
A Brasil, Música e Artes (BM&A), realizadora dos projetos Imagem e Comprador, é uma associação privada constituída legalmente como uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip), sem fins lucrativos, com sede em São Paulo. Foi fundada em Julho, 2001, com o objetivo fim de encorajar e organizar ações de difusão internacional de música brasileira
A Apex-Brasil é uma agência do governo federal que trabalha com o objetivo de estimular as exportações brasileiras. Executa projetos com mais de 60 entidades de classe representativas de setores da indústria e serviços. Vem contribuindo para os resultados da balança comercial por meio da diversificação da pauta exportadora.
Os ingressos para o seminário de amanhã custam R$ 5. Estarão à venda na Estação das Docas.

Imagem e Comprador - Parte II

Os jornalistas presentes são:

Tracy Mann (EUA), da MG Limited, maior e melhor empresa de promoção e marketing nos EUA. Trabalha com artistas como Bebel Gilberto, Maria Rita, Céu, Gilberto Gil, Jorge Drexler e Bajofondo Tango Club.

Jody Gillett (Reino Unido), da Free Associates. Faz divulgação e promoção na Europa. Trabalha com música há dez anos na European Promotion, no selo Rykodisc, e tornou-se gerente do selo Hannibal na RykoLatino, mudando para marketing internacional na Palm Pictures. Passou a cuidar do mercado europeu de promoções para a Trama e Ether Music. Já trabalhou com Nação Zumbi, Carlinhos Brown, Tom Zé, entre outros.

Jim Carrol (Irlanda), escreve sobre o negócio da música no Irish Times, jornal de circulação nacional na Irlanda, com base em Dublin. Já trabalhou em importantes meios de divulgação, incluindo NME e I-D. Já trabalhou com selos como Warner, London Records, Rondor Music e Go! Discs. Foi co-fundador do selo independente Lakota, comprado pela Sony Music, e também do Choice Music Prize, na Irlanda.

Alex Robinson (Reino Unido), premiado fotógrafo e escritor, tendo publicado textos e editoriais de fotos no The New York Times, Demon Music Group, Union Square Music, The Smithsonian Institution, Conde Nast Traveller, The Financial Times, Songlines, The Sunday Times Travel, The Sunday Telegraph, Terra, The Word, Music Week, e Wanderlust.

Imgem e Comprador - Parte I

A Euterpia, Albery Albuquerque, AMP Group, Arraial do Labioso, Coletivo Rádio Cipó, Floresta Sonora, La Pupuña, Marco André, MG Calibre, Nego Nelson, Suzana Flag, Trio Manari e Vinil Laranja foram os artistas selecionados pela BM&A e compradores no projeto que a Dançum Se Rasgum está trazendo a Belém. Eles defendem hoje à noite na Estação das Docas seus trabalhos diante dos 10 executivos e jornalistas musicais internacionais. De acordo com o release para a imprensa, os “compradores” são:

Brent Grulke (EUA), do cultuado festival South by Southwest (SXSW), realizado durante uma semana do mês de março em Austin, Texas, envolvendo centenas de músicos.

John Bissell (EUA), especialista em trilhas sonoras, tendo trabalhado com nomes como Robert Redford, o homem por trás do Sundance Festival.

Olivier Lacourt (França), vice-presidente do French Export Bureau, órgão que centraliza as informações sobre a exportação da música produzida na França e participa do desenvolvimento de projetos no exterior.

Mark Gartenberg (USA), com experiência de 22 anos no mercado musical passando períodos em Londres, Dallas e Nova York pela Sony Music.

Neil Mowat (Reino Unido), diretor da Better Days, agência do Reino Unido especializada em marketing e gestão de marcas e que promove festivais de música The Tennent's Mutual e o TrocaBrahma.

Gene de Souza (EUA), trabalha com jazz e MPB e promove a música brasileira em Miami, Flórida, através da Café Brasil Radio Show e da realização de concertos com a Rhythm Foundation. Atualmente, está envolvido em uma turnê de Gilberto Gil, Milton Nascimento e Jobim Trio em Miami.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Fundo de Cultura

Este ano, uma enxurrada de projetos foram aprovados na Lei Tó Texeira. Multiplicou o número de captadores profissionais que trabalham em média com 20% de ganho sobre o valor do projeto, o dobro do que a lei permite oficialmente. Alguns deles aprovaram mais de trinta projetos de uma vez, usando nomes até dos filhos. Muitos políticos usaram sua influência junto ao empresariado para conseguir patrocínio para projetos apadrinhados.

Com a Lei Semear, não é melhor a situação. As empresas que patrocinam utilizando esse benefício não cobrem nem metade dos recursos de renúncia fiscal disponíveis, o que torna inviável a execução da maioria dos projetos. Algumas "pedem" a devolução dos 20% que seriam contrapartida à renúncia fiscal, que cobre oficialmene 80% do orçamento dos projetos beneficiados.

Essa situação, que beira a marginalidade, precisa ser revertida. O mais impressionante é a passividade da classe artística diante de tal situação. Vira e mexe alguém aparece nos cadernos "de cultura" falando sobre como é difícil conseguir apoio para as produções, mas ninguém dá nome aos bois ou explica a real situação. Há quase dois anos, a repórter Márcia Carvalho expôs de maneira bem clara e direta uma dessas situações, dando como exemplo o caso da banda Suzana Flag, que teve projeto rejeitado na Semear mesmo tendo carta de patrocínio de uma operadora de telefonia móvel. Não repercutiu como deveria.

A criação do Fundo de Cultura, que o PT implantou em todos os principais estados e/ou prefeituras onde assumiu o governo, poderia amenizar a situação. Grande parte da produção de vanguarda de Recife teve apoio do fundo de cultura de lá. Atualmente, segundo informações do prório secretário Edilson Moura, o fundo está em articulação com a Secretaria de Fazenda. Já está mais do que na hora.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

DDT no Milo Garage

Bela entrevista dos Destruidores de Tóquio no site da Trama Virtual. Eles se apresentam hoje no Milo Garage. Recomendei ao Carlos Eduardo Miranda e ao Alex Antunes. Vamos ver a repercussão.